RESPEITÁVEL PÚBLICO!

VENHAM TODOS! VENHAM TODAS!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Conversa ao pé de ouvido de Vitória Cristina...




“E as crianças,
podendo ser,
crescem"
(José Saramago – Levantado do Chão)

            Salve, salve, Pequena-Grande Vitória Cristina...
            Seja muitíssimo bem vinda.
           Chegaste com nome de vencedora e em dia de históricas expressões do trabalho, afinal é dia do Artesão, dia do Marceneiro e dia do Carpinteiro. Nada mais peculiar.
            Aliás, até a Lua veio celebrar sua chegada, hein? Dizem por aí que "o mundo poderá ver a Lua mais de perto". Que nada, Ela, a Lua, é que "andou" quase quatro mil quilômetros só p'ra te ver e saudar, assim, "de pertinho"... Coisas do Universo, Pequena Vitória.
         Ter nome de Vitória que sempre nos remete a história de antes mesmo de chegares entre nós, já é algo significativo, belo e, por que não dizer, universal. Mais ainda, chegastes neste VER A DATA com a celebração da construção, da arte, da expressão daquilo que a humanidade tem de mais rico em sua história: o trabalho que transforma a natureza.
       Também chegaste em Dia de São José, padroeiro de muitas cidades, notadamente aquelas que em sua história, organização social e econômica, sempre tiveram o perfil da agricultura, do campo, do sujeito campesino como característica principal. Isso quer dizer, pequena Vitória, que continuamos pensando na relação do homem com a natureza e sua capacidade de transformá-la para gerar vida.
            Portanto, chegas com a luz de transformadora e de conquistas. A história, as pessoas a sua volta, os ensinamentos de tua vida lhe dirão em pró de que e de quem serás vitoriosa e transformadora. E, como sempre nossos artistas, nossa lona e nosso público ousa, trazemos aqui nossa primeira lição: que suas vitórias e sua ação transformadora seja para o mundo, para os lutadores e lutadoras do povo, para os pobres, as crianças, a juventude, os/as trabalhadores, os idosos... Vitórias e transformações coletivas.
        Como sempre, Pequena Vitória, buscamos na história da humanidade os fatos, os acontecimentos que, aos olhos do Universal Circo Crítico, são importantes para nossa vida e, no seu dia, o 19 de março.
            Além de teres chegado no Dia de São José, chegaste no dia em que foi fundada, em 1549, a primeira capital do Brasil (nos idos tempos de Colônia): Salvador. Não é massa? Menos pela história do tempo que era Capital num tempo de Colônia, mas pelo nosso carinho pelo povo baiano, bravo lutador do Nordeste brasileiro! És, talvez, uma cidadã nascida soteropolitana, mesmo não tendo nascido na capital baiana. Mas, quem sabe um dia destes, de seu aniversário, não irás celebrar lá em Salvador, hein? Que tal? A cidade inteira festejando o seu dia... Saravá!
            A data de sua chegada é também o dia em que os Estados Unidos (sempre tem alguma coisa do imperialismo, aff) inaugura suas missões de combate aéreo mundo afora. Sua primeira vítima no exterior, uma espécie de Bin Laden mexicano... mas Pancho não era terrorista. Foi, junto com Emiliano Zapata, um combatente das ditaduras de seu país e que sempre tiveram o vizinho imperialista como parceiro. Tombou em uma emboscada, mas seus idéias e luta não. E, aqui, mais uma pequena e importante lição que, por vontade de nossos artistas e público, sempre defendemos em conversas assim: nunca abra mão de seus princípios e valores. São eles que a conduzirão por sua vida afora.
            Foi em tempos de ditadura militar, ainda a se estabelecer, que a história de nosso país conheceu a Revolta dos Sargentos. Nós nem imaginamos como é isso, mas antes do Golpe Militar de 31 de março de 1964, cabos, sargentos e suboficiais da Força Aérea e Marinha brasileiras se rebelaram em defesa do direito de serem eleitos para o legislativo estadual (em alguns poucos estados: RJ, SP e RS)... Mas foi em 19 de março de 1964 (já em tempos de Ditadura) que foram condenados. Lições de liberdade, pequena Vitória... E lições de liberdade sempre me lembram Thiago de Melo nos Estatutos do Homem. Lá no artigo final, decreta: “Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso das bocas. A partir deste instante a liberdade será algo vivo e transparente como um fogo ou um rio, e sua morada será sempre o coração do homem”. Que a luta por seus princípios e valores tenha sempre a defesa da liberdade universal como fundamento de luta e alegria, pequena Vitória.
            Alguns (muitos) nasceram em 19 de março. Uns em nem gosto e, claro, não vou trazê-los aqui, senão estraga nossa conversa ao pé de ouvido. Mesmo que trouxessem (e sempre trazem) lições. Mas, como nasceste no dia de Túpac Amaru II (Líder indígena peruano que lutou contra os conquistadores – aff! – espanhóis) e Augusto César Sandino (líder revolucionário nicaragüense). Só lembro de Chico Sciente: “Viva Zapara! Viva Sandino! Viva Zumbi! Antônio Conselheiro! Todos os Panteras Negras! Lampião, sua imagem e semelhança! Eu tenho certeza, eles também cantaram um dia”. Coisas do Nordeste, Vitória... Mas, aqui, a lição (e, quando falamos de revolucionários, sempre são muitas as lições) a que me fez lembrar da via musical da família que a recebe, aí pertinho de ti. Eles cantam e espero que sempre cante suas vitórias e transformações.
            Por falar em música, e que coisa incrível, mais uma vez o Universal Circo Crítico lembra do saudoso Evandro do Bandolim. É que no dia em que recebemos Thiago, o pequeno italiano filho de uma amiga que anda pelas bandas da Itália, era o dia em que, anos atrás, perdíamos este artista mágico. Você nasceu no dia em que o mundo o ganhou. Evandro era paraibano e se destacou como um bandolinista de primeira linha no choro brasileiro.
          Lutadores do povo, soteropolitana, música aos montes... só poderíamos fechar esta conversa ao pé do seu ouvido falando de arte. Tá certo que foi em um 19 de março que perdemos Glauco Rodrigues, um artista profissional que, quando dedicava seu tempo ao lazer, continuava pintando. Um comunista por princípios, um gaúcho brasileiro, com sua obra espalhada Brasil afora... É claro que precisaríamos pintar nossa conversa com sua obra e, assim, deixar nossa última pequena e singela lição: pinte a vida, pinte seus aprendizados, pinte suas conquistas, suas lutas e enfrentamentos. Pinte sua alegria, suas brincadeiras, suas poesias, sua imaginação daquilo que imaginares...
            Nós, daqui do nosso palco, pintaremos nossa felicidade por recebê-la.

            Vida Longa a Vitória Cristina!
           
            Venham Todos!
            Venham Todas!

            Vida Longa!

Marcelo “Russo” Ferreira

PS: o quadro acima foi conhecida no http://www.paginadogaucho.com.br/pint/gl-11.jpg, mas não encontramos o nome da obra do artista Glauco Rodrigues.

domingo, 8 de maio de 2011

Mainha...



Ninguém vai conseguir matar aquele tempo,
Ninguém vai conseguir jamais: nem nós (...)”
(Janela sobre uma mulher/3 – Eduardo Galeano)

            Foram tempos diferentes, aqueles...
            Sempre que o Universal Circo Crítico faz suas viagens no tempo, sabemos disso.
            Havíamos nos mudado, um ano antes, para um apartamento, na Rua Dr. Cesar, Bairro de Santana, Zona Norte de São Paulo... pertinho do metrô.
            Nos primeiros tempos do apartamento, recordo-me de meu pequeno e infantil fetiche de “andar de elevador”. Painho/mainha ainda tinham o enorme Ford Galax que era meio espaçoso para guardá-lo na garagem do prédio, que era subsolo e, sempre que saiam, meio que assustavam os pedestres, pois era uma pequena rampa para a rua e ele/ela tinha que fazê-lo buzinando.
            Talvez tenha sido o tamanho do carro (enorme para crianças de 7 e 9 anos, à época) que fez painho trocar o velho Ford Galax cinza pelo lendário Maverick. Mas este tinha um moderníssimo Toca-fitas, e escutávamos Beth Carvalho, Elis Regina e Saltimbancos, e eu e minha irmã disputávamos o refrão puxado de “O Jumento” (mas eu sempre adorei o Cachorro da história) sempre que mainha colocava a fita (“O pão, a farinha, feijão, carne seca quem é que carrega? Hi-ho!”).
            Já em nosso apartamento (eram apenas dois por andar, e morávamos no 5º andar, com uma vista bacana – hummm... – da cidade), lembro que mainha tinha uma criação de passarinhos e um piano, do tipo baú.
            Vez por outra (mais vez que por outra), mainha tocava e, entre as outras vezes, com a porta do apartamento aberta. Lembro uma vez que nossos vizinhos resolveram seguir o som daquela música que mainha tocava e, que interessante e feliz coincidência, o fizeram numa das vezes em que a porta do apartamento estava aberta. E mainha tocou, orgulhosa toda, para as visitas.
            Também tínhamos um violão, um Del Vecchio, cuja fábrica não existe mais há muito tempo e que, segundo mainha, havia sido presente do Velho Vô Hiram e que tinha uma acústica fantástica que, à bem da verdade, meus razoavelmente bem treinados ouvidos nunca mais testemunharam outra igual. Mainha o tocava também, mas preferia o piano. Talvez por isso – e por minha particular qualidade musical, herança de minha artística família (nem todos da minha geração tiveram essa... sorte!) – foi no piano que tive minhas primeiras viagens musicais.
            Minha professora era a minha vó materna, Vó Célia. Tínhamos aulas duas vezes por semana, na casa dela. Eu estudava pela manhã (estava na 2ª série do primário – hoje Ensino Fundamental) e a tarde estudava piano.
            Gostava do passeio à Vila Madalena, onde minhas aulas aconteciam. Aprender a ler partitura (isso eu já esqueci) e “educar o ouvido”, ficando de costas para o piano enquanto minha vó tocava nas teclas para que eu dissesse as notas. Adorava as difíceis, quando ela me testava e tocava as teclas pretas, as sustenidas. E, claro, o bolo de cenoura com cobertura de chocolate após a aula.
            Em casa, entre minhas brincadeiras particulares (minha irmã estudava a tarde), meus desenhos no canal 7 e os estudos do piano, minha primeira incursão autônoma, “de ouvido”, foi Asa Branca. E nesta minha primeira incursão, tocávamos, eu e mainha, a quatro mãos. E tocávamos Asa Branca.
  O Piano que ainda sei que arranho (o suficiente para, em tempos do Afã – a lendária e desconhecida Banda de Rock de meus tempos paulistanos – ter uma música composta in-te-i-ra-men-te no piano) e o violão que me acompanha a vida até hoje (que, reitero, não tem a mesma acústica do bom e velho Del Vecchio de mainha) devo a estes tempos: de aulas de piano com minha vó, de estudos e treino em casa e de Asa Branca a quatro mãos com mainha.
  Tenho saudades destes tempos (que eram duros para meus pais, avó, tias... coisas da Ditadura). Mas, que bom que ninguém conseguirá acabar com os BONS TEMPOS daqueles tempos.

            Vida Longa a mainha!

            Venham Todos!
            Venham Todas!

            Vida Longa!

Marcelo “Russo” Ferreira

terça-feira, 3 de maio de 2011

Casamento Real...



“(...)
Lembro-me daquela estrada
Meu pai fumando charuto
Um casamento matuto
A noiva toda enfeitada
Depois o arrasta-pé
Você sabe como é,
Uma poeira danada.
(...)
(Walter Medeiros)

            Me desculpem aqueles que se maravilharam, aqueles que ficaram assistindo, que não perderam nenhum detalhe e coisa e tal.
            O primeiro trecho do documentário que ajudamos a democratizar meio que demonstra o que nos angustia quando nos deparamos com a notícia de que cerca de 2 bilhões de pessoas assistiram ao vivo o casamento de membros da família real britânica.
            Se a humanidade, se a imprensa mundial, se “grandes” líderes (entre aspas mesmo) mundiais conseguissem mobilizar tanta gente assim para romper com todas as formas de exploração no mundo, mal conseguimos – assim, na nossa lona de circo pequeno – imaginar como seria.
            Mas, o Casamento Real – assim chamado por ter unido, em uma celebração “vendida e comprada” pelas redes de comunicação do mundo inteiro, o príncipe Willians e a plebéia (não mais, aliás, uma plebéia até que bem abastada financeiramente) Kate Middleton – não dá p’ra ser chamado de... real.
            É claro que ficamos a pensar: realmente estava, o mundo, ansioso por saber como seria o vestido de Kate? Queríamos, realmente, conferir o desfile de chapéus das convidadas? Ver quem estava em os 300 convidados para a festa?
            Nos interessávamos, realmente, em saber que o carro com o qual o casal circulou “livremente” pelas ruas de Londres era modelo dos filmes de James Bond?
            Caça às gafes? Pra que?
            Casamento Real... Não tive dúvidas!
            Casamento que é chamado pelos felizes (hummm...) passantes entrevistados pelos jornalistas brasileiros presentes (mas bem separados da festa) nos festejos da realeza de “conto de fadas” não pode ser... real... nem conto de fadas.
            Mas, aqui passamos (em meio a notícias sobre a morte de Bin Laden) para inaugurar, também, este tema: Casamento Real, do tipo, Casamento de verdade...
            Ainda não o sabemos, de fato... mas o saberemos.
           
            O Universal Circo Crítico aqui anuncia: não será mais um Circo só... Nunca o foi, mas agora, será “não-só” diferente...
            Este circense irá casar...
            E, claro, iremos falar de um Real Casamento Real durante algum tempo...
           
            Venham Todos!
            Venham Todas!

            Vida Longa!
            Marcelo “Russo” Ferreira

            PS.: agradeço à companheira e professora Celi Taffarel por nos divulgar este fantástico vídeo. Ela o fez em tempos de “Feliz Páscoa”... nós optamos por este outro evento. Nada muda em sua denúncia.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Deu na Carta Capital: o Vale-tudo das "Olimpíadas"...


            “O senhor Gerente da 19ª GERÊNCIA DE CONSERVAÇÃO da SC/SUBEC/CGC, abaixo assinado, de acordo com o Art. 72 do RPT do Dec. “E” 3.800/70, determina a(o) COMUNIDADE VILA HARMONIA encontrada(o) na(o) AVN DAS AMÉRICAS 19019 E DEPOIS - RECREIO DOS BANDEIRANTES, que em obediência ao presente EDITAL, fica obrigado a, no prazo máximo de 0 dia(s) a contar do recebimento deste, DESOCUPAR ÁREA DE LOGRADOURO PÚBLICO – ÁREA RESERVADA AO TREVO (PRAZO IMEDIATO) - REFERENTE AO PROCESSO Nº 02/375342/2010 na(o) AVN DAS AMERICAS, ÁREA RESERVADA A TREVO - RECREIO DOS BANDEIRANTES, de acordo com as Normas da SC/COR...”
(Carta Capital, nº 642
20 de abril de 2011 - grifo nosso)

            O Esporte é Paz... o Esporte é Educação... o Esporte é Saúde.
            Jargões comuns, permanentes, quase inquestionáveis para este fenômeno historicamente construído, socialmente determinado: o Esporte!
            Em nome do Esporte, assistimos a alguns anos atrás a hipocrisia do futebol brasileiro, em vésperas de Copa do Mundo (2006), legitimar a ocupação de um país que a mais de século já o havia sido (ocupado), além de vendido, comprado e empobrecido por nações ricas do hemisfério norte: o Haiti.
            Em nome do Esporte, atletas “heróis da Copa de 1994” (quando o Brasil foi Tetracampeão mundial) fizeram um jogo amistoso na Chechênia (início de março deste ano) sem sequer conhecerem o contexto de conflito separatista e de estado, que desde os anos 90 do século passado tiram vidas. Foram jogar bola. Alías, Raí se arrependeu (www.rai10.com.br) e Cafú disse que "Fomos inaugurar um estádio e ponto final. Qual é o problema do cara que manda no país jogar com a gente? Se ele é um ditador ou se é gente boa não é problema nosso. Isso é um problema dele com o país dele - disse o ex-capitão da Seleção” (http://globoesporte.globo.com/futebol/noticia/2011/03/cafu-comenta-partida-na-chechenia-e-revela-surpresa-com-critica-de-rai.html).
            Em nome do Esporte, as grandes corporações da mídia esportiva brasileira e a CBF estão definindo o que assistiremos e, certamente, quem serão as equipes ad-eternas da primeira divisão do futebol brasileiro. Mais ainda, estão dizendo para o Norte, o Nordeste e o Centro-oeste brasileiros quais times temos que torcer.
            O Esporte já demonstra suas faces racistas e homofóbicas, há tempos. Para quem achava que havia sido apenas nos tempos de Hitler e da Segunda Guerra Mundial que esporte servia para mostrar quais raças são superiores e viris, é cego, mesmo se torcedor.

            Em tempos de preparativos para Copa do Mundo e Jogos Olímpicos (estes sempre confundidos com as Olimpíadas, que trata-se de outro fenômeno e momento do Movimento Olímpico), o que testemunhamos (tardiamente, pois as desocupações aconteceram em outubro de 2010) não acontece e/ou acontecerá apenas no Rio. Mais lá, por conta do evento de 2016.
            Aliás, há tempos testemunhamos a população mais carente sempre pagando a conta da viúva.
            A Copa do Mundo da África do Sul deixou um lucro para FIFA e patrocinadores folgado. Ao país africano uma dívida pública de cerca de 2 bilhões de dólares. A Vila Pan-americana (Jogos Pan-americanos do Rio, 1997) se transformou em empreendimento imobiliário apenas para quem tinha folgada disposição financeira. Nem o Universal Circo Crítico consegue montar sua lona ali perto.
            A Edição dos Jogos Olímpicos (não as Olimpíadas) do Rio, em 2016, já mostra mais uma face do Esporte moderno. Promover a privatização de uma riqueza cultural múltipla, global, manifesta em práticas corporais as mais diversas. E uma destas maneiras é expulsar o povo de sua história e, possivelmente, de suas populares práticas corporais. Isso, a título de valores baixíssimos de indenização ou moradias distantes.
            Antes dos Jogos Olímpicos, teremos a Copa do Mundo. Eu gosto de futebol, muita gente gosta de futebol. Mas será interessante que um evento desta magnitude demonstre, dois anos antes dos Jogos Olímpicos, o quanto de dinheiro e miséria, riqueza e pobreza será produzido nestes mega-eventos.
Tudo isso em nome do Esporte.
Um jargão, pelo menos, eu concordo: o Futebol promove ascensão social. Da forma, maneira e condição que o Capital quer – uma concentração de ascensão social – mas promove.

Venham todos!
Venham todas!... é preciso!

Vida Longa!

Marcelo “Russo” Ferreira

Em tempo: a CPI da CBF já era, antes de ter sido. Argumentam os parlamentares que uma CPI contra a CBF poderia prejudicar as obras dos Estádios e Aeroportos, já bastante atrasadas... ainda que lé não tenha nada a ver com cré!
Em tempo 2: por falar em “lé” e “crê”: Jogos Olímpicos é o evento! Olimpíada é o espaço entre uma edição e outra dos Jogos Olímpicos. Sacou?
Em tempo 3: Em princípio, o uso de qualquer marca dos Jogos Olímpicos (inclusive os históricos e os termos) são de exclusividade do Comitê Olímpico Brasileiro. Isso quer dizer que serei preso, neste artigo, 11 vezes diretamente e 2 indiretamente... Muito para um Circo tão... miudinho.
           

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Entre dias de luta...

Monumento Eldorado Memória

            “Seu dotô pede que eu cante
            Coisa da filosofia;
            Escute que eu vou agora
            Cantá tudo em carretia;
            O senhô pode escutá,
            Que se as corda não quebrá;
            Nem fartá minha cachola,
            Eu lhe atendo num instante;
            Nada existe que eu não cante
            Nas corda desta viola.”
            (Patativa do Assaré
Filosofia de Um Trovador Sertanejo)


            Ontem foi 17... Amanhã é 19!
            Talvez um dia essa pequena frase vire canção... Tem um rockzinho parecido, mas o tom é bem diferente.
            Até porque, o “ontem 17” e o “amanhã 19” só o são em abril. Em nenhum mês mais.
            O Universal Circo Crítico sempre se posicionou, e assim continuará, ao lado dos Lutadores e Lutadoras do Povo, seus professores mais importantes. E, neste mais um “Abril Vermelho”, em que os Movimentos Sociais Organizados Campesinos (principalmente) não deixam passar em branco o 17 de abril de 1996.
            Para esta “entre data”, que também indica um “ocidental e branco” Dia do Índio (não para estes, claro), lembramos que ainda estamos (e, aparentemente, ainda experimentaremos esta sensação durante muito tempo) muito distantes de uma Justiça Social no Campo e na Cidade para brancos pobres, negros, índios, campesinos, quilombolas, ribeirinhos, favelados. E sem luta, não a conseguiremos.
            Mas, os Lutadores e Lutadores do Povo sempre ensinam. E, nesta nossa singela homenagem, enquanto aguardávamos esta data, reproduzimos carta do Prof. Dr. Gilberto de Lima Garcias, do Curso de Medicina Veterinária da UFPel ao Reitor da mesma, após ministrar uma disciplina a alunos provenientes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que deram mais uma lição à Universidade Pública Brasileira.

“Magnífico Reitor da Universidade  Federal  de  Pelotas
Prof.  Dr. Cesar Gonçalves Borges

            Prezado Prof. Cesar
Encaminho-lhe esta correspondência para relatar uma excelente experiência pedagógica pela qual eu passei e, com isso, ratificar a boa escolha que nossa Universidade fez em relação ao Movimento dos Sem Terra. Devo declarar que aceitei a incumbência de trabalhar no processo de avaliação do grupo especial de vestibulandos para  o curso de Veterinária,  apenas pela dificuldade de dizer não a um amigo. Quando o Coordenador do Colegiado de Curso da Veterinária me convidou para trabalhar os conteúdos  de Biologia, a minha primeira intenção era dizer não, no entanto como  “ex-Veterinário”  e por mais de vinte anos professor de Biologia do ensino médio, achei melhor esquecer um pouco que atualmente sou Médico e aceitar o convite.  Nunca tive posições bem claras em relação aos sem terras, mas na maioria das vezes eu era contrário aos seus posicionamentos e a sua forma de agir. Foi com essa forma de pensar que me dirigi à cidade de Veranópolis para uma revisão de Biologia e posterior avaliação dos alunos.
A minha surpresa iniciou quando tive o primeiro contato com os alunos. Possivelmente nestes meus quase trinta e cinco anos de magistério ainda não tinha encontrado um grupo de estudantes tão dedicados em uma sala de aula. Alguns com maiores dificuldades e outros com menores (como é de costume em qualquer turma de estudantes), porém todos com um entusiasmo contagiante. Lá passei dia e meio. Nossas aulas iam das 8 horas às 19h, com pequenos intervalos e ninguém esmoreceu. Tenho certeza que aquele grupo irá formar um dos mais interessantes conjuntos de acadêmicos da nossa Universidade. Espero que os seus colegas de outros semestres sejam suficientemente sensíveis para que possam usufruir dessa convivência tão rica.
Parabenizo Vossa Magnificência pela coragem e por não ter esmorecido nesta empreitada. Outros professores, semelhante ao que aconteceu comigo, mudarão muitos dos seus conceitos e preconceitos após conhecer estes jovens.
Este é o meu mais sincero testemunho.

E.T.  - Na última aula um aluno recitou uma poesia de Antonio Gonçalves da Silva – O Patativa do Assaré: Homenagem aos Professores. Aí me lembrei que já faz algum tempo que muitos  alunos nem sequer se  despedem dos professores,  no final da aula...
                                              
          Prof. Dr. Gilberto de Lima Garcias
          Coordenador do Colegiado de Curso de Medicina
          Mestre e Doutor em Genética”


            Vida Longa ao MST!
            Vida Longa à Via Campesina
            Vida Longa!

            Venham Todos!
            Venham Todas!

            Marcelo “Russo” Ferreira


segunda-feira, 11 de abril de 2011

Dilemas das Relações Sociais: a juventude!



“esse silêncio todo me atordoa /
atordoado, permaneço atento.”
(Gilberto Gil e Chico Buarque)




            Jovens vão a shows, bebem, alguns usam drogas de todo tipo, saem em seus carros e motos a tiram vidas violentamente.
            Jovens atacados por jovens em Universidades e escolas país afora! Ora com facas, ora com capacetes.
            Jovem que entra em escola (onde estudou por cinco anos) e atira, não tão indiscriminadamente, em crianças que estão em sala de aula.
            Gangues numerosas (em quantidade – 25 só na capital paulista – e membros) racistas e homofóbicas crescem nos grandes centros urbanos e atacam indiscriminadamente pelas ruas destas cidades, “exportando” suas práticas e violência.
            Jovens participam de festas que prometem “brindes” (um colar, um ingresso para show) para as meninas que mais ficassem com meninos, em MG.
            Jovens que não conseguem sair do mundo das drogas, do crack e que são mais vítimas do que algozes, mas, mais fácil para nossa sociedade é vê-los como algozes, bandidos e criminosos e, desta maneira, mais fácil pensar em seu extermínio.
            E o esporte, este altar da educação, paz e saúde e que reiteradamente é palco de racismo e homofobia, agora coloca o voleibol brasileiro na berlinda que, até pouco tempo, só noticiava o futebol como palco destas expressões. O atleta Michael dos Santos (Vôlei Futuro), assumidamente homossexual, sendo achincalhado impiedosamente em partida realizada em Contagem/MG.
            Por outro lado (mas do mesmo lado), representantes públicos falam abertamente em imunidade parlamentar para defender a tortura, a homofobia, o racismo, ao ponto de incitarem o ódio até mesmo ao Continente Africano, vítima de uma ocupação européia de séculos a fio e que levou ao seu povo a guerra, a doença, a tristeza, a miséria.
            Já a mídia tupiniquim brinca, espetaculariza, banaliza e comercializa a tal ponto estes fatos que sequer percebemos o absurdo “jornalismo da exclusividade” na tentativa de entrevistar uma criança, saindo abalada da escola, tremendo até a alma, e saber o que aconteceu dentro da Escola Tasso da Silveira, no Realengo/RJ.
            Mídia e Estado (por suas representações públicas, típicas da democracia representativa) investem, e não assumem essa responsabilidade, na divulgação de valores racistas, consumistas e de uma desumanidade tacanha e individualista.
            Basta passearmos pelas ruas, a pé, de carro, de ônibus e percebermos as informações visuais e “escutacionais”. Outdoors de “popozudas” (mulheres de costas e em posição erotizada) ou com a proposição de produtos de padronização de beleza e juventude.
            Comerciais e programas regulares da TV aberta e fechada enfatizam, insistentemente, o TER em detrimento do SER, onde você é o que tem e (que ironia) não o que é.
            A tempos este nosso espaço, nossos artistas e público vem refletindo com mais cuidado estas questões, destacando que temos a sincera, humilde mas CONVICTA sensação: vivemos um tempo em que nossa juventude não tem esperança. E o que é esperança?
            Esperança é aquilo que todos sabemos e não temos a mínima ideia de como tê-la. É compreender que é possível e necessária uma vida melhor para todos e todas. É viver o presente, acreditando no futuro sem enterrar o passado. E o combustível, a força, a principal disposição de fortalecimento da esperança, para nós, é a indignação. Não aquela que nos toca momentaneamente... mas a que nos conduz diuturnamente nossos valores e atos.
            É olhar para os malabaristas e não esperar a hora de aplaudir seus feitos. É olhar para o domador e entendê-lo em sintonia com a natureza, e aplaudir esta sintonia. É rir com o palhaço e com suas brincadeiras e estas não são nem homofóbicas, nem racistas.
            Esperança é não apenas dizer o que espera do futuro, mas o que esperamos e fazemos do presente e o que necessitamos do passado, este também necessário.
            O fato de o Universal Circo Crítico ter esperança na juventude não nos impede nem nos desresponsabiliza da obrigação de denunciar: nossa juventude perdeu a esperança. E esta denúncia é, também, nosso sinal de esperança.
            O Universal Circo Crítico segue em “respeito silencioso”, daquele silêncio que ensurdece. Perdemos, dia a dia, jovens e mais jovens. E não falamos apenas daqueles que tombam: nosso artista Leonan, as crianças do Realengo, os jovens mortos pelas gangs racistas e homofóbicas. Falamos, também, daqueles que estão vivos, perdemos e deixamos seguirem seus caminhos... sem esperança.
            Venham Todos!
Venham Todas!... é necessário!
Marcelo “Russo” Ferreira