RESPEITÁVEL PÚBLICO!

VENHAM TODOS! VENHAM TODAS!

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Dia do/a Professor/a


"Se não morre

aquele que escreve

um livro e planta uma árvore,

com mais razão

não morre o educador

que semeia vida

e escreve na alma"

(Bertolt Brecht)

            Não é apenas por reconhecer que nenhum lugar do mundo faz sentido sem a docência, sem o ato educativo, sem o processo de ensinar e aprender, sem a formação sistematizada (seja lá qual forma for estabelecida essa sistematização).

            Não é apenas por uma conveniência de data (o 15 de outubro), já consagrada e oficialmente estabelecida no imaginário celebrativo brasileiro.

            Não é apenas por expressar chavões como “todo profissional, todo político, toda pessoa humana precisou de um professor”

            Não é por nada disso e por uma outra tuia de “não é apenas por...”



            Ser, fazer, viver, resistir a/na docência, esse ato que traduz o que significa a palavra-sujeito “professor”, em tempos atuais tem sido ato de luta.

            Lutamos para mostrar à sociedade que a Universidade Pública não é inimiga do país...

            Lutamos para mostrar à sociedade que o/a professor/a não é inimiga da família...

            Lutamos para sermos professores/as cada vez melhores, presencialmente...

            Lutamos para mostrar que não somos “prof pop, prof agro, prof tech e prof aquilo-outro” só porque estamos no Youtube, no Instagram, no “Zapzap” e afins...

            Lutamos para mostrar que o mundo precisa sobreviver à destruição que o Capital está proporcionando ao mundo e à humanidade.

            Lutamos para provar que não há neutralidade no ato pedagógico... mas que também não há intolerância ao diferente...

E fazemos da luta nosso ato pedagógico.



            Sou professor... e como a absoluta maioria de meus colegas de categoria, banco, invisto, pago do meu salário os materiais de meu trabalho.

            Sou professor e tenho posição política, pedagógica, científica ante ao que vivemos... mas mais ainda diante do que necessitamos (re)construir.

            O que me faz ser professor é ainda acreditar (por mais que às vezes seja empurrado a desistir) no horizonte de humanidade que persigo. Porque ela, a humanidade, é necessária.

            Sou professor!

– Ei, Russo (Strovézio)...

– Diz aí, meu palhaço revoluça!

– Bota aí uma fotinha de seu “quadro branco” em tempos de aula remota, bota?

– Lá vai!

 

Primeira aula "remota-síncrona" de uma turma de Metodologia Científica

Venham Todos!

Venham Todas!

Viva o 15 de outubro!

sábado, 5 de setembro de 2020

Carta a um "nem tanto assim" amigo...


Prezado senhor Caio Mário Paes de Andrade

Secretário Especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital

Ministério da Economia

Brasília – DF

 

Saudações.

 

            Recebi (e acredito que o enorme conjunto de servidores públicos deste país também) a sua Carta sobre a EC que define as diretrizes da Reforma Administrativa que vocês (sob a batuta deste presidente Mequetrefe e de seu “banqueiro-ministro” especulador) encaminharam ao Congresso, no dia 3 de setembro.

            Penso ser educado responder à sua carta, como era ato comum quando ainda não tínhamos e-mail, zapzap, feicebuque e todo esse escambal tecnológico de relações mais ou menos sociais. Falo, obviamente, dos tempos de caneta em punho, envelopes com bordas verde-amarelo e a língua no selo (que sempre ia para coleções singulares).

            Isso em registro, gostaria de tecer alguns pequenos comentários sobre suas primeiras palavras:

 

1.      É interessante o uso da expressão “Nova Administração Pública”, como se fosse um eco que insiste martelar nossos ouvidos, como a dizer “acabou a velha política”. Um governo “novo” que nascia velho (e, claro, todo meu respeito aos idosos deste país) e que aprofunda a tal “velha política” do toma-lá-da-cá... é curioso que seu chefe tenha que recompor sua base legislativa alinhando-se com as velhas raposas políticas (vulgo “centrão”) para, assim, ganhar fôlego nas propostas que vocês apresentam... essa, inclusive;

2.      A segunda expressão interessante é a preocupação com a população... “E daí?” para 10 mil mortes e “vida que segue” para 100 mil mortes por COVID-19 e a proposta de 200 reais de auxilio emergencial (ou seja, os 600 nunca foi a proposta de vocês) são dois bons exemplos de como que a tal “preocupação com a população” é só discurso... adoram taxar livros (obstacularizando-os ainda mais à periferia) mas não tocam numa sombra de pena dos ricos não taxados... é hipocrisia que chama, né?

3.      Coragem para enfrentar grandes temas... Cês tão de brincadeira, né? Nem COVID (grande pandemia), nem ricos (grandes riquezas), nem Bancos (grandes especuladores) cês conseguem (não querem, na verdade) enfrentar e vem colocar no colo dos trabalhadores públicos deste país que nós somos os grandes temas a serem enfrentados? Coragem para um caminho da prosperidade de um governo que quer vender tudo? Até a Amazônia (papinho do seu presidente com Al Gore, alguns meses atrás) cês entregam, inclusive ao garimpo ilegal... Valei-me, visse?

 

– E o piadista sem graça é tu, né Russo? (Strovézio)

– É que normalmente tenho que explicar a piada... e a explico. Já isso daí...?

– Apois... os grandes magistrados, os grandes militares, os “auxílios paletós” não fazem nem cócegas nesta reforma.

– Estranho conceito de “grandes temas”, Strovézio...

 

4.       Daí, fico a pensar: quem “amarra” o serviço público? O seu colega do Meio Ambiente, que avisa criminosos garimpeiros que serão “pegos na botija” e depois se reúne com eles em Brasília e carona com a FAB? Ou talvez o “foragido de estado” Ex-ministro da Educação que não conseguiu executar dois dígitos percentuais de seu orçamento de 2019 na educação básica? Foram as amarras o seu obstáculo? São os trabalhadores das agências da previdência, cada vez mais sucateadas, que travam o cuidado com a saúde previdenciária deste país? Ah, e enquanto Educação for direito (não plenamente mercadoria), todos os caminhos necessários para seu bom desenvolvimento estarão comprometidos?... Os interesses materiais, financeiros, capitais de fato não fazem nada... nadinha... cut-cut no Estado? 

Tem outras expressões aqui que gostaria de desenvolver mais, mas uma carta não pode ficar muito longa. Eu não vejo problema nisso, mas vai saber se tu tens disposição, né? É a primeira vez que trocamos correspondência, então, nem nos sabemos ainda.

Também achei curioso os tais “quatro princípios centrais”: 

1) Foco em Servir: consciência de que a razão de existir do governo é servir à população – já comentei, e não cola, né, Secretário?

2) Valorização dos Servidores: reconhecimento justo, com foco no seu desenvolvimento efetivo: congelamento de salários hoje (para até 2021) e com uma PEC que em 2016 já trancou por 20 anos qualquer investimento no desenvolvimento público. Que valorização é essa dos servidores? Esse governo que, inclusive, elaborou dossiê “fora da lei” e persegue servidores (inclusive dentro dos ministérios) por suas posições político-ideológicas (garantias constitucionais), quer valorizar quem? Os seus ideólogos a la Olavão?



3) Agilidade e Inovação: gestão de pessoas adaptável e conectada com as melhores práticas mundiais: essa, até agora, nunca verdadeiramente estabelecida. Não somos, de longe, o Estado que mais tem servidores públicos e sua carta nem descreve, com clareza e objetividade, quais são as “práticas mundiais” a que se refere. Até pra gente saber, sabe? E entender o comparativo.

4) Eficiência e Racionalidade: atingir melhores resultados, em menos tempo e custando menos... ah, secretário. Esse blá-blá-blá de “fazer mais, com menos dinheiro” sempre, sempre recai sobre o mais lascado. Receita velha para dizer “vamos nos dedicar”, enquanto ricos ficam mais ricos, bancos ganham mais dinheiro, e o Mercado (os grandes, porque os pequenos seu chefe já disse em reunião ministerial que não tá nem aí) sempre ditando que “fico com os anéis, vocês com os próprios dedos”. 

Bom... tu sabes, né? Se mandou carta pra mim, tu me conhece: as palavras precisam ser claras e objetivas, ser concretas, sem enrolação... É assim que faço pesquisa, é assim que ministro minhas aulas, é assim que oriento meus alunos, sem embromar. Sei que tem uns que passaram no governo, que inventaram títulos (até apelaram para a igreja para dizer que são mestres), mascararam-se de pesquisadores... mas sabes que isso, comigo, não rola. Então, se puderes dar mais clareza a esses princípios, seus parâmetros, suas raízes etimológicas, epistemológicas, gnosiológicas e ontológicas, fico muito agradecido, visse? 

Outra coisa que eu gostaria de entender é se tu achas que eu não quero ver o Brasil avançar e nossa gente prosperar, sabe? É que, sei lá... ficou estranho esse seu comentário sobre a proposta ter sido construída por servidores (aparentemente apenas servidores) e ninguém contestar, por exemplo, essa mania de calcular os nossos salários dizendo que ganhamos mais do que o setor privado e nunca denunciar o setor privado por pagar mal... e porcamente. Só para trazer uma referência (aquilo que faltou nos seus quatro princípios). Mas pior, tipo FEIO-MESMO é deixar de dizer sobre os setores privados (inclusive a Globo, que seu chefão não gosta muito) que estão juntinhos nesta onda de vocês, deixar de registrar o quanto que eles dão ideias (e cartas) para que essa proposta seja construída... francamente! Deixar de dizer a verdade também é mentira, visse? Vai cuidando, seu menino. 

Mas, ó... uma das partes mais legais da sua carta foi essa: “Nas próximas semanas, a proposta será debatida no Congresso e todo esforço será feito para que as informações circulem e as conversas avancem”... Olha, se eu não conhecesse as tramas e arti-tramas das relações políticas do congresso, a relação com o centrão e coisa e tal, já estaria achando que vocês fariam Audiências Públicas, debates no Congresso com vários representantes da sociedade, pesquisadores vários (não apenas os seus economistas do Instituto Lemann)... foi bem engraçada essa parte, visse? Kkkk 

Por fim, prezado secretário, um registro: o fato de esta tosca proposta não atingir os atuais funcionários públicos deste país não quer dizer que eu fique no “ah, tudo bem então... tá firme!”... Solidariedade aqui é diferente das que vocês estabelecem... Vocês, claro, porque tem um “líder que todos seguem” (palavras do Mequetrefe, visse? Cobra dele) e fala por vocês quando ataca imprensa, quanto ataca Universidades, quando ataca “professores que querem destruir a família” e por aí vai... eu me solidarizo com quem quer vir ao serviço público dar sua parcela de trabalho e contribuição para a construção deste país...

Cês bem que poderiam ter coragem de partir pra cima dos grandes ricos, né? Vai lá, taxa as fortunas deles... Vai dizer que não tez as contas e viu que vale a pena?

Sim, fiquei curioso: essa tal secretaria de desburocratização, gestão e “Governo Digital”... é daí que se faz a gestão daquele tal gabinete do ódio do presidente? Juro que pensei que era uma salinha ao lado da sala dele, tu acredita? 

            Por fim, meu caro Caio, aproveitando que tu és o cara da desburocratização e das ondas digitais e tals, poderia me dizer por que o Queiroz depositou 89 mil reais na conta da Michele Bolsonaro?

 


            E tu já fostes a um mercado patriota? Depois me indica tá?

 

            Abraço mais ou menos fraterno.

 

            Russo 

  PS.: as imagens vieram do bom e velho "pesquisar no google". Se houver problema no uso de alguma, peço desculpas e as retiro se for o caso.

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Ah, se Fôssemos uma empresa... (a Universidade)

Se a Universidade fosse uma empresa...



... certamente muitos dos alunos que hoje vivem nesta universidade não estariam nela... mesmo em tempos de pandemia e de desmotivação que este período vem causando.

... bem possivelmente, o orgulho de dizer “sou da UFPA” (por exemplo) seria diferente, porque se fosse uma empresa, só estaria estudando nela pagando uma gorda mensalidade... e ainda faria propaganda de graça para a empresa.

... não duvida-se que o ensino seria cada vez mais “à distância”, pois sendo uma empresa, diminuir custos não seria uma mera questão de “boa gestão”... mas, pelo contrário, de gestão de lucros.

... os docentes? Ah, se fôssemos uma empresa, o processo seletivo talvez fosse menos transparente. Acho até que alguns achariam, também, menos “desgastante”, bastando uns bons vídeos de ‘como se comportar em entrevistas” e respondendo o que querem ouvir – não a sua opinião concreta e verdadeira – para se prepararem.

... ProfessorAs (isso, AS professoras) certamente seriam em menor número... Negras, indígenas, LGBTQI+ então, não teriam as mesmas condições de disputar uma vaga docente. Podem até dizer “os tempos são outros”... mas todos os dias os exemplos de todas as formas de segregação, opressão, violência e discriminação por gênero, raça e orientação sexual saltam à nossa frente, e não são “casos isolados”... é estrutural.

... e a pesquisa? Se fôssemos uma empresa, que pesquisas essa universidade desenvolveria? Identidade do Professor? Estudos Feministas... ou Marxistas? Hanseníase nos rincões perdidos mundo afora? Síndrome de Burnout? Idosos... alguns até teriam chance: se valessem a pena do ponto de vista “o que a empresa ganha com isso?”... mesmo que apenas na “boa imagem” (em tempos de “Solidariedade S.A.” talvez rolasse), um marketing bacana. Que pena depender de marketing para pesquisas tão importantes.

... e os/as pesquisadores/as? Ah, não é apenas a “pesquisa” que interessaria ou não à “empresa”... não duvido nada, mas certamente, a empresa diria: “queres pesquisar? Fique a vontade... mas fora do seu horário de trabalho”... e, portanto, fora da folha de pagamento.

Aulas?

Olha, te aguenta, porque (para ser bonzinho) a empresa colocaria 80 alunos/as na sua sala... por baixo. Mas tudo bem, porque se fôssemos uma empresa, já teríamos “robôs” para corrigir provas e o seu papel docente seria algo como “tutor”... nome bonito para aquela pessoa que aperta o play da vídeo-aula do dia (ou da noite).

– Mas eu vou ser o autor da vídeo-aula!!!! (dirá, feliz, o docente da empresa).

– É... legal... apois... então te joga (Strovézio)

– Salve Strovézio... quanto tempo, não?

– Tava numas palhaçadas remotas aqui, resolvi não seguir.

– Apois...

 


Ah... e se fôssemos uma empresa, seria melhor se acostumar com o “elogio reverso”. Saca, aquele lance de “você é bom demais para nós”? Típico das empresas que já conhecemos, neste ramo do mercado educacional do ensino superior (igual aos demais) que demitem doutores e contratam animados e entusiasmados recém-formados para dar aula? Claro, não coloco em dúvida ou em xeque a disposição e disciplina destes últimos... mas a intenção da empresa e o quanto ela quer investir (e lucrar) em seu quadro docente.

Aliás, se fôssemos uma empresa, teríamos a possibilidade de “escolher” entre dois ou três patrões no máximo... e nenhum destes patrões entende de Educação e Pesquisa... Só de mercado financeiro, especulação, gestão de lucros... Kroton, BR Investimentos, GP Investimentos, seus verdadeiros nomes.

Então... se fôssemos uma empresa, tudo que docentes pesquisadores poderiam ficar desencanados, despreocupados seria, justamente, sobre educação e pesquisa.

Se fôssemos uma empresa? Nada de reunião de docentes em colegiado... nada de assembleia de estudantes... pode esquecer. Teria lá um “ombudsman”, que é tipo “sindicato que combina com o patrão primeiro”.

Liberdade de cátedra? De associação institucional?

Direito a participar de eventos científicos? Oras... se hoje já pagamos, olha, não duvido nada você ter que pagar à empresa pelas horas que ficarás fora nestes eventos, visse?

Se fôssemos uma empresa...

Docentes demitidos ou perseguidos por ousarem serem “cientistas mulheres”... Isso mesmo: se em concursos públicos as cientistas mulheres precisa “enfrentar” bancas machistas, colonizadores e o escambal.. porque se fôssemos uma empresa, “cientistas mulheres” são perigosas demais. O padrão “30%” já está mais do que suficiente para ela.



E também seriam (seríamos) demitidos por ousarem serem “críticos”... por ousarem em inscrever-se em associações que vão na contramão do que o “dono da empresa” determina. Tipo uma Havan do mercado educacional.

Aff...

Como se nós tivéssemos (com algumas “tradicionais” e parciais e muito ímpares exceções) exemplos de um desenvolvimento comprometido com a melhoria da qualidade de vida da população vindo das instituições privadas de ensino superior

Ah, se fôssemos uma empresa...

O problema não é o público, em si... não é a Instituição do estado (que está no olho do furacão do acordo imprensa-governo sobre a reforma administrativa e sua métrica de mão única) que incomoda o “ah, se fôssemos uma empresa”.

É a vontade de mais poder que orienta esse lamento geral liberal de “pena não sermos uma empresa”.

A luta realmente não é fácil, quando ela precisa ser travada também dentro da instituição que defendemos.

Mas não seremos derrotados pelos desejos escondidos do capital educacional... e nem do Capital mundial.

A Luta é dura... mas ainda vale a pena!

 


Venham Todos!

Venham Todas! 


PS. Imagens captados na boa e velha pesquisa no Google.

terça-feira, 11 de agosto de 2020

Imprensa comunista... uma ova!

"A desvalorização do mundo humano

aumenta em proporção direta

com a valorização do mundo das coisas"

(Karl Marx)


Ontem (10 de agosto), o JN, sempre mantendo o compromisso de bater no Mequetrefe e no conjunto, defender a política macro-econômica do PG (afora as cutucadas à falta de apoio aos micro e pequenos empresários, deixados à mingua no Sistema Bancário brasileiro, que só quer “ganhar com as crises”), deu-nos mais uma prova do lugar em que sempre esteve, está e continuará atuando.          

Em matéria longa, “descontextualizada” (e repetida), votou a atacar o serviço público brasileiro... Aliás, voltou a atacar TRABALHADORES e TRABALHADORAS públicos/as. Com informações superficiais e sem qualquer método científico concreto (a mesma ciência que defendem acerca do covid-19, aliás) e sempre insistindo na métrica superficial... É investir na “aparência” para atacar o conteúdo.

É como, e também testemunhamos isso todos os dias, as matérias em que denuncia o governo mequetrefe brasileiro ante a política ambiental (principalmente no tema das queimadas de florestas, cerrado e pantanal, destruição de reservas ambientais e afins) e, “no mesmo quadro jornalístico”, celebra a supersafra das monoculturas latifundiárias (soja e milho – que exportam “alimento” e trazem ‘dólares”... só não para o povo trabalhador brasileiro) que, no final ao cabo, atuam e celebram o fim das reservas ambientais, indígenas e quilombolas no país.


No caso da matéria de ontem, a defesa da necessidade do governo federal (em particular, o posto Ypiranga, senhor Paulo Guedes, representante do sistema financeiro internacional) avançar por dentro do congresso (sobretudo com o apoio do tal “centrão” – velhas raposas da política brasileira que o mequetrefe disse que não teria espaço em seu governo) com a tal reforma administrativa. E esta reforma tem um único sujeito no alvo: o servidor público.

Questões simples, mas suficientes, para construir-se uma opinião pública.

Os “especialistas” que eram convidados a se manifestar sobre o tema eram representantes do Instituto Millenium que, em síntese, tenta convencer que é preciso diminuir o papel do Estado para “aumentar” a qualidade dos serviços públicos, uma espécie de “reforma administrativa do bem”. Típico do pensamento (neo)liberal, que tenta explicar o concreto por idealismos político-econômicos. A ideia econômica tentando determinar a vida concreta. Não é novidade, apenas estão tentando melhorar a maquiagem em tempos de pandemia.

Para além disso, alguns pontos chamam (de novo) a atenção:


1.    Informar o valor dos salários de funcionários públicos, dizendo que são maiores do que os mesmos trabalhadores no setor privado. Em outras palavras: eu, docente de ensino superior público federal, ganho mais do que um docente de ensino superior no setor privado... E a culpa é o serviço público pagar “mais” e não o serviço privado pagar “menos”;

2.    A escrotice desta conta se revela quando a matéria do JN não deixa claro, por exemplo, quanto dos salários de servidores públicas da saúde e educação estão nos percentuais indicados de saúde e educação no país. Tenta mostrar que o país gasta mais com salários do que com serviços, quando estão incontestemente vinculados;

3.    Sequer menciona o quanto que o governo deixou de garantir em educação e saúde públicas. Por exemplo, o MEC, em 2019, executou menos de 10% do previsto para a educação básica e o SUS (até o início da pandemia, quando tiraram o pé do acelerador) vem sendo atacado e destruído há décadas, destruição essa capitaneada pelos setores privados da saúde, sobretudo os Planos de Saúde... que pagam mal seus “colaboradores”.

4.    Aprofunda a sujeira (ó, imprensa comunista) quando sequer comenta que os serviços públicos de saúde e educação são realizados por... funcionários públicos da saúde e da educação;

5.    E reitere-se: ao invés de expor que o serviço privado paga menos, paga mal, e não cuida de seus trabalhadores, tenta afirmar que somos, servidores púbicos, ricos boçais cheios de dinheiro e nenhum trabalho;

6.    O servidor público, no campo da educação, paga por seus materiais didáticos... todos eles: xerox e impressão de textos e avaliações que realizo; as entidades científicas (e até as publicações, em alguns casos) às quais me filio; os eventos científicos os quais participo (inclusive passagens e hospedagens); as obras (livros) que necessitamos adquirir para sempre atualizarmos nossos alunos sobre o tema que desenvolvemos... Temos que tocar, além da sala de aula, atividades de pesquisa e de extensão. Não são 40 horas... são bem mais do que isso.

7.    Os professores no campo da educação privada, que tenham essa mesma demanda (em que pese certamente desestimulados a desenvolverem pesquisa e extensão, bem como não melhorar a titulação – professor titulado no serviço privado é professor demitido) são profundamente mais explorados, as vezes trabalhando em “prédios” diferentes e distantes, bancando a própria gasolina para dar conta de suas aulas;

8.    Em síntese: O salário do servidor público é usado para o mesmo desenvolver suas atividades.


Em tempos em que o JN fica mostrando matérias de (valiosos) professores que superam tudo para garantir que seu trabalho docente chegue aos seus alunos – matérias à bem da verdade de um “romantismo” tosco e desonesto sobre a tarefa de ensinar em um país governado pela não-ciência e pela auto-verdade – desvalorizar os trabalhadores da educação pública brasileira, de maneira a coloca-los como “inimigos do país” é, no final ao cabo, não apenas um atestado de cumplicidade com a política econômica do Mequetrefe e seus ministros palacianos... é cumplicidade com o processo de colocar a educação pública como obstáculo para que a população tenha garantido seu direito à educação.

Não á poço neste fundo em que estamos sendo levado.

Venham Todos!

Venham Todas!...

... porque precisaremos de todo mundo!

segunda-feira, 13 de julho de 2020

Lá vai Kaia...






“O amor tem quatro letras,
e por certo, quatro patas”
(Bráulio Bessa)





            Desde pequeno, havia em mim uma relação curiosa com cães. Na adolescência, tive a Dolly e, anos depois, descobri que ela me tinha como o líder da matilha que partilhávamos. E passei a ver minha relação com esses seres de quatro patas desta maneira... e em respeito a eles.
            Desde 2005, inicialmente Janis Joplin e, um ano depois, quando Hércules e Kaia, chegaram em minha vida, retomei essas lições. E partilhamos muita coisa, até os tempos de distanciamento (durante meu doutorado). Janis partiu primeiro e menos de um ano depois, foi Hércules que seguiu outros caminhos.
            Imaginei que Kaia pudesse entristecer com a partida de seu irmão... e eis que, mais uma vez, uma nova (e mesma) lição: ela estava em sua matilha, e confiava no líder dela. E assim, Kaia seguiu por mais dois anos e meio... com um pouco mais de paciência do tempo e da natureza, poderia ter debutado.
            Foram 14 anos e uns cadinhos desta convivência e, por sua longevidade, a que me proporcionou inúmeras histórias: um susto quando filhota (e sua primeira transfusão de sangue), um senso de território forte e, portanto, de proteção de sua “matilha” (que os homens resolveram chamar de família), um carinho pelas pessoas que sempre passaram por nossa casa, a companhia constante (e teimosa) nos períodos mais trabalhosos e cansativos da escrita da tese e suas diárias lições de humanidade. Para minha própria humanidade.
            E assim fomos seguindo...
            ... desde pequena!
 
Kaia - com três meses... 
            Com Hércules e Janis, foram longos anos...

 
A relação de liderança de Janis... Todas as fotos, ela à frente. Kaia e Hércules sempre lado-a-lado
            E seguimos, com Hércules e Kaia sempre juntos...
 
foto de 2015 - Janis ainda estava conosco.

            ... até quando “viravam” pantufas”.

Em tese, Kaia e Hércules, pela ordem.

  
            Os períodos de estudos...  





... e também de descanso.




            E um dos principais exercícios que ela me ensinou: o cuidado com a chegada de “gente” nova no pedaço. E eis que Nadejda Krupskaia (Kaia) e León Trotsky se reencontram...


            ... e convivem...



            E convivem comigo. 


            Até na despedida!
 
Último registro da Kaia em vida...
  
            ... e com a pitada da leveza que procura formas de agradecer...



            Preparar Kaia para partir foi um profundo ato de agradecimento: um leve banho, de manhã cedo. O ato procurar um lugar para enterra-la, escolher um lugar aconchegante, envolto em árvores e preparar o local. Receber o veterinário (Léo, que acompanhou Kaia desde minha chegada em Castanhal)... e a sensação de que na anestesia, ela já havia partido.
Despedir-se e levá-la ao seu último pouso (envolvida em um pano vermelho, claro) e agradecer...
... difícil, mas singela forma de agradecer por estes 14 anos.
Minha gratidão à Kaia.
Uma foto com resolução ruim... mas extremamente representativa.

Lá vai Kaia.
Viva Kaia!

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Carta a um@ camarada


Em algum canto do mundo, em dias de hoje, para algum tempo da história.


Me mandaron uma carta
Por el correo temprano
Y em esa carta me dicen
Que cayó preso mi Hermano
Y sin lástima com grilos
Por la calle lo arrastraron, si...
(...)
Por suerte tengo guitarra
Para llorar mi dolor
También tengo nueve Hermanos
Fuera del que se engrilló
Los nueve son comunistas
Com el favor de mi Dios, si
(La carta – Violeta Parra)



Prezad@ camarada.
Saudações
Espero que esta carta @ encontre seguindo os caminhos caminhantes. Afinal, como diria Joan Manuel Serrat, o caminho se faz ao caminhar.
Muito bom poder escrever essa carta a ti, pois significa que este caminho caminhado foi realizado com partilha e acolhimento e sempre com a expectativa de revê-l@ em tempos adiantes.
Numa carta, falamos do dia-a-dia. Algo como “[...] aqui na terra tão jogando futebol, tem muito samba, muito choro e rock’n’roll. Uns dias chove, noutros dias bate sol. Mas o que eu quero é te dizer...” (Salve Chico e Hime).
Os tempos, por aqui, são difíceis... E uso “são”, não “estão”, porque o combate, em que pese sendo feito, ainda não conseguiram de fato mudar as estruturas de desumanização da humanidade que se instalaram em nosso país. Estão difíceis não apenas pelo “Presidente de direito” que temos (o eleito, a ignorância humana com faixa presidencial), mas principalmente pelo presidente “de fato” (vulgo “posto Ypiranga”) que vem conduzindo e ratificando todas as decisões neste país, à esteira do que veio conduzindo o capacho-do-capital que o antecedeu.
A verdade é que ele está não apenas desenhando, mas estruturando o futuro deste país e precisamos, de fato, retomar o futuro para nossas mãos.
Isso também te faz sentido?
Mas (e por este entender) continuo tomado por uma clara expressão e prática de humanidade humanizando-se e humanizando-me e, portanto, as condições, fatos e principalmente atos (a nossa prática como critério de verdade) é o que definem o nosso horizonte.
E, por mais redundante que lhe possa parecer, o horizonte necessário que vislumbro é o de humanidade.
E assim, meu/minha camarada querid@, é o que gostaria de, nesta carta, presenteá-l@. E nesta, enquanto síntese de minhas palavras e sonhos, quero estabelecer o meu mais profundo exercício humano e comunista (porque humano) que constrói e sedimenta meus caminhos como homem, professor, militante, “tocador de viola” e construtor de humanidades outras... Porque a ousadia é o que dá sentido à vida e ouso construir humanidades.
Nesta, quero mais do que plantar, semear, às vezes podar, outras tantas regar e por outras observar, e no seu conjunto consequente colher e saborear os frutos, quero, por tudo isso, ver a semente sempre forte, viva e completa.
Neste presente, quero expressar meu testemunho e coração e dizer-te que estamos do lado certo. O lado que nos fazem “bons” e não precisamos dizer o que fazemos para termos essa certeza. E justamente por não dizermos – apenas fazermos –, assim o somos.
É nesta carta, em tempos de celebrações que aglutinam tantos adjetivos, muitos contraditórios, quero simplesmente desejarmo-nos Feliz Humanidade!
Que ela nos guie, nas celebrações e nas lutas!
Que ela nos alimente, nossos corações e dos outros!
Que ela nos sensibilize, inclusive nossas intolerâncias e impaciências.
Que ela, enfim, cumpra com sua própria humanidade e nos humanize!


Abraço a tod@s que estão aí, à sua volta!
E meu abraço forte, fraterno e edificador!
Vida Longa!
Seu... Marcelo Russo

PS.: Nossos artistas deste picadeiro de terra batida e lona furada estão bem, e arrumando suas artes e artimanhas... é a saudade de ver o Universal Circo Crítico novamente atuante. O Mágico das Lutas Trabalhadoras, os Equilibristas da Paciência, a Bailarina da Alegria Arrancada do Futuro, nossos palhaços da Esperança (singularmente o Strovézio), os/as Malabaristas da Utopia, os Motociclistas da Roda da Vida e o Homem Mais Fortemente Apaixonado pela Humanidade do Mundo