RESPEITÁVEL PÚBLICO!

VENHAM TODOS! VENHAM TODAS!

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Viva 15 de outubro


Antes mesmo de crescer
Jamais imaginaria
Professor me tornaria
Pra me acabar de sofrer
Tentando fazer valer
Educação e sucesso
Levar ao Brasil progresso
Nação que tenho no peito
Meu valor e o teu respeito
É tudo o  que eu te peço

Meu Brasil, oh pátria amada
Me diga o que te falta
Para nos valorizar?
Somos nós que todo dia
Teus filhos e tuas filhas
Ajudamos a educar


Lidar com conhecimento
É tarefa árdua, dura
Mas não tem investimento
No mínimo de estrutura

A educação gratuita
E nossa escola pública
A vários riscos exposta
As escolas em pedaços
Mas a culpa do fracasso
Caindo nas nossas costas

Escute o que eu te digo
Nossa profissão é nobre
Mas a maioria é pobre
Falta de salário digno
O docente trás consigo
Frutos de vida e amor
Do saber é semeador
Que transforma realidade
Respeito e dignidade
Eu peço ao professor!

(Valorize o professor – Renato Caranã)

Celebrar 15 de outubro.

É lembrar que sou trabalhador. Amar o que faço (e não me vejo fazendo outra coisa que não seja a docência – ainda que outras coisas eu “saiba” fazer) mas não trabalho por amor. Trabalho para buscar as condições objetivas e subjetivas de satisfazer minha existência e daqueles/a que acolho (porque existir é uma condição social).
É lembrar que não construo “para o futuro”, mas construo o presente e nas condições históricas às quais este presente se fez e se faz. E não olho para o futuro com idealismo, mas com o exercício da humanidade. E a humanidade não é condição de sobrevivência apenas humana, mas de todas as formas de vida (ainda) presentes.
É lembrar que o ato de ensinar é também um ato de aprender o que, com o que e com quem se ensina. É ato de autocrítica tanto quanto de resistência, determinação, coerência e disciplina docente.
É lembrar que nunca, nunca na história da humanidade, educar foi um ato neutro. Que até no silêncio docente, a posição foi tomada. E, portanto, a neutralidade nunca será um horizonte, pois em uma sociedade globalizada em que uns manda, compram, sabem, determinam, decidem infinitamente mais do que (muitos) outros, nunca teremos como verdade no ato docente a neutralidade.
É lembrar, inclusive por isso, que também se sai da neutralidade para o outro lado em que estamos. E, assim, que também combatemos (nas palavras, mas não apenas nelas) os que estão antagonicamente postos no ato da docência. Que defendem docentemente o golpe de 1964, a educação como mercadoria, a diminuição dos conteúdos e saberes escolares, a meritocracia... que defendem a criminalização de expressões como doutrina, política, ideologia, crítica... que ainda acham que menina veste rosa e brinca de boneca (não de bola) e menino veste azul e brinca de bola (não de boneca) e que mal compreendem que a menina que joga bola se torna maior do que o futebol e o menino que brinca de boneca se torna pai.
É lembrar que o mundo de hoje não é pior também porque houve quem ensinasse e, mais ainda, fez do ensino ato de resistência, de direitos, de vida.
Sou o professor que sou, não necessariamente o melhor que meus alunos (desde meus tempos de Educação Básica) tiveram, porque vejo no ato pedagógico, docente, de educar o ato revolucionário... aquele que transforma não sua vida individual (ainda que também possa fazê-lo, aprofundando sua humanização), mas a vida coletiva, social, humanitária.
E tenho certeza... sou apenas uma pequena gota no oceano de trabalhadores e trabalhadoras da educação (e, portanto, não apenas professores e professoras) que lutam por um horizonte de humanidade.

Celebro 15 de outubro, porque Luto!
Celebro 15 de outubro, porque o futuro necessário da humanidade é de humanização.



Viva os/as professores/as!
Viva!

Venham Todos!
Venham Todas!

segunda-feira, 25 de março de 2019

À Defesa... o agradecimento em palavras universais




“[...] Digo por vezes: aquela peça azul de roupa
Meu amigo a teria colocado em lugar melhor”
(Bertold Brecht – Aos amigos)
           
O ato de agradecer...
Ato...
Agradecer, como e com o ato que, como tal, é humano...
Agradecer é gratidão...
Ato de gratidão e, portanto, agir com gratidão...
Em quatro anos de estrada, é preciso também não esquecer que não foram apenas quatro anos de estrada. Ela não começou do nada.
Mas, ainda assim, caminhar é também um ato... gratidão é um ato... e caminhar em gratidão é, portanto, um ato humano – e a natureza, muitas vezes (e até, pacientemente) “sabe”, porque também não se sabe, agradecer – que é merecedor de não ser restringido aos caminhos institucionais destes quatro anos.
O que registro aqui, porque irei faze-lo mais profundamente, é que o ato de gratidão, por ser ato humano, é um ato de, entre, com, para, e até apesar das relações humanas.
Foram e são pessoas, camaradas, amigos, familiares, tanto quanto foram aquelas pessoas invisíveis ao nosso dia-a-dia institucional que, mesmo assim, ainda sustentam a universidade pública deste país.
Foram e igualmente são as instituições, casas, universidades, faculdades, grupos de pesquisa e as casas que acolheram este pesquisador.
Foram o tempo, os lugares, os caminhos, as distâncias. E por serem (tempo, lugar, caminho, distância), continuamente serão.
O ato de agradecer será registrado. Não agora... não aqui. Porque a gratidão é um ato, de fazer(-se) humano, continuo e seguirá adiante. Como iniciou-se antes destes quatro anos.
E será um imenso ato de Gratidão.

Afinal, “[...] Os trabalhos das montanhas deixamos para trás. Diante de nós estão os trabalhos das planícies” (Bertold Brecht – Percepção)
           
            Venham Todos!
            Venham Todas!

PS.: texto construído nos Agradecimentos da Tese de Doutorado "A centralidade do lúdico na formação humana: crítica às teses de Johan Huizinga", que será defendida em 29 de março de 2019, na UFBA



quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Lá vai Hércules...




“Quanto mais conheço os homens.
Mais admiro os animais”
(Alexandre Herculano)


Aparentemente, esta frase é deste escritor português do século XIX e fico pensando se ele fosse destes nossos tempos, quão certamente isso seria dito por ele.
Acho, particularmente, que existem duas boas possibilidades de convivência humana com os demais animais, principalmente com os cães.
A primeira, seria a estupida tentativa do homem querer ensinar aos cães seus valores: o poder, a força, o egoísmo, a violência etc. Assim, compartilho da ideia de que não existem cães violentos, mas ensinamentos humanos sobre a violência.
A segunda, é quando aceitamos os ensinamentos que os cães nos dão e aprendemos a conviver coletivamente. Para os cães, a matilha. Para nós, como somos (homens e mulheres), o que aprendemos a chamar de solidariedade, comunidade e até comunismo.
Hércules foi meu tutor neste sentido.
Hércules já se chamou Hércules quando nasceu e, mesmo quando era menor do que a Janis (que se despediu da gente no início do ano) já era “maior” do que a Janis.
Se eu pudesse dizer às pessoas que não conheciam o Hércules e eu dissesse “Ele é o maior cara que eu conheço”, seria – a despeito de meu respeito à sua condição de cão – um dos caras mais sensacionais que conheci.
Em tempos de morada em Brasília, tinha também uma gatinha que morava comigo e havia um histórico de convivência que ia do “pega-pega” a bons cochilos um ao lado do outro (relação, claro, que também envolvia a Janis Joplin e a Kaia).
Kaia, Hércules, a gata no meu colo, e Janis Joplin (Brasília, 2008)

Num destes dias de cochilos (e Hércules já “deste” tamanhão, com seus 1 a 2 anos de idade), ele estava deitado tranquilamente quando a gatinha que morava com a gente resolveu se aproximar dele, lentamente.
Subiu em seu corpo, deu uma “arrumada” no dorso de Hércules, e foi se acomodando lentamente sobre ele. Hércules, apenas olhou o movimento e a acomodação, respirou profundamente e voltou a dormir.
E assim, seguimos longos 10 anos e meio de convivência.
Partiu esta noite. Uma certa sensação de tristeza da minha parte, pois ele partiu só.
Sua caminhada foi boa. Meus aprendizados, também.
Lá vai Hércules.
Viva Hércules!


sábado, 29 de abril de 2017

GREVE GERAL!...


“Que as classes dominantes tremam à ideia de uma revolução comunista!
 Nela os proletários nada têm a perder a não ser os seus grilhões.
 Têm muito a ganhar!
 Proletários de todos os países, uni-vos!”
 (Marx e Engels)




Foi ontem, 28 de abril...
O que setores de nossa sociedade incrustados no poder (de vender-se pelo poder do Capital), em executivos e legislativos vários (centralmente o Federal) chamaram de “atos isolados”, “Manifestação pífia” e “atos de vagabundos” foi, à bem da verdade, um movimento forte, grandioso e que deu recado claro ao Congresso e ao Governo (que olham apenas para o movimento que fazem entre eles e o chamam de “unidade nacional”)
A imprensa, claro, cumprindo com seu papel medíocre de fazer a propagando do governo no noticiário nacional (inclusive a propaganda da Previdência que o Governo foi proibido de fazer, por omitir informações claras que apontam que não há déficit). Afirma que a greve ocorreu nas capitais e, assim, deixa um ar de “apenas” nas Capitais.
Ela se espalhou profundamente nos interiores. Só aqui, neste picadeiro, soubemos de atos grandiosos em Castanhal (estávamos lá), Feira de Santana/BA, Caruaru/PE, Santarém/PA, Marabá/PA, Cascavel/PR, Cubatão/SP, Governador Valadares/MG...

Castanhal/PA

Onde tinha uma Universidade Pública, um Instituto Federal Público, os atos aconteceram...
Em granes Capitais, como São Paulo, foram em vários lugares...
Ontem, assistir ao JN (aff, “tem” que assistir), e a coberturazinha meia pataca, passaram em Salvador. Foram dois atos grandiosos e de longa duração e apenas disseram que “os ônibus não funcionaram”. Recife, então? Um mundarel de gente nas Ruas centrais...

Recife/PE
Isso pra não dizer da patética matéria sobre “Nós mesmos” que o JN fez, sobre a cobertura que deram ao dia de ontem. Um “Ta vendo como não escondemos os atos contra o governo?”...
E o que dizer dos comentários sobre ser ato pífio (Ministro da Justiça) e de vagabundos (um bando de idiotas de Estado e de redes sociais)?

– Ah, como eu gostaria que alguém visse me dizer isso: “És um vagabundo”.
– A gente não tem essa sorte, Strovézio...

A greve teve o transporte público parado, com alta adesão... Motoristas e Cobradores se perguntavam: “Vão me deixar dirigir um ônibus com 65, 70, 75 anos de idade? Ou vão garantir que nossos postes de trabalho, substituídos pela tecnologia, garantam nossos empregos como cobradores?”.
Escolas públicas e, também, as escolas privadas pararam... e muitas o fizeram por adesão À greve geral. Se ficaram, os professores, em casa (não gosto muito desta “ação grevista”), é preciso reconhecer que também se torna ato em favor da greve geral.
Bancos, todos sabemos... pararam. Pena que não conseguem impedir que internet e caixas eletrônicos também pudessem parar.
O Serviço Público, claro (e claro que há aqueles que são contra a greve mas não fazem nada em defesa de sua instituição... a não ser permitir que os interesses privados continuem vingando sobre ela). Dos Correios e dos Auditores da Justiça, que chegavam aos atos em Castanhal em baixo de forte e longo aplauso dos demais estudantes e trabalhadores já presentes (como foi em Castanhal).
E a CNBB... A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil... Convocaram seus fiéis à Greve Geral. Cristãos vagabundos da gota!



Até os Sindicatos Pelegos, que fazem do governo sombra (como Força Sindical) foram...
Em alguns locais, o Comércio também parou. Em outros não... Mas, o que dizer desta manifestação, de quem não pode parar?



Pífios?
Vagabundos?
Porque cruzam os braços, em um dia de Greve Nacional, Geral... porque escolhem um dia que não será “maquiado” pelo 1º de maio – queriam greve em um feriado????? – para fazer um ato forte e presente? Porque mobilizam um ato a um Governo e um Congresso que opera o assalto tosco aos direitos mais essenciais da Classe Trabalhadora? Porque denunciam um Congresso que está levando, a toque de caixa, mais de 50 projetos que lascam com os/as trabalhadores/as e presenteiam o Capital com todo tipo de “anistia”?
Por isso e muito mais ainda nos chamam de vagabundos?

Mas, ainda faltou o essencial (e estamos em busca de notícias, matérias, artigos sobre isso): o que o Capital perdeu com as paralizações de hoje? Quanto deixaram de “acumular”?
Um exemplo:
Notícias de hoje anunciam uma possível greve de roteiristas de seriados nos EUA. E a matéria não esconde: a última greve de roteiristas no centro do imperialismo mundial, em 2007/2008 mobilizou cerca de 12 mil roteiristas e geral um impacto cofres da Indústria do Entretenimento de mais de 2 Bilhões de dólares. Se acontecer, a partir de 2 de maio, será que nosso jornalismo tupiniquim irá noticiar?

A chamada é Ridícula... deveria ser "Como afeta os grandes grupos do Cinema Americano?"


E aqui, em nossas terras? Ônibus, Metrô, Trem e Barcas parados... só isso... quanto deixou de “entulhar” nos bolsos de nossos empresários do transporte “público”?

– Russo!
– Diga lá, Strovézio...
– Já há uma forte movimentação com os trabalhadores de Cemitérios...




Pois bom...
Ao final do dia de ontem, plenamente satisfeito com o belo e forte ato que participei em Castanhal/PA (com um protagonismo da juventude de arrepiar) e testemunhando inúmeros camaradas Brasil afora registrando os atos em que estavam (inclusive os respondidos com a velha e conhecida violência policial), lembrei-me de uma canção, escrita em meus tempos pernambucanos... aliás, uma das minhas preferidas: “O Menino e o Palhaço”.

“[...]
 Ainda vou fingir minha derrota/
 Minha esperança será também mentira/
 E quando menos esperarem,/

 em seu vultuoso poder e vaidade,/
 os pegarei por trás como um fantasma,/
 e me porei a rir, a cantar e a chorar sem tristeza.
 O palhaço ri...
 O louco ri...
 Quem chorava ri...”

Como não gravamos esta saudosa canção, que cantemos "El pueblo, Unido, jamás será vencido... Pois está em tempo de cantar com mais força... mais força... mais força...



Por mais Greves Gerais!
Por mais Lutas!
Por nenhum passo atrás...

Venham Todos!
Venham Todas!

quarta-feira, 8 de março de 2017

Todas as Mulheres...




            “Um corpo trans
 numa abordagem policial.
 Transgressão não, irmão
 baculejo
 violência
 Essa desgraça é mulher
 tapa
 chute
 empurrão
 medo
 vergonha
 desumanização
 ninguém sente
 ninguém se comove
 não é gente
 sem-lugar
 se matasse ali mesmo
 homens e mulheres de bem
 ainda iam nos culpar
 Quem mandou inventar?
 ainda é carnaval, cidade...”
(Tito Carvalhal)

Quem escreveu isso e permitiu que essas palavras caminhassem em nosso picadeiro de terra batida e lona furada de circo foi um camarada da Bahia, que conheci no dia-a-dia dos estudos pelas terras soteropolitanas.
Tito nasceu mulher... percebeu-se e tornou-se homem.
E estas (não todas) palavras de Tito não foram escritas para o 8 de março... são escritas para e por todos os dias...
Mulheres...
Mulheres Brancas ou Negras...
Mulheres Brancas ou Negras Pobres...
Mulheres Brancas ou Negras Pobres Analfabetas...
São Mulheres...

Mulheres...
Mulheres que não eram mulheres... tornaram-se...
Mulheres que eram mulheres... tornaram-se homens...
Mulheres que continuam mulheres...
Mais homens do que os homens...
Mais homens-mulheres... e que outros homens temem (pela violência) tanto quanto...

Nosso picadeiro de terra batida e lona furada de circo sempre se faz presente no 8 de março. E sempre opta por também expor a vigilância ao machista que está lá dentro, escondido da/na gente.
E Tito, nosso camarada Tito, nos inspirou para, por mais um ano, continuarmos a celebrar as mulheres que amam e que lutam.
Celebrar as mulheres que não cedem seus sonhos às vontades alheias ao seu lugar feminino.
Celebrar as mulheres Lutadoras do Povo, claro!

E continuarmos vigilantes... e quando a vigilância falhar, cobrar mais vigilância.
Vigilante ao tapa e ao silêncio...
Vigilante ao empurrão e ao silêncio...
Vigilante ao medo e ao silêncio...
Vigilante à vergonha e ao silêncio...
Vigilante à desumanização... e ao silêncio à nossa muitas vezes seletiva humanização.



E que a Emancipação Humana seja, verdadeiramente, nosso grande momento histórico para, nas palavras de Clara Zetkin, celebrarmos a luta, ombro a ombro, que estabelecemos contra a sociedade capitalista.
E que a Emancipação Humana seja, profundamente, e em marcha, como as primeiras (e que foram o berço da Revolução Russa de 1917) convocadas por Aleksandra Kollontai, por “Pão e Paz”.
E que a Emancipação Humana seja, historicamente a luz, a flor, o povo e seu canto dizendo “Presente” à primavera que chega, mesmo que tardia.

– Russo! Hey, Russo!
– Diga lá, nossa nobre Bailarina da Alegria Arrancada do Futuro!
– E hoje é aniversário de Tito!
– Só podia ser...

Viva, Viva Tito! Vida Longa!
Viva, Viva, às Mulheres!

Venham Todos!
Venham Todas!

PS.: publicamos este texto em tempos os quais a Anistia Internacional publica relatório destacando que o Brasil é um dos piores países da América Latina para se nascer menina... imagina quando as meninas e os meninos tornam-se mulheres... 

sábado, 4 de março de 2017

Conversa ao pé de ouvido de Maria Isis...


Bandeira da Conjuração Baiana


         “Animai-vos, povo bahiense,
 que está por chegar 
          o tempo feliz de nossa liberdade,
 o tempo em que seremos todos irmãos,
 o tempo em que seremos todos iguais”
(Leva da Revolta dos Búzios)
Foto Praça da Piedade



Salve, Salve... com o atrasinho de um picadeiro de terra batida e lona furada de Circo que estava arrumando a casa... Nossa Pequena Maria Isis...
Nossos artistas a recebem com alegria

– O Orientador também, hehehehe (Strovézio).
– Pois é, Strovézio... E a Patrícia sobreviveu!!!!

Chegas como Maria Ísis... que nome maravilhoso, forte, profundo recebestes de seus pais, nossa querida Patrícia e Oswaldo.
Maria, soberana, Ìsis, nascida de ti mesma. É duplamente mãe, nascimento, expressão maternal da vida.
Diz a história da humanidade que, à bem da verdade, éramos uma sociedade matriarcal. Eram as mães (e ainda são, na verdade) as principais referências da vida, dos ensinamentos, do cuidado da vida em comunidade. Afinal, é a mãe que sempre vemos primeiro, não é?

Chegas em 8 de novembro.
E chegas em tempos bastante estranhos, pequena Maria Ísis. E para tempos estranhos, lições sempre são importantes e necessárias.
E, para inaugurar nossos “inxirimentos ao pé de ouvido” de 2017 – em que pese nosso pequeno atraso hehehe – falaremos sobre estas lições e, como tais, servem para você apropriar-se delas ao longo de sua vida, com a sabedoria que seu nome lhe proporciona.
Há uma verdade sobre as datas históricas: elas ainda nos são ensinadas pela “contação” de seus vencedores. Mas nem sempre os vencedores merecem, verdadeiramente, o respeito pelos seus feitos.
A História é construída pelos homens, já dizia um velho barbudo que veste vermelho e que, um dia, você também irá conhecer sua história. Assim espero...
Mas, estamos num tempo em que é bem mais possível confrontar a história contada pelos poderosos com a história contada pelos seus lutadores, do que foi em tempos passados.
O dia em que nascestes, Pequena Maria Isa, é um dia para sempre lembrarmos que, mesmo tombando, houve homens que lutaram por liberdade neste país, e não são aqueles que, em grande parte, estarão nos seus livros escolares de história.

Em 8 de novembro de 1799 foram enforcados na Praça da Piedade, em Salvador, quatro homens: o soldado Lucas Dantas do Amorim Torres, o também soldado Luís Gonzaga das Virgens, o aprendiz de alfaiate Manuel Faustino dos Santos Lira, e o mestre alfaiate João de Deus Nascimento, além do médico, político e filósofo baiano, Cipriano Barata (um liberal, ainda que defensor da independência brasileira... este, não foi condenado).



Eram tempos em que a população pobre muito sofria (talvez tanto quanto hoje), em que sua esperança era assaltada pela necessidade de viver um dia após o outro e a captura, prisão e morte de lideres revolucionários sempre tinha o teor de “servir de lição”, para que outras lideranças não mais surgissem...
Seus crimes?
O Cartaz abaixo nos ajuda a entender... ou não entender:

Foi a chamada Conjuração Baiana (que não se encerrou naquele ano, resistiu durante décadas adiante), também conhecida como Revolta dos Alfaiates e, mais recentemente, batizada “Revolta dos Búzios” e seus nomes estão cravados no “Livro de Aço dos Heróis Nacionais”, localizado no “Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves”, em Brasília.



          A história, principalmente a história dos Lutadores do Povo, sempre nos ensinou que disciplina e prudência são sempre necessárias.
Saber com quem contamos e com quem não contamos vai muito além da simples amizade, mas segue o curso de nos perguntarmos: “lutamos pelas mesmas coisas?”.
Aqui, Pequena Maria Isis, uma importantíssima lição: precisamos sempre estarmos ao lado das pessoas que lutam pelos mesmos sonhos os quais nós lutamos. E se estes sonhos servem para todos e todas, principalmente daqueles que realmente precisam da solidariedade de nossos sonhos, então, mais ainda vale a pena tê-los do nosso lado.
Não é, verdadeiramente, um dos exercícios mais fáceis.
Ah!, pequena Maria Isis... este picadeiro de terra batida, seus artistas e seu público vigiam o tempo todo os próprios sonhos e, principalmente, procuramos aprender e compreender os sonhos dos outros.
Mas, que sejam sempre sonhos de Liberdade...
E por falar em Lutadores do Povo, minha pequena Maria Isis, deixe-me apresentar um grande Educador: Antonio Gramsci.




Um grande filósofo e jornalista do início do século passado, sendo um dos fundadores do Partido Comunista Italiano. Tem gente, hoje em dia (um povo que gosta de bater panela e usar camisa da seleção brasileira pra protestar contra a corrupção... não toda a corrupção, claro) que tem um medo arretado de sua história e legado. Nem vale a pena comentar muito aqui.
O fato principal deste dia, é que foi em 8 de novembro de 1926 que Gramsci foi preso pela polícia fascista de Mussolini, sendo libertado sob condicional 8 anos depois, com a saúde bastante debilitada.
De seu período na prisão, uma obra grandiosa que vale a pena muito ser adquirida e lida com profundidade: são as “Cartas do Cárcere” e “Cadernos do Cárcere”. Dentre inúmeros temas importantes, um que aproxima este “papeador inxirido em ouvidos infantis” e sua mãe, que é a formação o Intelectual Orgânico.
Mas há uma expressão (que tem variações) de Gramsci que vale para nossas lições por este picadeiro: “pessimista na análise, otimista na ação”.



A vida da gente, principalmente aquela que a gente divide com um montão de gente querida, sempre nos colocará diante de provações, de desafios e até mesmo de “desânimos”... uma coisa de “jogar a toalha”...
Por mais que tudo lhe diga: “joguem a toalha, aceitem a derrota”, e, mais ainda, por mais que tudo leve a crer que é isso mesmo, que nada lhes diz para seres otimista, faça do otimismo a ação.
Essa é, realmente, uma grande lição que Gramsci, preso e doente, nos deixou.

E tem a Música. Ah!, a Música, pequena Maria Isis.
Gente bacana tem no 8 de novembro sua chegada ou sua partida. Daqui, destas terras que te recebes, temos o Cantor e Compositor Nilson Chaves, de longa e, algumas vezes, contraditória estrada.
Mas, cá pra nós, adoramos este papo ao pé de ouvido, porque sempre descobrimos coisas legais, músicos que não conhecíamos e mais daqueles que já conhecíamos.
Mas, desta vez, você foi além...


Pois foi em um 8 de novembro de 1887 que o alemão imigrante nos EUA Emile Berliner patenteou o Gramofone... Um objeto estranho, com uma placa redonda e uma agulha enorme que tinha acoplada uma corneta que, com o tempo, foi ganhando um designe mais “cult” e tals...
Bom... para nós, hoje em dia (e talvez para a sua geração), fica até difícil pensar em uma tecnologia que servisse apenas para tocar música, já que nossos aparelhos eletrônicos fazem de tudo. Mas lembre-se que tudo, em particular as tecnologias, tem um começo e o som que escutamos hoje não necessariamente iniciou-se com um Gramofone... Mas ele foi de uma ajuda essencial para que a sociedade pudesse escutar música em casa...

– Mas, Russo... tem o porém, né? (Strovézio).
– Diz aí, meu musicante palhaço!
– A tal “Indústria Cultural” que, hoje em dia... bom... hoje em dia...
– É... não é fácil.

          Pois bom...
          De qualquer maneira, pequena Maria Isis, deixe a música fazer parte de sua vida... Cante, Dança, assobie, bata latas...
Você pode, por exemplo, reproduzir “November Woods” (algo como “Floresta de Novembro” ou “Madeiras de Novembro”... como o mês de seu aniversário), composição clássica de Arnold Bax (Século XIX – nascido em 8 de novembro).


          Mas, se, digamos assim, procurares alguma inspiração musical mais forte, umas ideias de ritmo e melodias e tals, deixamos uma sugestão que tem a ver exatamente com 8 de novembro. Afinal, foi neste dia, lá pelas bandas de 1971, que o MA-RA-VI-LHO-SO Led Zepelin lançou seu Disco (lembra da história do Gramofone, hein?) Led Zepellin IV e canções maravilhosas como “Black Dog”, “Rock and Roll”, a melodiosa “Going to Califórnia” e uma das mais conhecidas obras do Rock’n’roll mundial: Stairway to Heaven”, ou para nossos ouvidos portugueses “Escadaria para o Paraíso”...
Deixamos uma versão ao vivo de presente pra ti... Esta é de 1975,




            É isso, Pequena Maria Isis...
Com história de Lutadores do Povo e alguma música, a recebemos com a alegria que este picadeiro de terra batida e lona furada de circo sempre recebe os Pequenos e Pequenas Lutadores e Lutadoras do Povo...
Porque acreditamos profundamente no amor a humanidade e este só se torna possível na luta.
Seja bem vinda, Pequena Maria Isis.
A ti, nosso sempre forte e caloroso Vida Longa!
Sempre Vida Longa, Maria Isis!

Quadro de Victor Borsov-Musatov
pintor russo de fins do século XIX (Menino com o cachorro)

Venham Todos!
Venham Todas!