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segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Conversa... não! Cantata ao pé de ouvido de Morena...


“Espere por mim, Morena.
 Espere que eu chego já.
 O amor por você, Morena...”






E chega nossa Pequena Morena... Isso, Morena...
Talvez seja a síntese de tantos nomes que tratam Morena como adjetivo: Bruna, Adriana (e suas variações), Drica...
Mas vens Morena como Nome! NO-ME ! ! ! ! !
É como se seu nome fosse Luta! Ou, talvez Resistência... poderias até mesmo chamar-se Mulher! Termos que nesta nossa sociedade marcada pelo “tornar a vida mero objeto” andou construindo e legitimando ao longo de séculos: fazer do que é essência, mero adjetivo. Talvez até elogioso...

– Revolucionário como Adjetivo do Nome Revolucionário, Russo! (Strovézio).
– Hummmm... Explica um cadim mais, meu nobre palhaço de ideias sempre em construção...
– Simples, Russo... Não será mais “Tá vendo aquela morena?”... Agora em diante será “Tá vendo? É a Morena!”...
– Uau... Strovézio sendo sempre Strovézio...

Chegas trazida por nossa sempre querida Carol e de Jonathan (a quem nosso humilde picadeiro de terra batida ainda não conheceu), chegas neta de Claudinha e Luika, sobrinha de Natan e Daniel...
Aliás, acho que chegas sobrinha de tios e tias pra dedéu... Só aqui no nosso picadeiro de terra batida e lona furada de circo é uma tuia ao quadrado.
Eita, que é so gente bacana em volta...
E é gente bacana em muita coisa, inclusive na música. A de Gonzaguinha, que abre esta conversa ao pé de ouvido foi, na sua chegada, a homenagem primeira.
Mas também és de Morena aos cantos de Osvaldo Montenegro, e suas palavras doces que versam:

“Eh, Morena... tá faltando essa areia molhada... /
 E o cheiro de sal madrugando na boca da gente... /
 E o sono da rede embalando teu corpo... /
 E a roseira fazendo das suas...
 Nascendo uma rosa na Lua e o luar no jardim...”

E é tanta, mas tanta música para este papo, que resolvemos inaugurar nossa “Cantata ao pé de ouvido”...
E viva a música... este movimento de sons, vozes, tons e até silêncios fantástico da produção e do trabalho humanos.
Mas antes de “cantarmos” sobre esta data tão musicalmente festiva, algumas coisas neste dia que chegas nos chamaram a atenção... Na verdade, algumas pessoas nesta história deste bicho tão estranho chamado Homem/Ser humano!
Diz a lenda que o futebol já ganhava suas canelas no velho mundo, ainda no século XIX. Daí, lá pelas bandas de 1863, o futebol entraria na sua fase de regras internacionais, bem neste dia 26 de outubro. Não conseguimos encontrar (mas deve existir) quais seriam essas regras. Mas, não duvidamos nem um pouco que, dentre elas, a de que futebol era jogado somente por Meninos... coisa mais chata, aquela época, hein?


A gente, do Universal Circo Crítico, até joga uma bola... mas com regras circenses, com pitadas de Luís Fernando Veríssimo. Peça pra sua mãe e seu pai ler pra ti este escritor brasileiro, tá?
Mas, voltando pro papo da gente: Daí, tu vem menina, num mundo em que futebol é coisa de menino. Portanto, bagunça toda esta ordem “testosterona” do esporte, arrebenta tudo e vá organizando suas futuras amiguinhas e amiguinhos para dizer “Tá Tudo ERRAAAAAADO!”



Ó... este picadeiro não tem essa não, de “futebol é de menino” e tals... aqui, é pra todo mundo! Então, quando puder, arme o futebol que quiseres aqui em nosso picadeiro...
  
– Ei, Russo... por falar em Futebol... (Strovézio)
– Diz aí, meu peladeiro palhaço!
– Acho que precisamos aqui, qualquer dia, reorganizar o nosso “Os Cavaleiros do Ante-futebol!”, né não?
– Putz... E não é! Topa, Morena????

Bom... como sempre, wikipediamente falando, a gente descobre que uma tuia de gente nasceu ou se despediu numa tuia de dias diferentes...
De Ex-primeira futura presidente norte americana ao primeiro presidente indígena boliviano (eita), gente de tudo quanto é tipo, jeito, des-jeito e o escambal... Darcy Riberio, grande figura da Educação Brasileira, por exemplo, nasceu em 26 de outubro e, afinal, chegas, Morena, neta de Professor e Professora... Sacou?
Ainda em um distante 1871, nascia Guilhermo Kahlo. E agradecemos o destino e os caminhos percorridos por este fotógrafo alemão, radicado no México e, principalmente, pai de Frida Kahlo por ter seguido este caminho.
Frida Kahlo seria, talvez, a figura mais expressiva para falarmos aqui, mesmo não nascendo em um 26 de outubro.
Mas, como se trata de seu pai, que era um fotógrafo, então, te recebemos, Pequena Morena, com uma das fotos que ele tirou de sua filha e, nesta, a expressão de história que fica. Claro, nossa humilde lição é essa: a história não está pronta e acabada... A história não se faz com uma foto... a história se faz com força e amor. E que as fotos que a história registrem de ti possam sempre expressar o que mais forte e o que de mais profundo amor irás construir.



Mas ó, que massa... Tem história que só as nossas conversas ao pé de ouvido nos possibilitam conhecer. Neste caso, falo do poeta brasileiro Murilo Araújo.
Não sei qual orixá te celebra e qual a recebe neste dia. Mas, se for Nagô, tá perfeito... Murilo Araújo, em sua vasta obra poética, marcada no movimento modernista, escreveu “Funeral d’um Rei Nagô” que foi musicado por Heckel Tavares e, com um cadin de paciência, achamos uma gravação... E que tom clássico maravilho que, na voz de Inezita Barroso, ganha ar de perfeição...



– Nagô! Axé! Salve Morena! (Strovézio)
– Nagô! (Nossos artistas)

Como tu és, desde sua chegada, ligada à música e, portanto, à arte, tem um grande artista que partiu em um 26 de outubro: o brasileiríssimo Di Cavalcanti, um dos mais importantes pintores brasileiros (foi pintar o 7 por outras bandas em 1987)...
Claro, tem coisa que a gente, quando começa a crescer, sempre gosta de fazer... pintar, desenhar, rabiscar, desenhar o rabisco e por aí vai...
Mas, daí, a gente aqui pensou que nada como lembrarmos de uma das obras de Di, que tenha a ver com a música (estás cercada de música); O Samba... tudo certo né?



Mas, é pra música que gostaríamos de reservar nossas palavras finais... Até porque, como dissemos, isto é uma Cantata...
Milton Nascimento (1942) e Belchior (1946) são também de 26 de outubro e a obra escrita e cantada destes caras é quase que inarrável... Presaríamos inaugurar não mais uma “Conversa ao pé de ouvido...” ou, como agora, uma “Cantata ao pé de ouvido...”. Teríamos que dar um jeito na nossa lona furada, no nosso picadeiro de terra batida e realizar um, hammmm... deixa ver..

– TRIBUTO AO PÉ DE OUVIDO! A Chegada de Morena na Voz de Milton e Belchior!
– TRIBUTO AO PÉ DE OUVIDO! Uau!... Isso sim seria massa!



Mas, além deles, foi em 26 de outubro de 1989 que o Fantástico Legião Urbana lançou “As Quatro Estações”... ainda eram os bons tempos do LP.
E se Milton Nascimento e Belchior já dariam um espetáculo a parte, o que pensar deste que foi um dos trabalhos mais sensíveis de uma das maiores e  mais importantes bandas de rock do país?
E que viagem um único LP pode fazer para celebrar sua chegada, né não, Pequena Morena?
Afinal, para sua chegada, o Legião é bem claro, elucidativo, pedagógico até, pois canta junto a este picadeiro que

“[...] disciplina é liberdade
 / Compaixão, é fortaleza
 / Ter bondade é ter coragem...”

E liberdade, fortaleza e coragem são extremamente importantes para amar, e Amar assim, com letra maiúscula, pois

“É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”.

Até porque, Pequena Morena,

“É só o amor, é só o amor /
 que conhece o que é verdade. /
 O Amor é bom, não quer o mal /
 Não sente inveja ou envaidece”.

E... “[...] quando se aprende a amar /
o mundo passa a ser seu”.

As pessoas aí perto, bem pertinho de ti e, também, os artistas deste picadeiro de terra batida que te recebem, são e sempre foram sonhadoras. Pessoas que tem força no coração e amor nas suas lutas.
É certo que vivemos tempos estranhos. E nestes tempos estávamos pensando, enquanto chegavas, Pequena Morena... Pensávamos que...

“Até bem pouco tempo atrás / Poderíamos mudar o mundo...
 / Quem roubou nossa coragem?
 Tudo é dor /
 E toda dor vem do desejo de não sentirmos dor”...

Lembre-se, Pequena Lutadora do Povo Morena... sempre que acordares...

“...Quando o sol bater na janela do seu quarto, /
 lembra e vê que o caminho é um só...”

É o caminho que sempre nos levou a acreditar que poderíamos mudar o mundo... É o caminho que fortalece nosso desejo de nele continuar...

Afinal...
“Se o mundo é parecido com o que vejo /
 prefiro acreditar no mundo do meu jeito /
 E você estava esperando voar,
 mas como chegar até as nuvens com os pés no chão?”

Claro, pra chegar nas nuvens ou tirar os pés do chão, sempre é importante fazer planos... Até eu, neste picadeiro de terra batida...

“[...] as vezes faço planos /
 as vezes quero ir /
 Para algum país distante e voltar a ser feliz”.

E lembre-se de que lado você está, Pequena Morena. Pois estes tempos tão malucos, em que gostar de São Paulo, gostar de São João, gostar de São Francisco e São Sebastião, tanto quanto gostar de meninos e meninas, é tão perigoso quanto saber de que lado se está...
Chegas, Morena, em tempos de luta, sim... Lutas intensas, daquelas que a gente afirma, contundentemente: Só a Luta muda a Vida! E é, sim, uma luta do bem contra o mão... é sim...

“É o bem contra o mal /
[...]
Eu estou do lado do bem”

É isso, nossa Pequena Lutadora do Povo Morena...
Ainda não escutamos sua voz, seu choro, seu balbuciar, seu arroto após uma mamada... Mas aqui, no Universal Circo Crítico, neste picadeiro de terra batida e lona furada de circo tudo é tão arrumadinho, que a gente pode dizer, legianamente falando,

“Eu já me acostumei com sua voz /
 quando estou contigo, estou em paz”.



Viva Viva, Morena!
Celebramos...

Vida Longa, nossa Pequena Morena!
Sempre Vida Longa!

Venham Todos!

Venham Todas!

Um comentário:

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O Universal Circo Crítico abre seu picadeiro e agradece tê-lo/a em nosso público.
Espero que aprecie o espetáculo, livre, popular, revolucionário, brincante...! E grato fico pelo seu comentário...
Ah! Não se esqueça de assinar, ok?
Vida Longa!
Marcelo "Russo" Ferreira