RESPEITÁVEL PÚBLICO!

VENHAM TODOS! VENHAM TODAS!

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Dia do Desafio...



“Faço nosso o meu segredo mais sincero/
E desafio o instinto dissonante./
A insegurança não me ataca quando erro/
E o teu momento passa a ser o meu instante.”
(Daniel na Cova dos Leões – Legião Urbana)


Nós desafiamos...
Desafiamos homens e mulheres, crianças e jovens, idosos em suas diferentes gerações do mundo todo...
Desafiamos – e como – os “grandes lideres” dos países mais poderosos do mundo, ainda que definhando economicamente (a gente avisou!)...
Desafiamos incondicionalmente os homens e mulheres da justiça, da ciência, da economia, da imprensa...
Desafiamos, também, camponeses, quilombolas, ribeirinhos, indígenas, ambientalistas – e sei que não só aceitam, mas entram na primeira fileira – daqui e dacolá. Os Sem Terra, Os Sem Moradia, os Palestinos, os Chiapas do México, os Cocaleiros da Bolívia, os bolivarianos da Venezuela, as Mães da Praça de Maio, Homosexuais, as Mulheres, os Lutadores da Marcha Patriótica...
Desafiamos os educadores e educadoras de nossa terra e de terras outras, revolucionários, aprendizes e até mesmo, os reacionários de plantão...
Desafiamos os estudantes, todos/as eles/as, das escolas escondidas nos mais escondidos recantos do país e do mundo até as Universidades mais (sic!) importantes da atualidade...
Desafiamos os homens e mulheres das armas, nos quartéis e nas comunidades tomadas pela violência e pelo tráfico...
Desafiamos mães, pais, avôs, avós, tios, tias, primos, primas, irmãos, irmãs...
Desafiamos Partidos Políticos, Organizações Sociais, Movimentos Sociais e Revolucionários (ou não)...
Desafiamos os/as tocadores/as de instrumentos musicais, os/as cantores/as e cantadores/as, poetas, escritores/as, pintores/as, artistas plásticos, escultores/as e também os/as marceneiros/as, funileiros/as, soldadores/as, serralheiros/as e todos/as aqueles/as que transformam em arte matérias primas as mais distintas e variadas...
Desafiamos os jovens... os jovens que vivem tempos de conflito em sua própria arte de ter esperança... assim como desafiamos os idosos, pois esperança não é palavra necessária apenas à juventude.
Desafiamos aqueles e aquelas que aceitam desafios... e desafios coletivos... Porque desafio individual é burguesismo, é pequeno demais para os nossos Desafios...
Desafiamos a Todos e a Todas, pois hoje é o Dia do Desafio... E Dia do Desafio é para Desafiar.
Desafiamos a terminarmos com as guerras, todas elas, que dizimam populações inteiras, principalmente os jovens, inquestionavelmente as mais pobres;
Desafiamos a exterminarmos da face da terra a exploração vertical, insana, inconseqüente e financeira de nossas fontes naturais de vida: a água, a terra e os minerais, o ar;
Desafiamos a extinguirmos a propriedade privada, seja urbana ou rural e que aprendamos com aqueles povos que sempre viveram em harmonia com a natureza;
Desafiamos a, determinadamente, acabarmos com o preconceito, com o racismo, com a homofobia que, insistentemente perpetuam-se em nossa sociedade (e Partidos Políticos e Instituições Religiosas contribuem com essa realidade);
Desafiamos a eternizarmos a tolerância, a liberdade, a felicidade plena a incansavelmente democrática, socialista e revolucionária;
Desafiamos a Todos e a Todas sermos felizes, e que essa felicidade seja pela felicidade dos outros e outras Todos e Todas;
Desafiamos a Todos e Todas sermos ricos e que essa riqueza não seja a propriedade, seja da coisa, seja do homem e da mulher;
Desafiamos a Todos e a Todas sermos sábios, porque nenhum conhecimento deve ser propriedade de alguns poucos;
Hoje é o Dia do Desafio... uma bobagem construída para mobilizar cidades inteiras (com pobreza espalhada, sem saneamento, sem educação de qualidade, com trabalho precarizado e explorador, poluídas, violentas e implodindo, uma a uma) a juntarem o maior número de pessoas possível em praças, parques, escolas, quadras a, simplesmente, “se mexerem” – “Você se mexe, e o mundo mexe junto”. Algumas experiências até são bacanas, diversificando as práticas corporais para além, até muito além da mera “atividade física”... mas não conseguem questionar o princípio.
Aqui em nosso picadeiro, embaixo de nossa “lona rasgada”, Desafio (com “D” maiúsculo) é muito mais do que isso...
E o Desafio é muito maior... muito maior...
E é todos os dias...

Venham Todos!
Venham Todas!... nós Desafiamos...

Vida Longa!

Marcelo “Russo” Ferreira

sábado, 26 de maio de 2012

A Pedra do Oeste



            Eram tempos difíceis e desafiosos. Em plena era FHC, de política neoliberal aviltante e de fortalecimento dos Movimentos Sociais Organizados no Campo e na Cidade, ao mesmo tempo em que eram profundamente demonizados pela grande mídia burguesa deste país.
            Tempos sombrios de outra ordem, para não nos esquecermos que a Ditadura Militar foram também tempos sombrios.
            Naquele ano, já estava profundamente envolvido com a questão campesina e arraigava, realizado como homem e como educador, meus aprendizados com o Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST.
Durante algum tempo, participei e/ou organizei o que chamávamos de “Estágio Interdisciplinar de Vivência”... Passávamos 15 dias morando e convivendo em um Assentamento Rural, aprendendo o dia-a-dia do trabalho, da educação, da vida em família e em comunidade, das dificuldades, das celebrações, das contradições de um assentamento, da vida campesina.
Naqueles tempos, 1997, ainda acompanhávamos os primeiros meses pós Massacre de Carajás (abril de 1996). E é incrível como sempre que olho as imagens daquele confronto de Trabalhadores Sem Terra, com paus e pedras, enfrentando o Estado armado (Polícia Militar) a serviço do Capital (Vale do Rio Doce e Latifúndios locais) com fuzis de grosso calibre e armas de fogo, eu sempre me emociono... o que dizer daqueles que sobreviveram ou que tinham amigos e parentes naquele evento.
E era incrível como trabalhadores do campo, iletrados ou semiletrados, sabiam o valor de proteger os seus e não temeram a polícia ao verem estendido no chão, o Camponês Amâncio. E é incrível como a nossa Universidade tem Mestres e Doutores que, em tempos de greve, olham apenas para si e não para os seus também trabalhadores, que lutam por melhores condições de trabalho e salário.
A quem serve, a que serve, para que ser... Contra quem e contra que serve o conhecimento, expresso nos títulos de Mestres e Doutores???

Era 1997 e lá estava eu, em um Assentamento Campesino no oeste de Santa Catarina... o violão estava comigo. Expressar o Amor por um coletivo... um grande aprendizado para um até hoje aprendiz de lutador do povo.
Tinha que sair música.
Apresento: A Pedra do Oeste:

“O espaço e o tempo que eu imaginava / emergiam dos efeitos / das ações daquela tribo. / Naquela pedra eu sentava e escrevia. / Olhava ao Oeste / via um sol a se esconder / Vermelho... / Sentia em teu cheiro inspiração. / Tão perto e tão distante / como a sombra e o corpo.
Nossa ação de reação. / ‘Alguma coisa está fora da ordem’.
Havia uma ponte em nossos olhos. / Por trás de nossas sombras / existia terra fértil. / O labor / refletido em nossas mãos / que acariciavam o sentido / do seu suor. / Seu suor! / Gotas que traduzem / um sentimento de paixão... / Não acabou.
Nossa ação de reação. / Intensamente procura-se a ordem / de Revolução.
Volte seu olhar se desrealizar./ Sinta as colunas, / compactas e concretas. / A distância sempre a nos eternizar. / A tribo não morreu / e o poeta está lá. / Sentindo seu odor me dominando. / Recordo aquela pedra e o sol já escondido. / Mas o seu tom vermelho me deixou / perdido em teu amor / e dominado na bandeira de ação.
Grande ação de reação. / A ordem de desordenar a ordem / Só Revolução”
(“A Pedra do Oeste” - 1997)

Venham Todos!
Venham Todas!

Vida Longa!

Marcelo “Russo” Ferreira

Para não esquecer... essa letra já tem registro, em Cartório. A música está aqui, no meu coração e em minha mente...

A foto aqui foi tirada durante o período de preparação para o Estágio de Vivência em SC.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Nós apoiamos a Greve nas Universidades...


"A defesa é natural:
cada qual para o que nasce,
cada qual com sua classe,
seus estilos de agradar.
Um nasce para trabalhar,
outro nasce para briga,
outro vive de intriga,
E outro de negociar.
Outro vive de enganar -
o mundo só presta assim:
é um bom outro ruim,
e eu não tenho jeito pra dar.
Pra acabar de completar:
Quem tem o mel, dá o mel.
Quem tem o fel. dá o fel.
Quem nada tem, nada dá."
 
(Zé Ramalho)

            A greve é sempre compreendida como o momento mais “último” do trabalhador... Mas, o mais incrível é percebermos como esse direito constitucional é tratado do dia-a-dia das grandes cidades.
            Toda vez que acompanho notícias sobre greve de motoristas e cobradores de transporte público (sic!), é impressionante como matérias jornalísticas se repetem de norte a sul do país. Greve de ônibus em Porto Alegre: “Cidade prejudicada pela paralisação dos transportes públicos”; Metrô pára em Recife e São Paulo: “Milhares de pessoas ficam sem transporte!”; Greve de ônibus em Belém e Região Metropolitana: “Greve prejudica trabalhadores”... em tempos de “internetês”, é o tal do “ctrl-v/ctrl-c” de manchetes jornalísticas.
            Nunca vi, por exemplo, as manchetes jornalísticas informando quando, por dia de paralisação, perdem os grandes empresários do transporte urbano a cada greve de seus funcionários / trabalhadores.
Já pensou? “Greve dá prejuízo de 100 mil reais aos donos de empresa, só no primeiro dia de greve!”... Seria apoteótico, pois pelo menos permitiria o sofrido trabalhador que usa do transporte urbano para dirigir-se, horas a fio, ao trabalho, à escola, à sua casa saber quanto que as empresas (seus donos, na verdade) ganham e, consequentemente, porque o transporte urbano é tão ruim neste Brasil.
Mas é justamente por isso, pelos grandes patrões saberem que a comoção sempre será em vitimizar o usuário e culpabilizar o patrão que as relações entre capital e trabalho, entre opressor e oprimido permancem.
Daí, quando a coisa (a greve) entra na esfera pública, aí a coisa “pira” de vez. E pira em todos os sentidos. Na tradução “pira, de pirado”, deixa todo mundo maluco (também em todos os sentidos). Na tradução popular de “pira – jogo de pegar”, é um tal de correr para todo lado, senão o bicho pega. E sempre pro lado do trabalhador.
Hoje, as Universidades Públicas Federais (espaço de trabalho e vivência de muitos de nossos artistas e público) estão em greve. E hoje, quase que como um passe de mágica, misturado com adivinhações, assistimos aos jornais locais que enfatizam exatamente quem, aos olhos da mídia burguesa deste país (que, no Pará, é representada pelas Organizações Rômulo Maiorana), são as principais vítimas das greves dos docentes: os alunos.
Na reportagem, a fala sobre a vida de estudantes que vem do interior do interior para “o sonho de cursar uma faculdade”, pouco sobre as reivindicações dos docentes e a entrevista final com um estudante, que reconhece o direito dos professores... “mas, e nós?”.
É assim que começa, mas a meta é sempre a mesma. Assim como historicamente a nossa mídia tupiniquim sempre fez de tudo para demonizar pensadores de esquerda, os Movimentos Sociais do Campo e da Cidade, a necessidade de culpabilizar, demonizar os professores que, em greve, prejudicam os alunos, os estudantes que precisam se formar para arrumar emprego e coisa e tal.
Assim, o Universal Circo Crítico lança sua pequena cartilha para período de greve:
1.    Todos e Todas (alunos/as e professores/as) devem ir a Universidade durante a greve. Não devem dar aulas de suas disciplinas, não devem fazer chamada, devem fazer rodas de conversa, “Conversa de Preto” (se conseguirem) para falar da Universidade, da Educação, da Juventude, da Sociedade, das Crianças e dos Velhos, do Conhecimento, do conflito entre Mercado de Trabalho e Mundo do Trabalho;
2.    Todos e Todas (alunos/as e professores/as) devem propor pequenas salas de cinema: auditório, salões, sala de aula e passar filmes e documentários que nos levem a refletir nossa Sociedade e nossa Universidade. E boas opções não nos faltam;
3.    Todos e Todas (alunos/as e professores/as) devem levar seus instrumentos musicais (até piano tá valendo), sua voz, sua música e cantar. Cantem “Para não dizer que não falei das flores” e entendamos o significado desta canção em 1968. Cantemos “Meu Caro Amigo”, “Cálice”, “Construção” do bom e velho Chico. Cantemos Gonzaguinha, Milton Nascimento, Raul Seixas (violão sem Raul Seixas??? Não pode), Zé Ramalho, Legião Urbana...
4.    Todos e Todas (alunos/as e professores/as) devem levar seus poemas, suas poesias e declamar, declamar, declamar. Vale até aquelas mais singelas, lúdicas (claro que vale), curtas...
5.    Todos e Todas (alunos/as e professores/as) devem ocupar a Universidade e mostrar que ela é feita de gente de toda parte e de muitas histórias. Quem são os/as estudantes, de onde vem? Quem ficou em casa (os 8, 9 10 irmãos e irmãs) enquanto você veio para a Universidade? Quem são nossos docentes? Porque estão na docência?
6.    Todos e Todas (alunos/as e professores/as) devem perguntar e procurar a resposta: quem são os/as nossos/as funcionários/as técnicos/as administrativos/as? Quem são os/as funcionários/as da manutenção e limpeza? E mais ainda: POR QUE NUNCA SÃO SEQUER LEMBRADOS, QUIÇÁ HOMENAGEADOS, NAS FORMATURAS?

Mais ainda: Devemos todos ocupar a Universidade em tempos de greve para nos perguntarmos: Quem é a sociedade que espera desta Universidade algo que melhora profundamente a suas vidas?

Na verdade, essas questões devem fazer parte do dia-a-dia da Universidade Pública Brasileira... mas, já que estamos de braços cruzados (mas com a mente e o espírito inquietos), tai uma boa oportunidade de pensarmos a Universidade.
Os nossos artistas e público fazem o convite.
Venham Todos!
Venham Todas!... Ocupar a Universidade!

Vida Longa

Marcelo “Russo” Ferreira

OS.: Viva o Centro Acadêmico de Educação Física da UFPA/Castanhal.... A faixa nesta publicação é do Movimento Estudantil

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Da Arquibancada e a Lei Geral da Copa




“No caminho é que se vê
A praia melhor pra ficar
Tenho a hora certa pra beber
Uma cerveja antes do almoço
é muito bom pra ficar pensando melhor”
(Nação Zumbi)




São muitos, em nosso Circo, que tomam umazinha... Ou “bebem” para aqueles que preferem ficar atentos aos “duplos sentidos” de algumas palavras. Coisa de Circo Popular.
Este mesmo que aqui escreve tem em casa, sempre, uma boa cachacinha para servir aos visitantes ou para apreciar sozinho.
Sim, também tenho inúmeras histórias de bebim para contar, algumas como público, algumas como coadjuvante, outras como protagonista.
Recentemente, por conta das relações complementares de nosso trabalho junto a um Assentamento Rural (o Assentamento João Batista, em Castanhal, onde desenvolvemos um projeto de formação de jovens para atuarem no campo do lazer – crítico e criativo – em áreas de Reforma Agrária) acompanhamos algumas partidas do time de futebol do Assentamento na Copa Rural. Claro, levava duas latinhas de cerveja.
Ou seja, não seremos hipócritas... Em que pese também construir minhas reflexões de Humanidade, de Mundo e de Sociedade com a atenção devida ao processo de embriaguês (de fato) que a classe trabalhadora é levada para “aceitar” sua condição de explorado (deve ser a tal condição de “consumidor passivo” a qual um Professor Doutor da UFPA se referiu), tomamos nossa cervejinha vez por outra.
E talvez seja exatamente por isso, por não sermos hipócritas, que assistir aos caminhos e descaminhos da Lei Geral da Copa e de seus protagonistas (Governo Federal, FIFA, CBF e os patrocinadores em geral) vem, para nós, estabelecendo alicerces profundos de preocupação.
Aqui, neste pequeno picadeiro e seus populares artistas e público, com a humildade de nosso espaço e a ousadia de nossas bandeiras, entendemos que a aprovação de uma concessão à Lei Federal (Estatuto do Torcedor) que proíbe bebidas alcoólicas nos Estádios de Futebol não nos causa, à bem da verdade, qualquer surpresa. Afinal, atrocidades maiores estão sendo realizadas explicitamente em nome dos Megaeventos Esportivos que se aproximam. Aliás, a Lei Geral da Copa abre caminho para Lei Geral dos Jogos Olímpicos (afinal, Nuzman não é menos Rei do que Ricardo Teixeira). O que a Copa de 2014 não conseguir garantir para 2016, o COI e o COB irão fazer valer. Pobre Povo do Rio de Janeiro.
Mas, de maneira estarrecedora, vinga não apenas a aprovação de uma “concessãozinha etílica” para os tempos de Jogos de Futebol Internacional. E um passeio rápido nos sites de notícias e a manifestação dos nossos Legisladores Federais neste tema mostra, inclusive, a (falta de) qualidade do debate e, mais ainda, a superficialidade da compreensão (e debate, de novo) do alcance que a Lei Geral da Copa tem sobre o país.
Algumas acrobacias:
Primeiro: a Lei Geral da Copa atende a uma demanda privada. Só na questão das bebidas alcoólicas, o que está em jogo são os patrocinadores etílicos e não etílicos da FIFA e da CBF (e suas mega competições oficiais): Budweiser (Rei das Cervejas...?), Coca-cola (um monstro que para se valer de sua presença compra tudo o que vê e que pode ser concorrência – é só conferir a história do Refrigerante Jesus, no Maranhão) e a Nescau, da Mega-imperialista Nestle. É claro que, dessas, apenas a Budweiser fabrica cerveja e, aí, o tamanho do poder desta relação: apenas uma patrocinadora da FIFA foi suficiente para mudar uma Lei de Estado.
Segundo, a Lei Geral da Copa – e essa história da venda de bebida alcoólica nos estádios – reabre um perigoso caminho que, em terras brasilis, sempre se fez presente (principalmente dos tempos Collor de Melo e FHC e, lamentavelmente, nos tempos Lula e Dilma também): O Estado à disposição do Capital. E, no caso da Copa-2014, é inquestionável que a movimentação do esporte, da mídia, da construção civil, do transporte (público?), do turismo etc. são valorizados apenas na perspectiva do evento que, como já disse Eduardo Galeano, “é vento”, passa... Assim, não existe na prioridade de se trazer um evento desta magnitude ao Brasil, o povo brasileiro e sua qualidade de vida.
Terceiro (e na esteira do segundo), antes mesmo da Lei Geral da Copa ser aprovada, já testemunhamos nesta Lona, neste Picadeiro, o que vem acontecendo nas grandes capitais e cidades brasileiras que receberam jogos da Copa do Mundo: despejos forçados (alguns com ordens de despejo para “ontem”), elitização (e supervalorização da especulação imobiliária) econômica de espaços urbanos e remoção forçada e truculenta de comunidades inteiras. Tudo para abrir caminho para o evento ser apreciado por quem, claro, pode pagar tal privilégio.

Um país, um Estado, um Governo que não cuida de seu povo, não preserva e nem luta por sua soberania. E o Esporte Moderno (eu, professor de Educação Física, não deixemos de destacar) que tem suas expressões máximas (em poder) na Copa do Mundo e nos Jogos Olímpicos, que ocuparão nosso país em 2014 e 2016 estão provando que perdemos nossa soberania.

Isso tudo por conta de uma cervejinha no Estádio de Futebol...

Chico Science estava certo:

“E eu piso onde quiser/
Você está girando melhor, garota/
Na areia onde o mar chegou/
A ciranda acabou de começar, e ela é!/
E é praieira!!!/
Segura bem forte a mão/
E é praieira !!!/
Vou lembrando a Revolução/
Vou lembrando a Revolução/
Mas há fronteiras nos jardins da razão”

A campanha já havia sido lançada em “da Arquibancada” anteriores: que tenhamos a coragem de NÃO torcer pelo Brasil na Copa do Mundo... Não por este Brasil.

Venham Todos!
Venham Todas!

Vida Longa!

Marcelo “Russo” Ferreira
http://www.youtube.com/watch?v=CuNLLuPu8WU

PS.: Coisas interessantes sobre o nosso Futebol: Romário é entrevistado na Revista Caros Amigos (quem não lê a Caros Amigos, precisa ler) e Herrera diz "Não" à Globo e ao Fantástico... e ao vivo!
PS 2: importante, principalmente para aqueles que moram nas cidades-sedes da Copa, conhecer o http://comitepopularcopapoa2014.blogspot.com.br/... aliás, imprescindível!


quarta-feira, 16 de maio de 2012

Conversa ao pé de ouvido de Carlos Vinícius...


“Se tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades
teria ouvido verdades que teimo em dizer brincando,
falei muitas vezes como um palhaço,
mas jamais duvidei da sinceridade da platéia que sorria”.
(Charles Chaplin)


Salve, Salve, Pequeno Carlos Vinícius...
Nosso mais novo lutador do Povo que chega pelas bandas de nosso Circo, de nosso Picadeiro e de nossa arte.
Seja Bem-vindo...! E que bem-vindo, afinal, testasse nossa ansiedade e alegria chegando, mas fazendo-nos aguardar mais um pouco antes de estar, definitivamente, nos braços de nossos artistas e público. E ficávamos a pensar: “o que trama para sua vida nosso Pequeno Carlos Vinícius?”.
O que tramavas, hein, Carlos Vinícius? Talvez, tramasse seu futuro e a maneira de agir nas oportunidades da vida, principalmente aquelas oportunidades as quais iria construir? Estava, talvez, deliciando-se com a memória futura do sabor do vinho? Talvez tramasse, no final ao cabo, a maneira de sua família (nosso amigo de Circo e de Luta Renilton e sua família, mamãe Josilene e seu/sua irmão/ã Robson e Carla) garantir que esse seria o seu nome para passearmos por esses significados?
Tramaste, também, o dia de sua chegada que, em data nos traz tantas lições e, em véspera, nosso chão de luta por um mundo não apenas melhor, mas melhor para todas as formas de vida existentes?
Celebramos, assim, Pequeno Carlos Vinícius, a sua chegada e somamo-la ao nosso grande coletivo de Pequenos (com P maiúsculo) que chegaram até hoje e que saudamos, ou não, abaixo de nosso lona.
16 de abril... como todos os dias do ano, dia que nos traz heróis de verdade e heróis de mentira, fatos mundialmente conhecidos e desconhecidos, lições em todos eles. E, claro, para saudá-lo, escolhemos o que temos de melhor.
Nasceste em 16 de abril dia em que podemos celebrar (com todas suas contradições) a primeira grande vitória operária e camponesa da história da humanidade. Vladimir Ilitch Lenin retornava de seu exílio na Alemanha, passando pela Suécia. Em tempos de I Grande Guerra, as lições das histórias dos conflitos se repetiam; Helena Krupskaia (esposa de Lenin) comentava que só se via mulheres, adolescentes e crianças nas estações de trem em toda a Alemanha. A I Guerra Mundial, assim como conflitos anteriores e nem tanto diferente em conflitos posteriores, destruíam famílias, comunidades e futuro.
Naquele 16 de abril de 1917, Lenin chegava na Rússia, recebido pela canção revolucinária (à época, mas sempre) Marselhesa (“Às armas, cidadãos, / Formai vossos batalhões / Marchemos, marchemos / Que um sangue impuro / Banhe o nosso solo!”) e bandeiras vermelhas. Lenin disse à multidão que o recebeu: "A guerra imperialista é o início da guerra civil em toda a Europa ... A revolução mundial socialista já amanheceu ... Alemanha está fervendo ... Qualquer dia, o conjunto do capitalismo europeu pode falhar ... Marinheiros, camaradas, temos que lutar por uma revolução socialista, a lutar até que o proletariado tenha a vitória completa! Viva a revolução socialista no mundo!".
Que o capitalismo está a falhar, quase em suas últimas refregas de resistência e vida, a Europa toda já sabe, o mundo todo já sabe. Mas precisamos construir o novo, nesses tempos em que o Capital demonstra sua indiscutível derrota. E precisamos antes que essa derrota extermine a vida entre nós. Daí nossa primeira lição: lutemos sempre, pequeno Carlos Vinícius... E Lutemos sempre juntos, nunca sós. Como Lutam os Educadores do Campo, os Sem Terra, os Campesinos, que seu pai tão bem conhece.
Há raízes de nosso Circo em São Paulo que há muito tempo deixou de ser uma Paulicéia Devariada (na “loucura” daquela cidade em 1922, por Mário de Andrade) e hoje é pura loucura. Porém, já em tempos de loucura, uma arrebatou sua população e se espalhou pelo país: “Diretas Já!”, uma manifestação que no dia que chegaste completava 28 anos. Cerca de 1,5 milhão de pessoas no Vale do Anhangabaú em 1984 desafiavam as Leis do Estado (ainda Ditadura) e manifestavam-se exigindo seu direito de eleger o Presidente do País. É verdade que a manifestação fora derrotada em Brasília e apenas cinco anos depois, com a Burguesia e a Imprensa deste país mais “preparada”, fomos as urnas... outra derrota. Mas nunca desistimos, pequeno Carlos Vinícius e assim seguimos lutando sempre, porque não corremos atrás de vitórias pontuais e, sim, de vitórias históricas. Talvez uma única, profetizada nas palavras de Che: “Hasta la victória, siempre!”...
Duas personalidades (e que personalidades) precisam ser destacadas e celebradas junto com sua chegada, Pequeno Carlos Vinícius.
A primeira por ter nascido em uma longínquo 16 de abril, em 1889. Falamos de um artista que tem tudo, absolutamente tudo a ver com o nosso Universal Circo Critico, o que torna nossa saudação, nossa celebração “circentemente” ímpar, pois foi quando nasceu Charles Chaplin, nosso imortalizado Carlitos. Sua obra é inspiradora de nossa lona e de nosso picadeiro.
Não temos dúvida, Pequeno Carlos Vinícius: nossas crianças precisam assistir Carlitos enquanto crescem: O Circo (claro), Tempos Modernos, Luzes da Cidade, O Garoto, O Grande Ditador estariam, talvez, entre as necessárias. E em que pese ter se notabilizado (por conta da época) no cinema mudo, suas palavras ecoaram fronteiras e o tempo e é nas palavras de Charles Chaplin que damos mais uma importante lição. E por isso que escolhemos nossa primeira saudação, o intróito de nossas palavras, aquela citação.
A verdade que se dizia brincando, hoje em dia, transformou-se em “ironia” e, às vezes “brincadeira de carapuça” (que sempre achei postura dos covardes). Por isso, Pequeno Carlos Vinícius, nunca permita que sua alegria se transforme em ironia. Que sua alegria seja sempre sua verdade e que a seja sempre brincando.
A segunda personalidade não nasceu em 16 de abril, nem morreu. Apenas teve publicada, oficialmente, sua homenagem... E pasme (depois teu pai explica o que é isso), Pequeno Carlos Vinícius: uma das homenagens mais importantes da Educação Brasileira ao, possivelmente, mais importante Educador Brasileiro, passou em branco, em silêncio absoluto em nossa imprensa nacional. E até nós, do Universal Circo Crítico caímos nesse silêncio. Precisou a sua chegada para nos alertarmos de que sempre precisamos estar atentos. Uma notícia não contada não significa uma notícia que não tenha existido.
A homenagem? Paulo Freire é declarado Patrono da Educação Brasileira. À bem da verdade, os Educadores e Educadoras do Povo sempre viram em Paulo Freire (que não apenas foi responsável pelo revolucionário projeto de Educação Popular e de Alfabetização de Jovens e Adultos durante décadas) como o principal educador brasileiro. Não necessariamente precisávamos de uma Lei (12.612/2012) para tal verdade. Mas é impressionante o medo que a burguesia, a elite e a imprensa brasileira tem dos verdadeiros heróis brasileiros. E Paulo Freire, antes de ser Patrono da Educação Brasileira, já o era. E, talvez por isso (imprensa em silêncio e uma Lei) que Paulo Freire diria, lá pelos idos de 1981): “a leitura do mundo precede a leitura da palavra”... Leia o mundo, escreva-o desde o primeiro instante que o ler e, principalmente, ajude-nos a ler novamente o mundo.
Lenin... Charles Chaplin... Paulo Freire... e agora, Carlos Vinicius.
Que belo 16 de abril!

Vida Longa a Carlos Vinicius!

Venham Todos!
Venham Todas

Vida Longa!

Marcelo “Russo” Ferreira

sábado, 12 de maio de 2012

O Universal Circo Crítico... Mainha...


Mainha

"Os nossos filhos andam pelo mundo! È isso que eu compreendo: andam pelo mundo, pela Terra toda, por toda a parte, com um só fim!... Os melhores corações, os espíritos honestos avançam resolutamente contra tudo o que é mau, esmagam a mentira sob os seus passos firmes."
(“A Mãe” – Máximo Gorky)

E andando pelo mundo, escolhi minhas trincheiras, meus amigos e minhas amigas de luta, Brasil e Mundo afora... até aqueles que eu nem conheço... Porque aprendi pequeno a importância dos amigos e, mesmo não conhecendo a palavra, aprendia o significado da tolerância...
E andando pelo mundo, fui construindo minhas lições de vida e de sobrevivência, de medo e de superação... Porque vez em quando deixava-me em meu quarto (que nem era “quarto”) e vez em quando ia ver como eu estava e, assim, mesmo não conhecendo-a, aprendia o significado da palavra subjetividade...
E andando pelo mundo, fui cantando... porque a música era presente em nossa casa, na alegria ou na aparente ausência dela... ou na certeza da ausência dela. Porque a música é linguagem universal, tocar um ou mais de um instrumento era a forma de ampliarmos nossa relação com o mundo e, assim, mesmo não conhecendo-o, aprendia o significado do termo prática social...
E andando pelo mundo fui estudando, lendo e escrevendo... e lendo e escrevendo, também lia e escrevia a realidade a minha volta... Nas canções que ousava compor, nas cartas, milhares de cartas que escrevia ao mundo, nas experiências que transformava em ciência. E assim, mesmo não conhecendo-a e, até mesmo, não compreendendo-a, aprendia o sentido da palavra conhecimento...

Mesmo distante e nos vai e vem da vida, a saudade se faz presente. Ando pelo mundo, distante em espaço, dizendo de onde vim, porque vim, de quem vim...
Que este dia seja todos os dias!

Abreijos do seu filho!

Ide Todos...! Ide Todas...! Às suas mães...

Vida Longa!

Marcelo Russo

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Vamos falir a Veja...





“E a lona rasgada no alto
No globo os artistas da morte
E essa tragédia que é viver, e essa tragédia
Tanto amor que fere e cansa”
(Cordel do Fogo Encantado)



            É ousadia... afinal, somos um Circo Pequeno. Virtualmente, sequer atingimos a marca de 100 seguidores. Até acreditamos que temos muitos leitores e que o campo de “seguidores” não necessariamente reflete o tamanho de nosso público.
            Sim, somos um Circo Pequeno, de “lona rasgada no alto” e de “sorriso pintado a noite inteira” no meio da tragédia de nosso mundo, que continua fazendo da humanidade e de tudo que ela produz mercadoria.
            Somos um Circo Pequeno na aparência, mas grandioso em nosso amor e compromisso com a luta dos Lutadores e Lutadoras do Povo e por isso somos, também, ousados.
            E, por isso, iremos ousar essa campanha: Vamos falir a Veja (se a Editora Abril ruir junto, também tá valendo).
            Nossa lona lança essa campanha e reconhece que possui amigos ou apenas conhecidos que lá circularam... ou ainda circulam. Talvez nossos desafio e ousadia aumentem à medida que essa questão seja verdade e, daí, também implique em dizer a esses amigos “não compactuem com a Veja”.
            Lembro quando, em outubro de 2006, a Veja fez questão de fazer uma matéria sobre Ernesto Che Guevara, em função das celebrações de 40 anos de sua morte e, dentre outras pérolas, a de dizer que ele fedia como um porco e não tomava banho. Sabe-se lá p’ra que essa informação, no início da matéria, era tão significativa, considerando a dinâmica da história de Che em Cuba, anos nas matas em guerrilha e, após a Revolução Cubana, trabalhando árdua e, também (fora de seus horários de trabalho) voluntariamente. Mas a ideia era, explicitamente, em uma matéria de cinco páginas (com muitas imagens) destruir o mito que, à bem da verdade, à época já possuía inúmeras publicações, grande parte, sérias.
            Porém, nesta pauta editorial pseudo-jornalística, a expressão do medo de nossa mídia tupiniquim sobre o povo. Em 2006, período eleitoral, Lula e Geraldo Alckmin protagonizavam o debate político nacional e, para tanto, era importante (sabe-se lá porquê) destruir imagens revolucionárias. Não que Lula fosse a grande expressão disso, era mais uma expressão popular. Mas era preciso alavancar a imagem do candidato tucano. Na época, o inquestionável: o candidato tucano conseguiu perder quase 3 milhões de votos conquistados no primeiro turno daquelas eleições.
            Já em 2009, enquanto vários meios de comunicação – precisamente aqueles mais comprometidos com as lutas sociais – denunciavam as quantas andavam os “canteiros de atletas” (principalmente no futebol), transformando o sonho de jogar bola de milhares de jovens Brasil afora em uma sina de miséria, pobreza e analfabetismo sem fim e que, portanto, os devolviam à mesma condição de miséria a qual tentavam escapar por meio do futebol, a Veja cumpriu a estúpida tarefa de enaltecer as equipes de base dos grandes clubes, como expressão da qualidade que esta nua e crua realidade produzia. Porca tarefa.
            Mas o principal aqui é nossa Campanha: Vamos falir a Veja! Alguns poucos e significativos motivos, não necessariamente em ordem de importância.
Uma revista semanal que se preza a apresentar matérias com (alguma e duvidosa) importância jornalística depois de 50 páginas de propagandas, fotos (estilo “Caras” e “Quem”), frases (sempre) descontextualizadas e pequenos “informes” jornalísticos, não pode ser uma revista séria.
Uma revista semanal que se preza a produzir (mal) matérias e fatos onde não existem, invertendo fatos e nomes, diminuindo a expressão entre dois lados da história jornalística investigada (sempre favorecendo apenas um lado) não pode ser uma revista levada a sério.
Vinculado a isso, uma revista que sempre teve medo de tornar pública suas opções políticas, principalmente em épocas de eleição, construindo matérias aparentemente “neutras”, mas sem assumir abertamente sua opção enquanto meio de comunicação (o que implicaria, portanto, em afirmar o porquê de tal apoio, de qual lado está, a favor – e porque – de quem está etc.) não tem como ser levada a sério.
Mais ainda (e aqui, a expressa manifestação de não termos medo de dizer qual lado estamos, a favor e contra quem lutamos), uma revista que sempre persegue trabalhadores, campesinos, operários, Sem Terra, Sem Moradia, Sem Direitos – em um país (e fora dele, também) em que alguns poucos tem mais direitos de muitos – e que não abrem mão de lutar de maneira determinante pelo que acreditam, não é merecedora de respeito.
A Veja sempre procurou destacar-se (principalmente quando da ascensão de Lula à Presidência da República) a ser, junto com a famigerada Folha de São Paulo (entre outros) a verdadeira revista investigativa e de denúncia deste País. Por muitas vezes jogou no ventilador papel vermelho dizendo que era sangue e, como tal, saído das mãos de Lideranças Populares.
Mas, nos últimos tempos, o silêncio pairou sobre o Semanário com nome de “olhar profundamente” (coisa que abdicou, pelo menos editorialmente). E o fato mais recente é a impossibilidade de vermos, como sempre gosta de fazer, as matérias de capa da Revista Veja inclinarem-se a falar sobre os atuais momentos em Brasília, envolvendo o “baluarte” da ética DEMocrata, Demóstenes Torres (e mais um balaio de políticas país afora: Perilo em Goiás, Stepan Nercessian no Rio, o próprio Governador Carioca Sérgio Cabral, o Governador neo-petista do DF e por aí vai) com Carlinhos Cachoeira. Quando fez menção, não foi no seu velho estilo de matéria de capa. Mais ainda, como que a própria Revista/Editora está envolvida nessa lama toda.
Do contrário, a Revista Veja conseguiu a obra-prima (sic!) de apresentar fúteis matérias de capa, coroada pela expressão preconceituosa da semana referente a 23 de abril, defendendo a tese científica de que pessoas altas são mais vencedoras que pessoas baixas (e a capa, então, nem merece comentários).
Falir a Veja é simples: quem costuma comprar nas bancas de jornais, aeroportos, rodoviárias etc., não compre; quem costuma ler em sala de espera de consultórios e/ou escritórios, recomende não serem mais adquiridas; quem tem assinatura, não renove (e depois que a editora Abril ligar pela 10ª vez tentando convencê-lo/a do contrário, processe-a por assédio moral). E não se afobe com “ler o outro lado da história”. Os jornais de rede aberta de TV dão conta disso, com a mesma falta de qualidade.
Para além de falir a Veja (e depois fazemos outras campanhas), precisamos acessar revistas e/ou jornais sérios. Daí, a campanha contra sempre nos leva a campanhas a favor. E há a nossa disposição uma quantidade significativa de revistas e jornais sérios no país: Carta Capital, Carta na Escola, Caros Amigos, Jornal Pessoal (do Jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto - o maior perseguido do Jornalismo Paraense da Globo, a Família Rômulo Maiorana), Brasil de Fato, Jornal do MST, Le Monde Diplomatique Brasil (buscar outras)... Já nossos Jornais diários, esses entram em outro tema.

Ah! E continuem lendo o Universal Circo Crítico e os blogs que sempre indicamos

Venham Todos!
Venham Todas!

Vida Longa!

Marcelo “Russo” Ferreira



PS.: Fica a sugestão de Leitura do Blog de Luiz Nassif: http://sites.google.com/site/luisnassif02/








quarta-feira, 2 de maio de 2012

Discurso de Formatura... Turma Márcia Cristina Greco Ohuschi


       Começo, como sempre, com minhas saudações. Aos amigos da mesa, Adriano, Kelly e Márcia, honrada com o nome da Turma, “Turma Márcia Cristica Greco Ohuschi”. Uma boa noite também os amigos e familiares aqui presentes.
            Prezados e prezadas Professores e Professoras de Letras, aqui formando-se, neste 27 de abril de 2012.
            Minha mais profunda, sincera, comovida e honrada saudação.
            Eu particularmente fiquei imaginando o que vocês disseram a seus pais, seus e suas companheiros e companheiras, familiares e amigos ao dizer-lhes que convidaram um professor de outra Faculdade para ser paraninfo da Turma de vocês. Mais ainda, um professor de Educação Física. Talvez estranhamentos que, no final das contas, são comuns quando falamos desta área do conhecimento.
            Mas, talvez, esse também seja um grande desafio de nossa Universidade Brasileira: extrapolar as barreiras disciplinares, que a modernidade cunhou em nomes diferentes, em áreas diferentes, vários, quase incontáveis. E se é possível celebrarmos com outras áreas, então, é necessário re-desenharmos e re-escrevermos a universidade para além de suas caixinhas de conhecimento. Celebrar, portanto, este momento com vocês é mais do que uma conquista e alegria particular. É mais uma prova de que o conhecimento é universal e interdisciplinar, inclusive em sua celebração.
            E agora, cá estou, falando para vocês, Turma 2008 da Faculdade de Letras. Claro, pensei nas letras e naquilo que elas formam, enquanto ia organizando esta retribuição à honra recebida: ser seu paraninfo.
Homenagear a Turma de Letras é desafiante. Assim como foi desafiante minha decisão em aceitar o convite da nossa querida Professora Kelly: ministrar uma disciplina na Faculdade de Letras. Talvez por isso, pelo desafio, pensei construir um “passeio sobre as palavras”. Aquelas que me levam a datas, a fatos históricos, a pessoas (preferencialmente os lutadores do povo) e suas palavras, suas idéias, suas lições.
            Portanto, ao pensar nas palavras, pensei nas idéias que as palavras formam e lembrei-me de nossos encontros, de nossos debates, de nossas reflexões e daquilo que construímos em sala. Lembrei-me de “V” e, em particular, quando seu protagonista nos alertava: “um homem pode morrer, lutar, falhar, até mesmo ser esquecido, mas sua idéia pode modificar o mundo mesmo tendo passado 400 anos”. Eram idéias, assim como nós construímos inúmeras, incontáveis idéias em sala de aula e, tenho certeza, vocês assim o fizeram não apenas comigo, mas como todos e todas docentes que passaram por vocês ao longe de sua formação, nesta Universidade. E, como a construir meu último papel pedagógico junto a vocês, na condição de formandos e formandas em Letras, deixo minha primeira-última lição (e lições servem para serem apreendidas, compreendidas, revisitadas e ressignificadas. Lições servem para não serem esquecidas): idéias nunca morrem. Por isso elas são necessárias... Nunca as abandonem.
            Aliás, mais do que nunca abandonarem suas idéias, reconstruí-las constantemente. E reconstruímos idéias quando as colocamos em nossa prática social. E só colocamos nossas idéias na prática social quando elas estão a serviço de um coletivo. E aqui, minha humilde sugestão: que este coletivo seja o Povo Brasileiro. E basta olharem para os lados, para a história da maioria de vocês, para sua própria história para saberem o que quero chamar de Povo Brasileiro.
            As palavras e suas idéias me levaram a uma poetiza cubana, Dulce Maria Loynas, que a 15 anos já não escreve mais, pois já não está conosco. Mas deixou uma bela obra. Não, Dulce Maria Loynas não escrevia sobre a Revolução Cubana, mas isso não fez de suas palavras menos belas. É em “yo te fui desnudando” (fui te despindo) que revelo nessa escritora mais de minhas idéias-palavras: Fui despindo você de você mesmo, / de seus ‘vocês’ superpostos que a vida / te cingiu ... / / Te arranquei a casca - inteira e dura – / que parecia fruta, que tinha / a forma da fruta. / / E diante do vago assombro de seus olhos / surgiu você com olhos ainda velados / de sombras e assombros ... / / Surgiu você de você mesmo, da mesma / sombra fecunda - intacto e desgarrado / em alma viva ...” (Yo te fui desnudando de ti mismo, / de los "tús" superpuestos que la vida / te había ceñido.../ / Te arranqué la corteza-entera y dura- / que se creía fruta, que tênia / la forma de la fruta. / / Y ante el asombro vago de tus ojos / surgiste con tus ojos aun velados / de tinieblas y asombros... / / Surgiste de ti mismo; de tu misma / sombra fecunda-intacto y desgarrado / en alma viva...”) - (De: Versos, 1920-1938).
            A Universidade, à bem da verdade, ainda não se despiu. Ainda não tirou sua casca burguesa, coisificada, mercadológica, distante e descompromissada das relações humanas e sociais, distante de seu compromisso com a humanidade.
            Quantas e quantas vezes recorrerei às palavras do bom e velho Comandante, Erneste Che Guevara, em discurso na Universidade de Havana (nos primeiros tempos da Revolução Cubana), convocando seus estudantes, professores e demais trabalhadores a pintarem a Universidade de camponesa, de negra, de trabalhadora, e eu mesmo ousava acrescentar, de mulher, de quilombola, de indígena, de ribeirinha, de operária... Mas, para tanto, precisamos despir a Universidade. Despindo-a, nos despimos de nossos “eu’s” e nos vestimos de nós. Despindo-nos, iremos despir a Universidade.
            Ainda assim, é imprescindível destacar meu testemunho, ainda que humilde e pequeno, no surgir vocês de vocês mesmos. E caminhar na Universidade, Pública e no Norte do País é caminhar na busca de vocês. Logro que tenham feito esse caminho, entre choros e alegrias, entre descansos e noites não dormidas, entre estudos e celebrações.
            Ouso dizer (no princípio Leninista de “a ousadia é o que nos dá sentido à vida”) que ainda são poucos, nesta Universidade – e falo sobretudo de seus docentes – que a querem pública, que a querem popular, que a querem despida. Mais ainda, são poucos aqueles que lutam por uma Universidade verdadeiramente Livre (com “L” maiúsculo), dentro de uma Pátria verdadeiramente Livre e com o povo soberano. E lutar por esta Universidade é também enfrentar os ditames do tal Mercado de Trabalho, expressão atual da exploração de trabalhadores e trabalhadoras pelo julgo do capital (que para existir, necessariamente produz miséria).
            A bela passagem de Dulce Maria Loynas, ainda que bem possivelmente ter feito este poema pensando no amor, nas pessoas que se amam, e não nestas viagens que faço, ainda assim nos permite mais uma grande, hercúlea lição: precisamos despir nossa Universidade e revesti-la. Precisamos tirar-lhe a casca burguesa e fazê-la redescobrir-se de Povo, de Gente. Precisamos, inclusive, fazer isso para que possamos tirar a casca do Povo, no sentido de fazê-los encontrar, no redescobrir-se, sua soberania. E essa tarefa não se cumpre sozinho.
            Precisamos fazer de nossas letras que compõem palavras que expressam idéias (que não morrem) nossos instrumentos de luta. Que não tenhamos medo de, ao ensinarmos crianças, jovens, adultos e idosos as artimanhas das letras e das palavras, ensinarmos seu real poder: transformar, de verdade, o mundo. E já sabemos, só transformamos aquilo que conhecemos.
            Ninguém consegue transformar um pedaço de madeira, metal, aço, pano, pedra em algo novo se não conhece, verdadeiramente a madeira, o metal, o aço, o pano e a pedra. E não é apenas a ciência aquela capaz disso. A relação do homem com a natureza e o conhecimento produzido por essa relação é que possuem essa capacidade. Assim é como transformamos o mundo e, assim, temos uma lição embutida na lição anterior (de despir a Universidade): ensinem as idéias e que sejam idéias de transformar o mundo.
            Mais ainda, precisamos transformar nossas palavras, conhecendo as palavras que não sabemos. As palavras do campo, as palavras do quilombo, as palavras da favela, as palavras das comunidades indígenas, das andantes comunidades ciganas. E, se buscarmos saber as palavras que não sabemos, quilombolas, camponesas, indígenas e ciganas, ah!, aí sim, talvez transformemos nossas palavras e nos transformemos com elas.
            E se precisarmos de inspiração para tal, que lembremos sempre deste dia, no meio de tantos dias importantes na vida de vocês: 27 de abril.
            Hoje, 27 de abril, é o Dia da Liberdade na África do Sul, país cuja história conhecemos muito razoavelmente bem. Nem com os olhos do mundo voltados, em 2010, para este país encravado no sul do continente africano– durante a realização da Copa do Mundo de Futebol – ele, o mundo (e, portanto, nós) o conheceu de verdade. Sabemos algo sobre o Apartheid, sabemos tanto quanto de Nelson Mandela, quando se tornou o primeiro presidente negro daquele país em 1994. Mal sabemos de seus partidos políticos, de sua cultura, de sua música, bem menos do que ainda resiste ao direito de seu povo natal, o sul-africano, como é o caso do seguimento conhecido como “africaners”, os brancos que não aceitam o fim do Apartheid. E o Dia da Liberdade da África do Sul continua sendo, no final das contas, Dia em que Lutas Continuam.
            Ao tomar posse, naquele ano de 1994, o então presidente Nelson Mandela, em seu discurso, fez uma fala que também ficou conhecida no filme “Treinador Carter” (de 2005), dita por um de suas personagens (Tino Cruz, representado pelo jovem Rick Gonzalez), com, claro, algumas alterações hollywoodianas. Dizia Mandela: “Nosso grande medo não é o de que sejamos incapazes. Nosso maior medo é que sejamos poderosos além da medida. É nossa luz, não nossa escuridão, que mais nos amedronta. Nos perguntamos: "Quem sou eu para ser brilhante, atraente, talentoso e incrível?" Na verdade, quem é você para não ser tudo isso?...Bancar o pequeno não ajuda o mundo. Não há nada de brilhante em encolher-se para que as outras pessoas não se sintam inseguras em torno de você. E à medida que deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo.” (discurso de Posse de Nelson Mandela – 1994)... quando nos libertamos de nossos medos, nossa presença automaticamente liberta os outros.
            Essa lição nunca é fácil. Até compreendê-la e assumi-la parece-nos tarefa grandiosa demais. Claro, necessitamos cumpri-la coletivamente. Tarefa histórica nenhuma se cumpre sozinho ou sozinha. Tarefas históricas devem ser cumpridas por todos e todas. E Mandela, naquele ano de 1994, também cumpria com a tarefa de seu povo, de ser sempre mais, dando lições de humanidade que seus antigos colonizadores nunca entenderam, nunca entenderiam e nunca entenderão, porque ainda dividem e mundo em Hemisfério Norte e Hemisfério Sul. Mandela cumpria com o legado de outro grande Lutador do Povo Sul-africano, morto nas mãos do Estado. Falo de Steve Biko, que, como processo de sua luta, nos deixou uma lição verdadeira: "Racismo e capitalismo são faces da mesma moeda". Se lutamos contra toda e qualquer forma de preconceito (e, inclusive, se lutamos contra nossos próprios preconceitos), lutamos contra este Sistema que o produz. E se lutamos com essa mesma idéia (construir o antagônico do capitalismo), somos companheiros, somos companheiras.
            Como disse, dirigir-me a vocês, seria um desafio. E realmente o foi. Sei que a relação que fiz, meio que lúdica, de construir o caminho das letras às palavras e dessas às idéias, talvez se distancie um pouco do contexto e dos referenciais de um Curso de Formação Superior em Letras. Mas, nada como nossas viagens – que fortalecem nossas ousadias – para construir novas aproximações.
Também de maneira ousada, gostaria de trazer aqui uma passagem de meus tempos em que o violão ocupava com mais freqüência o meu colo e desta relação saiam pequenas obras, pequenas canções que sempre fizeram também companhia em minha estrada de aprendiz de Lutador do Povo. Pelo idos de 1998, escrevi uma canção chamada “O Menino e o Palhaço”, da qual extraio a seguinte passagem: “Ainda vou fingir minha derrota / minha esperança será também mentira / e quando menos esperarem / em seu vultuoso poder e vaidade / os pegarei por trás como um fantasma / e me porei a rir, a cantar e a chorar sem tristeza / o palhaço ri... / o louco ri... / quem chorava ri...” (a letra está publicada em http://arcamundo.blogspot.com.br/2007/09/sndrome-do-fantstico-o-menino-e-o.html)
            À guisa da conclusão, optei por escolher palavras e que expressam idéias. E as presenteio no meio das lições que aqui ousei.
Amor!
Porque aquele que sabe realmente o que é amar é, verdadeiramente, um Lutador do Povo. Que, enquanto nos desnudamos, descubramos o que é verdadeiramente amar. Não o amor egoísta, não o amor da posse, não o amor fetichizado. Esses são escritos com letra minúscula. Falo do Amor verdadeiro, aquele que nós descobrimos por nossos amigos, por nossas amigas, por nosso povo e por povos do mundo que lutam. O Amor revolucionário como sentido e como ato. E que o Amor seja re-escrito com as cores do povo e que vocês ensinem sempre o verdadeiro valor desta palavra... desta idéia.
Lutar!
Como expressão de felicidade, de alegria em meio aos desafios. Porque um povo que descobre que pode lutar por algo e para todos é um povo feliz. Como diria Anton Semiónevitch Makarenko, em sua experiência com as crianças e jovens da Colônia Gork, no início do século passado e tão bem detalhado em Poema Pedagógico: “Eles vão a luta! Que alegria é saber que se pode lutar!”. E que Lutar seja re-escrito com as cores do povo e que vocês ensinem sempre o verdadeiro valor desta palavra... desta idéia.
Celebrar!
Quer incorporemos a Celebração em nossas idéias, e que nossas celebrações sejam a representação fiel, verdadeira e radical da manifestação popular, aquela com a qual a burguesia não entende, porque celebrar a luta de um povo, a luta contra o poder, a luta dos lutadores do povo. Que Celebrar seja re-escrito com as cores do povo e que vocês ensinem sempre o verdadeiro valor desta palavra... desta idéia.
Liberdade!
Palavra cada vez mais estranha em nossos tempos e cada vez mais necessária. Pois Liberdade não se ganha, se conquista. Liberdade é, sempre foi e sempre será fruto de nossos valores e de nossas posturas. Liberdade nunca será individual, Liberdade sempre é de todos. E que a Liberdade seja re-escrita com as cores do povo e que vocês ensinem sempre o verdadeiro valor desta palavra... desta idéia.
Revolução!
Como meu convite final, mas que sempre o faço. Convido-os e convido-as a serem revolucionários. Transformar o extraordinário em cotidiano. Que seja, ela própria, a idéia! E que seja a própria síntese de Lutarmos por Amor e Celebrarmos a Liberdade!
Vida Longa a este 27 de abril!
Vida Longa à Turma de Letras 2008!
Vida Longa à Turma Márcia Cristina Greco Ohuschi!
Vida Longa!
Marcelo “Russo” Ferreira