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segunda-feira, 16 de março de 2009

O Universal Circo Crítico... Dia do Consumidor...

"Um dia um excelente pescador estava voltando de mais um dia de pesca com o seu barco lotado de peixes (como de costume) e um amigo disse:
– Fulano, você é o melhor pescador destas redondezas, e porque não pesca o dia inteiro? Sempre sai de casa bem cedo e volta 10 horas da manhã e passa o dia sem fazer mais nada. Por que não pesca o dia todo, iria pescar muito mais peixe, poderia contratar empregados para te ajudar, poderia virar um grande empresário, com vários barcos, vários funcionários, e blá blá blá...
E o pescador pergunta para ele:
– Mas para quê você quer que eu faça isso tudo, ou construa isso tudo??
E o amigo responde:
– Oras, para ter muito mais dinheiro e ter uma vida tranquila.
Daí o pescador conclui:
– Mas é exatamente o que eu já tenho hoje, uma vida tranquila...."


Essa pequena história, enviada por uma amiga muito especial, meio que nos leva a refletir sobre o dia de ontem – 15 de março, que, diferente de outros anos, ganhou um pouco mais de destaque público, ainda que tímido.
Uma rápida pesquisa sobre “de quem foi a idéia” do dia do consumidor, nos leva a um discurso do então Presidente dos EUA, John Kennedy (em 15 de março de 1962) que, em síntese, defendia o direito do consumidor ser escutado... Estranho isso. Bom, ou seja, existe o Dia Mundial do Consumidor.
No Brasil, dois marcos, parecem-me, levaram esta data ganhar espaço (como disse, ainda que tímido): a instituição do Código de Defesa do Consumidor (veja que interessante: num 11 de setembro... em 1990) e a oficialização da data, pela Lei Federal nº 10.504, de 08 de julho de 2002.
Dados históricos a parte, fiquei pensando em algumas coisas sobre o dia, sobre o consumidor, sobre o consumo.
Primeiro: não existe o Dia do Cidadão. Procurei, pesquisei, google, wikipédia, acheaqui. Até em sítios virtuais de vendas (americanas, sony, submarino) eu procurei. Não tem. E se tiver, foi mais fácil encontrar informações sobre o dia do Consumidor. E, de cara, a primeira e mais fiel impressão de que fomos levados a nos sentirmos mais como consumidores do que como cidadãos.
Tudo bem que exista do Dia do Professor, o Dia do Motorista, o Dia do Aviador. Mas, todos eles e os demais (o índio, o negro, o ribeirinho) são, em síntese, consumidores. Essas e outras datas, inclusive, fazem de todos nós MAIS consumidores. Dia dos professores – compram-se presentes! Dia das Crianças – compram-se presentes! Dia da Páscoa – compram-se presentes! Natal, Dia da Mulher, Dia dos namorados e assim seguimos a sina de todos os Dias de Alguma Coisa: seguimos comprando.
E, neste sábado último, durante minha aula da Universidade, eu e meus alunos, quase todos no último ano de curso superior, assistimos a um vídeo interessantemente didático, sobre a origem das coisas, ou a história do consumismo, além de pesquisar uma coisa aqui, outra ali (não era a primeira vez que eu assistia). Cheguei a algumas pequenas, mas importantes, informações:
1. Consumimos o dobro do que se consumia a 50 anos atrás;
2. Nós já consumimos cerca 33% dos recursos naturais exterminados nas últimas três décadas;
3. Vivemos um tempo em que 5% da população mundial consome 30 % dos recursos naturais do planeta. Se o mundo consumisse igual aos EUA, precisaríamos de cinco planetas;
4. O Dia Mundial do Consumidor não reflete sobre aqueles que não tem nada para garantir sua posição de consumidor ou consumidora. Se não são consumidores, não têm valor;
5. O consumo nos levará a uma escassez de matéria prima que já produz legiões inteiras de andarilhos, constituindo inúmeros ambientes a um nível de erosão do eco sistema tão grande que obriga a essas legiões de nômades, cerca de 200 mil pessoas por dia, a se deslocam de suas raízes para um lugar que certamente não conhecem. E certamente continuarão a passar necessidades. Se juntarmos esse número ao de pessoas que fogem de suas casas, sua terra, sua gente por conta da guerra, esse número chegará a cerca de 500 mil pessoas/dia (ou mais). Essas legiões se transformam em pessoas que dão graças a Deus por conseguirem ser explorados... se chegarem em algum lugar.
Ah! É muito difícil levarmos nossas mentes e corações neste Dia do Consumidor a lugares tão longínquos assim? Então pensemos; por que raios o som da TV sempre aumenta “sozinho” na hora do comercial? Podem reparar, aumenta sim!
Pois bem... por essas e muitas, mas muitas outras, aquele e-mail, recebido por uma pessoa querida, diz muita coisa.
Eu espero que, neste dia que se passou, tenhamos enfrentado o consumo.
Que, neste Dia do Consum(idor)o, tenhamos olhado para as pessoas nos olhos, falado com elas, as escutado. Que tenhamos escutado nossas músicas preferidas, cantado nossas músicas. Quem sabe escrevermos músicas, poemas, crônicas, poesias novas e cantado e declamado gratuitamente. Que possamos ter dado muitos e muitos abraços, de graça, o tempo todo. Que possamos ter sorrido, desde aquele sorriso bobo, de canto da boca, tipo “saudade gostosa de sentir” da pessoa que se ama e, talvez, esteja longe até escancaradas e ensurdecedoras risadas, daquelas que quase tiram o fôlego. Que neste dia tenhamos olhado para frente, para o futuro e para o presente.
Talvez mais do que tudo isso, que neste dia e todos os dias que virão, possamos realmente compreender o que significa lutar pela vida, pela humanidade. E, oxalá, percebamos que a luta por uma vida melhor, não é uma luta individual e, muito menos, uma luta por mais coisas.
Quem sabe, em esse dia chegando e mais gente se vendo como sujeito da história da humanidade, ainda possamos fazer deste mundo, um mundo suficiente para que toda a humanidade siga feliz e revolucionariamente forte.
Feliz Todos os Dias de Luta!

Venham Todos!
Venham Todas!

Vida Longa!

Marcelo “Russo” Ferreira

2 comentários:

  1. Oi Marcelo!Valeu pela informação,vou divulgar sobre este dia...nem sabia que existia. Também concordo com vc o triste é saber que somente consume quem tem...e tb para que tanto consumo somos apenas um em cada um de nós!
    Um abraço!
    Dricka

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  2. Tereza França18 março, 2009

    Sempre muito inteligentes e atuais teus comentários e/ou reflexões, são provocativos e deixam-nos com interrogações. Concordo contigo,mas não penso em um Dia do Cidadão e sim um Mundo Cidadão. Mas, a quem interessa? Esta é a grande questão.Cidadão é propriedades,mesmo que sejamos diferentes.
    E por falar em diferenças. Este Palahço poderia também, diferentemente da expressão de tristeza ter uma expressão de alegria,por termos pessoas preocupadas com as diferenças.
    Com pernambucanidade Tereza França.

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Vida Longa!
Marcelo "Russo" Ferreira