RESPEITÁVEL PÚBLICO!

VENHAM TODOS! VENHAM TODAS!

Mostrando postagens com marcador Mídia e TV. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mídia e TV. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

O Patrulhamento Ideológico...


“A Liberdade de Imprensa é também uma das principais palavras de ordem da ‘democracia pura’. Os operários sabem e os socialistas de todos os países reconheceram-no milhares de vezes que esta liberdade é um engano enquanto as melhores impressoras e os estoques de papel forem açambarcados pelos capitalistas, e enquanto subsistir o poder do capital sobre a imprensa” (Lenin)

... o que dizer, então, dos Picadeiros de Circo mundo afora...
Foi esses dias... falamos do mau uso do termo “Doutrina”, como se fosse uma coisa de uma única expressão ideológica... Algo como “O comunismo é uma doutrina ideológica”, mas o capitalismo não.
Só faltam dizer que o capitalismo é “naturalmente humanizador”... mas não é doutrinário.
Como estamos atuando firmes (e não somos os que mais fazem isso) nas ocupações (Escolas Públicas, Universidades, Institutos e, em alguns lugares deste país, as Câmaras Municipais), é claro que também entendemos mais o que significam os ataques que elas estão recebendo. Daí, as ocupações são, tipo, “coisas do mal” e quem luta contra elas são “coisas do bem”...
Além destas participações e os entendimentos advindos delas, nosso picadeiro de terra batida e lona furada de circo também não fugiria da responsabilidade e compromisso para com sua manifestação em favor delas. E assim o fazemos. E nem achamos que somos tão bons assim... Afinal, somos um picadeiro de terra batida e lona furada de circo...
E somos um picadeiro tão pequeno...
Nem acreditávamos que incomodávamos tanto assim.
Afinal, existem blogs mais atentos, dispostos ao debate dia-a-dia e todos os dias. A gente aqui mal dá conta de sistematizar nossas viagens.
E até temos umas viagens que a gente curte fazer.
O que dizer da “batida” que nossa Circembléia recebeu recentemente?


– Tá na hora de convocar mais uma, Russo. Até porque o causo aqui é sério... Estamos sendo vigiados (Strovézio)...
– É vero, Strovézio... É vero...
– Também, né? Com os buracos na nossa lona, é facin, facin a gente ser vigiado...
– E a pois, Strovézio... E a pois...


Pois bom.
Mesmo sendo um espaço tão singular, tanto quanto humilde... com “tão poucos” seguidores, ainda que sempre bem visitado nos dias de “espetáculo” (nossas publicações). Mesmo sendo o Universal Circo Crítico um espaço bastante intimista, até, como é nossas “Conversas ao Pé de Ouvido..”. Ou os nossos sempre presentes “Discursos de Formatura...”.
Nem sabemos, na verdade, se nossos recentes “Escutei por aí...” tem, de alguma maneira, aumentado o roll de “escutantes” dos artistas que conhecemos.
Em nossa humildade, desde 2008, ainda assim curtimos muito este espaço. Mais ainda, sempre recebemos com carinho, afeto e cambalhotas (vide, de novo, “O Circo Pegou Fogo”) até os que discordam da gente.
E eis que chega o dia em que Patrulhamento Ideológico chega em nosso picadeiro. Não nos surpreende, claro, o medo de assinar o nome, de assumir suas palavras, de dizer quem é... Em síntese: um covarde!



Pois bom... ou nem tão bom assim.
Assim como expressamos acerca da “Doutrina” – palavra que fica mais perigosa quando mau usada – rapidamente identificamos o Patrulhamento Ideológico o mesmo princípio: ele se dá sem neutralidade. Ele não “Pertence” a um lado ou outro.

O Nazismo exercia o patrulhamento ideológico...
O Stalinismo exercia o patrulhamento ideológico...
O Macartismo norte-mericano exercia o patrulhamento ideológico...
Assim o fazem os Partidos Políticos, à direita e à esquerda...
Assim o faz a Religião...
Assim o faz nossa 99% Mídia Brasileira e suas poucas famílias...
Assim o faz, também, até mesmo a Universidade. Afinal, este que aqui escreve já escutou a baboseira “reivindico que não se estabeleçam fundamentos ideológicos nesta comissão”, quando compus uma destas dentro da Faculdade.


E nem por isso concordamos com ele, pois segue exatamente o caminho contrário do bom debate e da disputa ideológica que se dá por ele.
Sim, a disputa é ideológico, nós chamamos ou aceitamos os debates para construir e estabelecer nossos argumentos, defende-los e convencer as pessoas sobre o que pensamos.
E o fazemos no mais humilde aprendizado marxiano (de Marx), na constante vigilância em recusarmos o conforto do consenso. O fazemos como “o bom debate” e “o bom combate”. O que somos, e entendemos que é necessário sermos, é VIGILANTES... e somos vigilantes conosco mesmo.
Mas, nunca é de menor importância denunciar... Afinal, parafraseando Mercedes Sosa cantando Victor Jara, o monstro é grande e pisa forte.


Ainda assim, o Universal Circo Crítico recebe esta mensagem com um misto de preocupação (sempre vigilantes) mas, também, sem perder a graça:

– Oooooopa, que é com a gente!!! (exclama Strovézio aos demais palhaços).
– Bora, Simbora! (palhaços em côro)
– Palhaços deste humano e bravo Picadeiro, o que diz o texto?
– “Nunca li tanta merda escrita”...(palhaços em côro).
– Leria nosso ligeiro visitante ao “falado”?????
– Nããããããoooo... Se ele leu era porque estava escrito!!!! (palhaços em côro)
– O que mais, nobres palhaços?
– “vou printar esse teu texto e colocar no meu banheiro para ele ser útil”...  (palhaços em côro).
– O que dizer, meus nobres camaradas de revolucionárias cambalhotas?
– LER É IMPORTANTE EM QUALQUER LUGAR... APROVEITE ! ! ! !

Não recuaremos... não importa o medo que vocês têm de nós...
Sempre seremos mais!

Venham Todos!

Venham Todas!

PS.: Tentamos remendar os buracos da Lona... Será que melhora?


sábado, 21 de maio de 2016

Os golpes após o Golpe nos golpes... A Comunicação Pública.




“A Imprensa livre é o olhar onipotente do povo, a confiança personalizada do povo nele mesmo, o vínculo articulado que une o indivíduo ao Estado e ao mundo, a cultura incorporada que transforma lutas materiais em lutas intelectuais, e idealiza suas formas brutas” (Karl Marx).


Este é um tema espinhoso...
Principalmente porque expressa um paradoxo: claro, defendemos a liberdade de Imprensa, e o fazemos (como a epígrafe expressa) por uma fundamentação explicitamente marxista. E a defesa da Liberdade de Imprensa se expressa, também, pela Liberdade de Expressão... que muitas vezes, por aí, nos assustam, como aquelas expressões referentes a “Volta da Ditadura Militar” ou “Bolsomito” e outras excrescências. E há piores.
Mas o elemento mais paradoxal (e, à bem da verdade, fundamento da expressão de Marx – que também era editor de Jornal) é que a luta pela Liberdade de Imprensa se dá, hoje mais ainda, porque temos uma Imprensa (e Mídia em geral) extremamente concentrada, no Brasil e no Mundo. E esta Imprensa também arroga-se o seu direito de “Liberdade”.
Ou seja, no final ao cabo, ao defendermos a Liberdade de Imprensa, os que mal ou pouco passam por este picadeiro de terra batida e lona furada já expressam seus gritos de (pseudo) indignação quando fazemos nossas ácidas críticas a Veja, Globo, Estadão e o escambal de meia dúzia de famílias que controlam 90% da mídia brasileira. Um algo superficial “Tá vendo? Mas critica a Globo! Fala mal da Veja!...”

– Mas vai falar bem destes aí como, Russo? (Strovézio).
– Nem por dó, né Strovézio?

Não era esta a manifestação de Marx. À bem da verdade, ele pode ser considerado um precursor da Imprensa Livre na história da humanidade, construindo uma imprensa vital para a organização proletária de seu tempo. E seu tempo tinha, no “berço” do capitalismo (a Inglaterra), um proletário analfabeto, inclusive entre aqueles que trabalhavam nas prensas de jornais e livros.
E por isso (também) Marx era um revolucionário. E a Imprensa hegemônica e burguesa de sua época expressão clara do que deixou, historicamente, de herança aos dias de hoje. Em síntese, onde não existe liberdade de imprensa, todas as demais liberdades são meras ilusões.
Ainda que aqui, nossa preocupação é com o que o governo interino michel temer está fazendo com a EBC (mais abaixo), bom lembrar nosso pequeno público: em 2015, jornalistas corriam mais perigo na Síria e no Iraque (com os conflitos bélicos encomendados por EUA e Europa – tá dando no que vemos na França, também entre os mais perigosos, com a conta do atentado ao jornal Charlie Hebdo) e no México (com um pesado conflito às voltas com o narcotráfico e o Estado). O Brasil terminou o ano em 5º lugar mais perigoso.
A imprensa tupiniquim se apressou em comentar a violência a jornalistas por estas terras, exemplificando-a com a morte do cinegrafista da Band Santiago Andrade, em 2014. E, nesta pressa, silenciou-se ante à violência do Estado (principalmente das Polícias Militares estaduais) contra jornalistas em exercício da profissão. 
Sobre isso, vai matéria da própria EBC – Agência Brasil.


Também se apressa, essa nossa imprensa de meia tigela, a apresentar como “exemplo de violência” os atos públicos em frente às emissoras (principalmente a Globo), ato bastante corriqueiro nas estranhas Jornadas de Julho, em 2013. Uma expressão, segundo a própria, da intolerância à liberdade de Imprensa.

Pois bom.
Se 2015 foi um ano que, por tantos outros motivos, não tivemos muito o que celebrar, 2016 – o ano em que o Brasil ratificou sua caricatura de “República de Bananas” – não deixa por menos. A violência contra jornalistas continua, e pelos mesmos agentes do Estado.
Mas a violência se amplia de maneira muito mais perigosa quando o Estado – na figura tosca de michel temer – desrespeita a Constituição, exonera o Presidente da EBC Brasil (que não é cargo de confiança do executivo), e a imprensa hegemônica hurguesa tupiniquim silencia.
De mais um ato fruto do golpe e de um governo de meia pataca (e com poder), talvez nem nos surpreenderíamos. Apenas acusamos as consequências. Mas da imprensa optar pelo silêncio cumpliciado contra os seus próprios, inclusive com clara expressão de ataque (mais um) à constituição?
A presidência da EBC, dentre outras características que a fazem pública e independente, tem mandato de 4 anos, e que não coincide com o mandato do/a presidente/a. O meia-pataca do temer, nomeando novo presidente, além de agir com o mesmo toma-lá-dá-cá político – que nossa imprensazinha de merda chama de “arrumação técnica e política” – o faz infligindo flagrantemente a Constituição e, pior ainda, cerrando a última trincheira de mídia televisiva independente deste país (porque a TV Cultura de São Paulo já foi para o espaço faz tempo).
Segue a matéria... dos tempos (não mais agora) de independência da EBC.
É assim...
Assistimos estes dias a forte organização do mundo artístico frente ao cerramento das portas do Ministério da Cultura (que virou pasta nas mãos do DEMo), da vã tentativa de colocar uma mulher à frente da nova secretaria (com a vampira da Marta Suplicy de agente de convocação... e só levou fora) e das ações que o segmento está fazendo Brasil e mundo afora (como no tapete vermelho – comunista? – de Cannes)



O temer, por temer não conseguir manter a decisão, voltou atrás.A coisa tá resolvida? O mesmo movimento que venceu este capítulo continuará avançando?
Já não basta uma imprensa golpista, manipulatória, comercial e de capital privado? Esta imprensa já não está sendo suficiente para os sabores e festança de uma das mais hipócritas manifestações públicas e estatais de combate a corrupção, com sua colaboração e cumplicidade? E que compõe o que temos de pior do lixo cultural que se fabrica por aqui?
Ainda querem acabar com o que temos de melhor e mais independente no Jornalismo televisivo brasileiro?
O que mais ainda vai acontecer?

– Será que vão bater na nossa porta, hein Russo?
– Porque bateriam, Strovézio? Somos tão pequenos... terra batida, lona furada, público restrito (porque somos poucos conhecidos)...?
– Justamente por sermos pequenos...
– Hummmm... faz sentido.
Da nossa parte, deixamos as lições de ousadia e alegria de jovens secundaristas de São Paulo que fazem a reportagem da Globo correr... Nada como testemunhar uma jornalista com medo de expor opinião... e a justificativa tosca (e mentirosa) de que está lá apenas para cobrir, com isenção e neutralidade, os fatos.


Nosso convite é para reforçarmos a defesa da Empresa Brasil de Telecomunicações, assinando o abaixo-assinado que segue.
ASSINEM!!!!!!!!!!



Se funcionou com o MinC, há lutas mais a lutar.

A Imagem vale para SBT, RECORD, BAND... os canais religiosos...

Venham Todos!
Venham Todas!


sexta-feira, 3 de julho de 2015

A Greve VI... Outras Lutas e a Imprensa...


            Falar, neste picadeiro de terra batida e lona furada, sobre greve tem sido uma experiência, digamos, humilde, corajosa e, de certa maneira, um misto de solitária e solidária.
            Humilde, porque nos rogamos o direito de sermos criticados (franca e fraternalmente) pelo que pensamos. Já vimos nossos convites de “Venham Todos! Venham Todas” ser respondido por aí com “Não mesmo!”... e, pelos aprendizados de nossos artistas, sorrimos sempre.
            Corajosa, ué! Porque é lição de Aprendiz de Lutador e Lutadora do Povo nunca perdermos a coragem. E ela não é só física. É a coragem de nos indignarmos com a coragem de ter esperança. É a coragem de enfrentarmos e estarmos sempre solidários aos que – inclusive enfrentam mais.
            – Tipo assim, né? Convenhamos: tu é homem! Enfrenta um valentão com mais “força” do que uma mulher, pequenininha, que enfrenta o mesmo valentão com ousadia e determinação (Palhaço).
            – Não que não tenhamos ousadia e determinação, Strovézio. Mas é uma ótima alegoria.

            Já o misto de solitário e solidário, é porque nosso Circo é assim mesmo. Pequeno, somos poucos e, vez em quando, nos sentimos solitários ante aos que nos escutam (ou leem). Mas, como diria nosso Menestrel Milton Nascimento, “o solidário não quer solidão”. Por isso somos solidários sempre, porque, também, nunca nos sentiremos sozinhos.
            – Ou, por não sermos solitários, somos essencialmente solidários (Palhaço).
            – Isso... e não se trata de reciprocidade construída, mas de valores que estão presentes em nossa formação e luta.

            Pois bom...
            A greve é, portanto, e inexoravelmente, um ato de Humildade e Coragem. Sabemo-nos pequenos ante aos nossos “patrões” e, ao mesmo tempo, temos a coragem de enfrenta-los. A greve é um ato de solidariedade e solidão (ante, por exemplo, aos que dão às costas à luta, às perdas, ao desmonte, ao avanço do Capital, a exaustão do trabalhador).
            Mas, é quando percebemos que a Burguesia teme a Luta é que sabemos (e sempre soubemos, na verdade) o tamanho de nossa força. O quanto assustamos a Burguesia e o quanto os “fura-greve”, “pelegos”, burgueses de meia pataca também teme serem fortes. Preferem serem serviçais que ganham pequenos presentes.
            – Como aqueles deputadozinhos da Câmara Federal, né? Os, hoje, 323! (Palhaço).
            – Dá até tema de música, Strovézio...
“O 323 do 171! Prende todos, não fica um!”... Ulha!
Bom...
Ontem, 02 de julho, uma de nossas Artistas mais qualificadas, mandou-me um vídeo. Era uma reportagem ao vivo de uma afilhada da Globo (Pernambuco) do NETV 1ª Edição. Falava sobre a paralização da Policia Civil de Pernambuco, num ato com milhares de Policiais Civis, Escrivãos, Agentes e Delegados, na sempre fantástica Rua da Aurora, em uma manhã de chuva (e toma guarda-chuva), por condições de trabalho, melhoria da carreira, aumento de salário, ou seja, bandeiras comuns das greves nas IFES...
Cacei, cacei, cacei... no youtube, no site da Globo (tinha que pagar para assistir, vigi!), no google, no wikileaks, wikipedia, wikiwiki, wikiscambal... Não encontrei. Só achei as reportagens escritas.
O âncora do Jornal é o já mui conhecido Hugo Esteves...
– Esteves onde, esse cabra? (Palhaço)...
– Não bagunça, Strovézio...
– kkkkkkkkk

O Repórter de campo era Eduardo Moura e que estava em posição privilegiada (privilegiadíssima, considerando a “qualidade” da TV Globo), em cima do carro de som, entrevistando uma das lideranças do movimento, Aldo Cisneiros, do Sindicato dos Políciais (SINPOL).
Durante a entrevista, o Eduardo Moura comentava que a população que passava por lá, ainda que tendo que desviar o caminho por conta da grande paralização que fechava a rua, apoiava e aplaudia o movimento.
Mas é quando a matéria volta para o estúdio que a pérola se revela. Eis a fala de Hugo Esteves, ao vivo... sem chance de ser editada...


Destacamos a fala:
Aí que mora o perigo. Quando a população dá o parecer favorável aos policiais, a este protesto, o movimento fica muito forte. (...) Se o governo não chegar a um acordo (...) a polícia inteira vai parar” (ESTEVES, H., sem página, 2015, grifos meus – pra ficar mais acadêmico).

– Uau! Os caras revelaram... têm realmente medo da gente, dos trabalhadores, a mobilização, do apoio da população à mobilização (Palhaço).
– Pois é, camarada Strovézio... Pois é... Mas, atenção! Sempre muita atenção!

É preciso sermos justos. Não foi a primeira vez que testemunhamos a população apoiando movimentos de greve, na contramão da postura da Imprensa em querer fazer justamente o contrário, no bom e velho blá-blá-blá de quem greve só prejudica trabalhador, estudante, cliente e o escambal.
Houve até momentos em que também testemunhamos a Imprensa recuar e criticar os patrões (tanto no ramo privado, quanto o Estado/Governo).
Mas, e minha memória não é, à bem da verdade, a melhor enciclopédia, não foram muitas as vezes em que vi a Imprensa assumir o medo que tem.
Mas, parafraseando o próprio âncora global... aí é que mora o perigo!
Quando a Imprensa Burguesa, que sempre foi aliada do Capital, assume que teme os trabalhadores, significa que suas formas de enfrentar os trabalhadores se agudizarão... E muito...
Ou... 
Quando a burguesia e a sociedade defende os militares na "esperança" de dar voz aos cartazes, faixas e palavras de (dura) ordem pela volta da Ditadura Civil-Empresarial-Militar no Brasil...
Muito o que se pensar em um escorregãozinho ao vivo, né?

– Mas. Diga lá! Dá gosto ver quando os caras dizem que tem medo da gente, né não? (Palhaço)
– Ah! Isso até dá, Strovézio...

Venham Todos!
Venham Todas!


quarta-feira, 25 de março de 2015

Roda Viva... morrendo.

"Tem dia que a gente se sente
Como quem partiu e morreu.
A gente estancou de repente
ou foi o mundo então que cresceu..."
(Chico Buarque)









            Lembro, quando ainda era uma criança entrando na fase de adolescência, que havia, em casa, uma dinâmica particular com a Televisão. Claro, houve um tempo “nebuloso”, quando a rua ainda não me era o lugar de relações sociais intensas, e os “enlatados” da Globo e da Record (eram os inúmeros seriados americanos que passavam na TV) quase que tomavam conta da programação em casa.
            Mas houve momentos ímpares e interessantes que, de certa maneira, iam construindo meu mundo político e artístico particular. E esses momentos tinham seu lugar de encontro: a TV Cultura de São Paulo.
            Três fatos marcaram minha relação com a TV Cultura, não necessariamente aqui numa relação cronológica ou de qualquer outra ordem.
1. Quando a saudosa banda de Rock de meus tempos paulistanos (o Afã – a qual já postei algumas de suas canções aqui) tocou em um Festival da canção do Liceu de Artes e Ofícios (onde estudava o nosso baterista) e, nos palcos da TV Cultura ganhamos o Festival de 1989 – com Negro Albatroz;
            2. Quando, nos tempos de Colégio Salesiano, participamos do Programa “É Proibido Colar” (e lembro que fizemos uma paródia com a música “Ponteio”;
            3. Alguns programas monumentais que fui assistindo ao longo dos tempos: “Daniel Azulai”, X-tudo, Som Pop (Rock’n’roll de primeiríssima), Ensaio, Viola Minha Viola, o próprio “É Proibido Colar” (com o jovem Antônio Fagundes) e... Roda Viva.
            Cheguei a assistir ainda em minha adolescência o Roda Viva, que sempre passava às segundas-feiras. Lembro uma vez em que nosso saudoso Professor Antônio Carlos (Português e Literatura) nos chamou a atenção sobre o que assistíamos na TV e eu tinha assistido o Roda Viva na véspera (com Leonel Brizola) e comentei em sala... Quase viro o “quadradão” da turma e por pouco não sou “expulso” do fundão.
            Muitos anos se passaram e muitas personalidades de qualidade passaram pelo Roda Viva. Assisti Marilena Chauí, Washington Novaes, o saudoso Milton Santos, a fan-tás-ti-ca entrevista de Sebastião Salgado (quando lançou Êxodos, trabalho seguinte ao fabuloso ensaio “Sem Terra”), Lula (antes de ser Presidente), Almino Afonso, Lobão (ainda com algum miolo no juízo), João Pedro Stédile. Também nomes como Marco Maciel (DEM de Pernambuco, ex-vice presidente de FHC), à qual não convirjo em qualquer patamar político e ideológico, mas que possibilitava debate COM conhecimento... E com entrevistadores que faziam jus ao convidado, inclusive com um perfil que permitia o debate divergente e até antagônico...
            Mas, o “Roda Viva”, nos últimos anos, e sob o domínio político de 24 anos do PSDB paulista está morrendo... e muito.
            Nesta última segunda, com a não mais independente TV Cultura articulada com a Editora Abril e o Panfleto “Veja”, o Programa convidou uma das personalidades mais vazias que já vi no cenário político brasileiro. E, claro, um perfil de convidados (e de mediador) tão superficial quanto sua capacidade (absurdamente ausente) de respeitar a história daquele centro, daquela “cadeira” no meio do Roda Viva.
            Trata-se do tal “criador” do “Vem Pra Rua”, Rogério Chequer.
            Em síntese...
            Nenhuma pergunta sobre “por que fazer o ato em 15 de março?” (teria que dizer da saudade da posse de presidentes da Ditadura ou da Marcha da TFP de 1964).
Nenhuma pergunta sobre “Já que vão pra rua contra a corrupção, por que vocês poupam os casos de Corrupção do PSDB Paulista (Metrô) e Mineiro (Furnas)?”.
Nenhuma pergunta sobre “se vocês são suprapartidários, por que entrar na campanha de Aécio Neves em 2014?”.
Ou “e por que a camisa do Brasil/CBF, se também é representativa da corrupção e ditadura do Futebol brasileiro e para quem o ‘Queremos Saúde e Educação padrão FIFA’ também era para ser endereçado nos atos de 2013?”.
Nenhuma questão que o provoque sobre as primeiras bandeiras de luta de 2013 que era o aumento das passagens de ônibus em São Paulo e a violência policial (acompanhada do descaramento dos Jornalões em mentir sobre o que acontecia nos atos do Movimento Passe Livre).
            Uma bancada de entrevistadores comprometida com o Grande Capital, com os principais Meios de Comunicação – Abril, Estado de São Paulo, Folha de São Paulo – e com a notícia de um lado só.
            E um entrevistado de meia pataca, que é “empresário de apresentação de power point” (mas com grande capacidade de eloquência), que se coloca contra a regulação da imprensa (sem sequer conseguir explicar o que é “Liberdade de Imprensa” e o que ele acha da ação do Governo do Estado de São Paulo – PSDB – na TV Cultura) e que mal consegue responder questões sobre a organização financeira do “Vem pra Rua”.
            Longe, mas uma eternidade de “longidão” do que era o “Roda Viva” de muitos anos atrás.
            Mas, o que sempre preocupa nossos Artistas, de nossa lona de circo furada e nosso picadeiro de chá batido não é apenas o que eles destroem (pois para a destruição do Capital sobre os Trabalhadores, sempre há resistência e Luta, sempre existirão os Lutadores e Lutadoras do Povo)... mas, também – e talvez, principalmente – o que estão fazendo renascer e crescer.
            Ao final do que assisti nesta segunda-feira, dia 23 de março, uma única certeza: a imbecilização ganha força, atrai mentes e corações. Aí, o grande perigo.
            Venham Todos!
            Venham Todas!

Marcelo “Russo” Ferreira

PS.: uma matéria interessante: vale a pena:



quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Tragédias, preconceitos e imprensa...



 
“Tá difícil assistir a tv nesses dias,
Aliás é sempre difícil
Onde vai parar a exploração da dor alheia?
Se ao menos isso ajudasse
as pessoas a se indignarem
Se ao menos provocassem alguma ação,
Alguma mudança na legislação e na fiscalização
Mas não, isso só serve pra aumentar
 o ibope e o merchandising
O melhor é desligar a tv ...”
(de Zaira Valeska, nobre Lutadora do Povo)


            Foi em 27 de janeiro passado... todo mundo (e o mundo todo) soube, acompanhou, assistiu a depoimentos, postou, compartilhou, curtiu (isso soa estranho), seguiu no Face, publicou em blog e por aí vai...
            Bom, o Universal Circo Crítico, nessas horas, sempre fica assim, meio que “bservando!”, até porque gostamos de ouvir, ver, ler o que o mundo produz sobre fatos pontuais. Mas, é preciso destacar: desde o primeiro momento, além da tragédia em si, muitas coisas começaram a nos inquietar. E parte significativa dessas coisas (fatos, manifestações, falas etc.) expressava o que, vira-e-mexe, nosso Picadeiro denuncia.
            Como que uma tragédia, como a que aconteceu em Santa Maria (terra que conheci acerca de 15 anos e que mantive contato com muitas pessoas desde então) consegue mobilizar o preconceito? E o que faz a nossa imprensa sobre tragédias como essas?
            Comecemos pela Imprensa... Ela sempre a mesma, como vampiro competidor, abre um campo de batalha pela melhor notícia, a mais correta, as imagens exclusivas e, principalmente, usar a dor alheia para sua promoção... Muitas vezes para a promoção de seu conservadorismo, de seu reacionarismo tacanho, milico, tupiniquim...
            Primeiro, o Estadão, jornaleco quase-hegemônico-paulista (que, junto com Folha de São Paulo, Veja, Época, Liberal, Globo e essas porcarias de poucas e fartas famílias) que tentou sair na frente a custa de qualquer dor, lágrima, angústia alheia...
(http://www.bluebus.com.br/o-estadao-procurando-detalhes-em-santa-maria-e-logo-retirou-os-posts/)
                        Assim como todos os órgãos de imprensa e mercado que “erram” na dose da informação, do marketing e por aí vai, retiraram rapidinho...

            Reportagens? Entrevistas com jovens sobreviventes? Pais, mães, irmãs, irmãos? Amigos? O Choro expresso, triste, dolorido e o microfone no nariz de quem sente dor... E isso não foi agora, não é de hoje... pergunto se é o que se ensina nos Cursos de Jornalismo país afora...



            Mas, à bem da verdade, temos nossa imprensa crítica, verdadeira, idônea e transparente. Artigo de Matheus Pichonelli, na Revista Carta Capital (http://www.cartacapital.com.br/sociedade/santa-maria-e-aqui/) consegue ser sereno, sério e atento... pena que são poucos. O “Público” prefere mais um Alexandre Garcia.
            – Huuuuuuu!!!! Fora! Calhorda! Huuuuu!!!! (manifestação da platéia de nosso Circo, apenas isso).
            Porém, o que nos espanta é que (e isso se repete, é preciso reconhecer) o preconceito também se manifesta nesta hora. Nas imagens abaixo, apenas o lamento da manifestação de, ninguém mais – ninguém menos, o Secretario Estadual de Comunicação do Estado do Pará, ao referir-se ao nome da Boate Kiss, de Santa Maria: Santo Entretenimento Ltda. Aqui, trata-se do homem forte que faz a ponte do Governo do Estado com a ORM (filiada da Globo no Pará).

http://uruatapera.blogspot.com.br/2013/01/secretario-faz-chacota-com-morte-dos.html
             Já a manifestação da tal Patrícia Anible, não há muito o que dizer...


             Porém, ainda fica uma questão que muito me angustia: ficamos felizes em saber que, em meio à tragédia da Boate Kiss, Governos Municipal, Estadual e Federal mobilizaram esforços para os atendimentos médicos (mais urgentes) e, também, de atendimento social e psicológico às famílias e amigos das vítimas. Parece-me, apenas parece-me, que não houve falta de leitos, não houve falta de médicos, cirurgiões, enfermeiros, ambulâncias, helicópteros, macas, psicólogos e, com o perdão da palavra, o “escambau”... Até profissionais destas e outras áreas atuando solidariamente, fora de seus turnos de trabalho, sem hora extra.
            Então, porque falta tudo isso, todos os dias, em hospitais públicos, pronto-socorros, Postos de Saúde e por aí vai?
            Não... não creio que seja “insensibilidade” deste apresentador em um momento de tanta comoção social frente a uma tragédia que impressionou o mundo todo... É a sensibilidade de quem assiste, no mesmo mote de nossa incompetente, desumana e vampira imprensa brasileira, a cobrir, diuturnamente, matérias de tragédias alheias em frente destes mesmos hospitais, postos de saúde e pronto-socorros Brasil afora.

            Uma coisa eu concordo: o que aconteceu em Santa Maria desperta inúmeras preocupações sobre os serviços públicos e privados de nosso tempo. Uma pena que fazem isso de maneira tão vil e superficial...

            O Universal Circo Crítico solidariza-se com o Povo de Santa Maria e todos/as aqueles/as que perderam (ou talvez ainda venham a perder, face aos mais de 70 feridos em estado grave) pessoas queridas em 27 de janeiro.
            Nosso Circo chora, como chora sempre que tombam Lutadores e Lutadoras do povo sobre nosso picadeiro... Nossos Artistas e Público choram, lamentam, solidarizam-se com todos/as aqueles/as que são vítimas do preconceito, da imprensa malidiciosa, o lucro acima da vida. Três vilâs que se manifestaram naquele 27 de janeiro.

            Venham Todos!
            Venham Todas!

            Vida Longa!

Marcelo “Russo” Ferreira