RESPEITÁVEL PÚBLICO!

VENHAM TODOS! VENHAM TODAS!

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quinta-feira, 7 de maio de 2015

Vamos bater panelas...


           
Vamos bater panelas, toda vez que o Jornal Nacional começar. Façamos isso porque somos contra a corrupção (Globo é uma das maiores sonegadoras midiáticas brasileiras (Operação Zelotes não aparece nos jornais, por que?).
            Vamos bater panelas para Jornal da BAND, Jornal da Record, Jornal do SBT que seguem a mesma cartilha de “opinião livre” para o que querem comentar e silêncio ensurdecedor para o que querem manter no silêncio.
Vamos bater panelas em TODOS OS HORÁRIOS POLÍTICOS na TV e rádio... Todos! Inclusive o meu PCB, e os bravos PSOL, PSTU, PCO e todas as nossas contradições... Mas não deixem de bater panela para DEM, PSDB, PPS, PMDB, PSB, PR, PP e o Pescambal!
            Vamos bater panela contra Gilmar Mendes, que “senta em cima” do processo pelo fim da doação privada em Eleições no país há mais de um ano e ainda tira chacota de “tô nem aí para a opinião pública sobre o tema”.
            Vamos bater panela contra o Congresso e suas aprovações que nos conduzem aos tempos da Colônia: terceirização, desarmamento, diminuição da maioridade penal, retirada da indicação “T” nos rótulos de produtos transgênicos, por um lado e privilégios e mais privilégios do outro (auxílio moradia, auxilio paletó, auxilio viagem, auxílios, auxílios e mais auxílios).
            Vamos bater panela contra o Judiciário brasileiro, que se protege, cria privilégios próprios, escolhe o que julgar (e a favor de quem julgar), que prende ladrão de galinha e solta endinheirados.
            Vamos bater panela nos dias/horários de futebol na TV contra a corrupção da CBF. Quartas a noite e domingos a tarde, vamos bater panela (aguentem duas horas batendo panela, visse?).
            Vamos bater panela EM FAVOR dos professores deste país (muitos, aliás, conservadores, liberais e neoliberais, capitalistas assumidos – mas acho que não fazem greve) que apanham, levam rasteiras e balas de borracha no côro, gás lacrimogênio nos olhos (dos lados e por cima), mordidas de cachorros mal treinados.
Vamos bater panela contra os machistas de plantão... Bolsonaro’s pai e filho (e quem os admira) e seus parceiros públicos Brasil afora.
Vamos bater panela contra a homofobia, contra o racismo, contra a xenofobia e todas as formas de discriminação mundo afora.
            Vamos bater panela contra São Pedro, a cada dia que fizer sol e não chover em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, o único culpado pela “crise hídrica” no Sudeste. E a cada chuva torrencial que ele manda sobre outras áreas e regiões brasileiras que, como consequência, tem suas casas alagadas, invadidas, derrubadas e suas famílias abandonadas à própria sorte. Não batam panelas contra os Governos Estaduais e Municipais que deixam seu povo à própria sorte... bando de hipócritas.
Mas vamos bater panela para além de nossas fronteiras.
            Vamos bater panela contra a eternização do Apartheid insistente na África do Sul e contra o tráfico de pessoas entre o norte da África e a Europa.
            Vamos bater panela em favor da Intifada, porque não tem coisa pior do que palestinos com pedras enfrentar israelenses com armas.
            Vamos bater panela contra as guerras imperialistas que escolhem terroristas e protegem aliados.
            Vamos bater panela contra o fundamentalismo religioso mundo afora e, também, contra os que chacoteam com as imagens sagradas que não lhes dizem respeito...
            – a panela, assim, vai furar... (fala do nosso palhaço)

Vamos bater panela... por aplicativo, touch-screem, zapzap e no feicebuque...
Vamos bater panela... sei lá porque...


Contra latifúndio e seus agrotóxicos, contra bancos e seus lucros exorbitantes, contra a indústria do armamento (que investe em guerras para manter lucros), contra o chocolate da Cargill, Hershey, Nestlé, Barry Callenaut, Saf-cacao e Mars (coniventes com o Trabalho Infantil em Fazendas de Cacau na Costa do Marfim e Níger) ...

Aliás, combinemos... há muito “tudo isso aí” para se bater panela.
Aqui, talvez não batemos panela... aqui, vamos às ruas (mas sem chegar perto do “#VemPraRua”).
– Vai-te reto, bangalô três vezes! Flor-d´água, aperto de mão-de-choque, pezão na bunda!!! (de novo o nosso Palhaço, que não dá ponto sem nó...).

Para nós, por hora, panela não se bate. Panela se mata a fome... as palavras de ordem mobilizam melhor...

Venham Todos!

Venham Todas!... mas não me chamem para bater panela, se não for por tudo isso.

sábado, 11 de agosto de 2012

Uma Campanha Não-eleitoral...



"Não concordo com uma só palavra
do que dizes
mas defenderei até a morte
o teu direito de dizê-lo"
(Evelyn Beatrice Hall, sob pseudônimo de Stephen G. Tallentyre, em seu livro "Amigos de Voltaire" ("Friends of Voltaire", 1906).


             
            Eleições...
Cá estamos nós novamente.
O Universal Circo Crítico, seus artistas e, a depender do horário de seus mágicos espetáculos, vez em quando sofre com elas. E de maneiras diferenciadas.
Em 2010, por conta das Eleições Presidenciais e Estaduais (mas, é verdade, principalmente as presidenciais), nos deparamos com a hipocrisia do debate político (que, nem de longe superava o vazio do debate nacional, de projeto de nação, esse, totalmente ausente), o papel feio e desqualificado da mídia tupiniquim e a dificuldade de estabelecermos, amplamente, um debate de nação.
Nos posicionamos, naquele momento, mas também defendemos o que acreditávamos ser importante para o país o resultado eleitoral. Alias, sempre destacamos que já estamos convencidos de que o modelo democrático-burguês para eleições não funciona, apenas aprofunda o estado crônico e corrupto de nossa nação e, também, independente de quais bandeiras políticas estiverem no(s) governo(s), que este modelo de nação já está visceralmente dependente do capital privado, salvo raras exceções e resistências.
Mas, neste clima que já começa a fazer parte do dia-a-dia de todo cidadão brasileiro, da cidade mais pequenininha até as grandes capitais, queremos cometer nossa primeira ousadia e, portanto, convocar Trabalhadores da Educação e da Saúde (claro, outros podem entrar nessa fileira) a uma postura pública e determinante.
Que neste período eleitoral defendamos a seguinte proposta:


“NÃO VOTAMOS EM QUEM FAZ BARULHO EM FRENTE DE ESCOLA E DE HOSPITAL” (e, claro, Escola pode ser pública ou privada, creches, Universidades etc. e Hospital pode ser Clínica, Posto de Saúde, Ambulatório etc.).
Coloquemos faixas e mais faixas em frente de escolas, de hospitais, de nossas cassas também, de nossos pontos comerciais com a afirmação acima.
Que esses políticos, de carreira ou não, aprendam a fazer campanha dialogando com comunidades, com associações, com os segmentos da sociedade. Façam lá suas caminhadas, com fotos, sorrisos, apertos de mão e toda essa palhaçada...

– OPA! Palhaçada????
– Ops! Desculpe meus camaradas de Circo, Nariz de palhaço, calças folgadas e SImca Chambord!
– Tá, dessa vez passa!

Mas, se fizerem isso, façam sem barulho, sem carros de som, sem músicas barulhentas com o número, nome de candidato e refrões que nada dizem sobre sua proposta de trabalho ou projeto político (no legislativo ou no executivo municipal).
O Universal Circo Crítico lança sua primeira campanha eleitoral. Seus artistas e seu público, claro, podem propor outras.

Do Blog jerusafaust.blogspot.com

 Ainda falaremos mais!

Venham Todos!
Venham Todas!... sem carro de som, por favor!

Vida Longa
Marcelo “Russo” Ferreira

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Hipocrisia III: Liberdade de Imprensa (parte I)...


 

Artigo 7

“O Compromisso fundamental do jornalista é com a verdade dos fatos e seu trabalho se pauta pela precisa apuração dos acontecimentos e sua correta divulgação”

(Código de Ética do SJSP)

 

            Esse talvez seja o tema mais intrigante quanoo debatemos sobre a hipocrisia que toma ares de protagonista central das eleições atuais, na disputa ao governo federal. Aliás, possivelmente o tema que, em tese, menos se perderia tempo falando.
            Entendemos assim porque é recorrente as manifestações múltiplas, nas universidades, na internet, youtube, orkut, esquinas e seus bares, filas de cinema e posto de saúde, vizinhos em frente de casa: o jornalismo brasileiro mente. E é a Globo, a Record, a Band, o SBT... também falam da Rede Cultura, Rede Brasil...
            Não tem jeito, a mídia sempre manipula a favor de seus interesses. Mas, e aí vem a pergunta, né? Quais são os interesses?
            Não, nunca sabemos, no máximo, lançamos favas ao vento e falamos de interesses que flutuam sobre nossas cabeças: manter a audiência, os melhores artistas, as novelas com bam-bam-bans da TV brasileira, os melhores filmes. Ah! E tem as “exclusividades”... Eventos mega-esportivos (Copa do Mundo e Jogos Olímpicos, por exemplo, mas são muitos mais), entrevistas exclusivas...
            Não, a hipocrisia da liberdade de imprensa não se limita a isso. Isso tudo é muito pouco.
Hipocrisia III – como defender a liberdade de imprensa sem necessidade de ser responsável (parte I) (resgatando os acontecimentos na Escola Base, localizada no Bairro da Aclimação/São Paulo, em 1994).
Em uma pequena publicação na internet, no “O Globo” (ops!), em 13 de novembro de 2006, encontramos o título “Entenda o caso da Escola Base”. Nesta pequena publicação, resgata a memória dos leitores para aquele março de 1994, em que donos e funcionários de uma pequena escola de educação infantil foram acusados de abuso sexual contra as crianças ali matriculadas, com a ajuda de um casal... os donos da escola eram Ichshiro Shimada e Maria Aparecida Shimada.
Naquela oportunidade, a fúria pseudo (mais p’ra hipócrita) midiática, em busca de fotos, fatos, depoimentos, exclusividades junto aos inquéritos e uma avalanche de outras determinações de nossa imprensa brasileira construíram uma enxurrada de matérias e notícias diuturnamente. Todos os programas jornalísticos, inclusive aqueles estilo “revista eletrônica” (Fantástico, TV Mulher, etc.) rechearam – e “generosamente” – nossos lares de notícias sobre professores e funcionários de uma escola de educação infantil que abusavam das crianças, traindo a confiança dos seus pais que lá deixavam seus pequenos tesouros e seguiam para suas atividades de trabalho, domesticas e familiares.
É verdade que a polícia paulistana, em particular aquela que recebeu a denúncia, foi apurar (e vazou para a imprensa) e teve absoluta responsabilidade nessa história, pois informou a imprensa local sobre uma investigação que ainda iria ser iniciada e também deixou seguir o julgamento social feito a aquelas seis pessoas.
Daí, o que veio, nada mais evidente: Manchetes as mais sensacionalistas possíveis; câmaras de TV em frente à escola e na residência dos acusados, esperando uma imagem exclusiva; fotos nos jornais. E tudo isso somado a conversas e entrevistas com “especialistas” de toda ordem: pedagogos, psicólogos, gestores e o escambau!
Em julho de 2004, a justiça declarou os acusados de inocentes e os mesmos entraram com suas devidas reivindicações de indenização junto ao Estado de São Paulo (por conta da ação da polícia, principalmente) e uma dúzia de meios de comunicação.
Mas, o mais espantoso: os jornais leram uma “notinha”, informando a decisão da justiça... uma notinha para dizer “opa! Nos deixamos levar pela polícia paulista e pela sede de notícias e furos de reportagem”...
De Ichshiro Shimada e Maria Aparecida Shimada, uma pesquisa mais paciente irá nos dizer: um casamento destruído, dependência de antidepressivos, problemas de saúde os mais variados (e a convivência com crianças, em uma escola infantil deveria ser um ótimo remédio para a felicidade), profissionais que perderam qualquer oportunidade de trabalho, de construir família, de criar filhos... Recomeçar a vida jamais, sonhos destruídos p’ra sempre...
Foram, talvez (no telejornal que assisti, em 2004) 30 segundos, 1 minuto no máximo para noticiar que “a justiça os declarou inocentes”. Semanas de acusações, sensacionalismo jornalístico, fotos, imagens, “heróis” de toda hora e 1 minuto de “desculpas” (e, vamos combinar, nem pedido de desculpas foi).
O tipo da situação em que não se corre qualquer risco de perda de poder com quem foi acusado. Em 2004, eram pessoas destruídas que, naquele momento, passariam a outra luta inglória: receber do estado e das instituições jornalísticas (privadas) alguma indenização. E essa luta entrea em outro campo minado. Estado e Imprensa dizendo em sala fechada a essas verdadeiras vítimas: “ok, nós reconhecemos e o que oferecemos de indenização a vocês é R$ X,00” – possivelmente uma mísera conta de somar que não chega a fazer sombra ao cuspe que levaram na cara durante aquelas semanas de acusações... se não aceitarem, padeceram nas odes da nossa lenta justiça.
Disso, o Universal Circo Crítico não conseguiu muita coisa: o blog https://flaviaaleixo.wordpress.com (de 05 de abril de 2010) nos informa que a indenização ficou na ordem de R$ 1,5 milhão. Condenadas TV Globo, O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo (aquele da propaganda da imagem do Hitler) e a Revista Isto É.

(... pensando...)

E não pesquisem na Base Lattes do CNPq os donos da Escola Base... Claro que não serão encontrados mais nesta bela arte do trabalho dos homens: a educação!
Não se pode defender uma imprensa livre, liberdade de imprensa e esses chavões todos sem “responsabilidade de imprensa”. Uma imprensa livre não pode ser nem desonesta, nem mentirosa.
E, cá p’ra nós, a bola de papel no José “Rojas” Serra, foi o que em termos de editorial e editoração jornalística????
Tem mais sobre a nossa imprensa livre e irresponsável...

Venham Todos!
Venham Todas!

Vida Longa!

Marcelo “Russo” Ferreira

PS.1: para ajudar a quem se interessar sobre o tema (não só da Escola Base) vão aí umas dicas: (i) o livro “Falsas Acusações de Abuso Sexual e a Implantação de falsas memórias) de Andreia Calçada, organizado pelo ONG Associação de Pais e Mães Separados – Editora Equilíbrio); (ii) o artigo “A Punição Antecipada” de Herbert Gonçalves Espuny – Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo; (iii) e o blog “Mais um café, por favor!” de Flávia Aleixo, em particular, o texto “Para imprensa, acusado é sempre culpado. Muito cuidado...” (o blog, em si, não gosto muito não).


domingo, 1 de novembro de 2009

Silêncio...


“Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas fico calado,

faz de conta que sou mudo”

Meu País

(Orlando Tejo / Gilvan Chaves / Livardo Alves)

Silêncio... “estado de quem se cala / privação de falar / taciturnidade (arte de falar pouco)”, segundo o Aurélio... Assim passou o Universal Circo Crítico nas últimas semanas.

Não foi falta de assunto, como diria Oswaldo Montenegro em “Mudar Dói!” (mas não mudar dói muito). Foi apenas silêncio. Penso que, de um jeito ou de outro, mais ou menos (tempo absolutamente relativo em se tratando de silêncio), sozinho ou não, todos tem seus momentos de silêncio. Tive o meu.

Mas, ainda assim, e inspirado na voz de Zé Ramalho, na real, concreta e bela “Meu País”, meu silêncio, e consequentemente o silêncio do Universal Circo Crítico foi apenas de palavras ditas. Mas, sempre vendo tudo, fazendo de conta que somos mudos... mas. também somos mundo.

O silêncio recebeu Mariana no último dia 13 de outubro, a pequena já lutadora do povo, sobrinha de nosso grande Bruno (Brunão), nosso capoeirista humanizador e também lutador do povo que hoje se encontra lá pelas bandas de SC. Nossa pequena Mariana chegou entre nós com muita luta e assim seguirá sua vida, cercada de pessoas que a amam.

Nasceu também Rudá, mais um filho de lutadores do povo (Janine e Antônio) e que chegou com a melhor expressão daquilo que os une, pais e filho: a luta com amor! Em 03 de outubro, chegou Rudá, deus do Amor! Aliás, que dia especial para chegar o pequeno Rudá, vocês nem imaginam...

O silêncio também desvendou a ciência, a docência, a pesquisa... Ah! desvendou também seus olhares. Diferentes, divergentes, antagônicos olhares. E nós continuamos a defender que nem a ciência, nem a docência, nem a pesquisa e todas as ações e reações correlatas, direta ou indiretamente, não neutras. Ainda que digam que sejam neutros pesquisando, nunca o serão. E, ainda que não na sua superação de fronteiras, desvendou-se a ciência (e falo, neste momento, da Universidade Pública e das Entidades Científicas da Educação Física, onde circulo), comprometida com a manutenção do estado da arte de produtores (homens e mulheres) e seus produtos (resultado de seu trabalho) e continuaremos, infelizmente, testemunhando aqueles que formarão homens e mulheres para a subserviência. Eu não farei parte deste grupo.

O silêncio também angustiou. A América Latina, nossos “hermanos” continuam a nos dar lições de democracia e respeito à sua história. Bolívia, Argentina, Paraguai e, mais recentemente, o Uruguai vem abrindo seus podres porões da ditadura, os financiamentos dos EUA (e ainda mantém a Escola de Formação Militar que baseou a formação dos ditadores latinos), a prisão e condenação dos assassinos e torturadores. Nada disso mexeu um centímetro, uma grama, um mililitro sequer da paz e serenidade de seus estados, e o Estado Brasileiro continua guardando os cofres da ditadura a sete chaves. Na única (pseudo)demonstração de ir à fundo das atrocidades daqueles anos de chumbo (a busca de covas no Araguaia), é justamente as Forças Armadas que estão à frente. A soberania do povo brasileiro se fortaleceria imensuravelmente a partir do momento em que ela dominasse sua história... presente, passada e futura.

O silêncio me fez, mais uma vez, enojar diante de nossa mídia e de nosso jornalismo. Por que 7 mil pés de laranja, se foram 3 mil pés...? E eu não disse “só” 3 mil pés. Mas, porque aumentar? Aliás, 0,25% do total de pés de laranja da Cutrale. E por que assentir à farsa dos equipamentos danificados, se foram todos retirados da oficina da própria Cutrale e espalhados pelo pátio para dar a dimensão de dano provocado pelos Sem Terra? O tal do jeitinho brasileiro para recuperar a oficina, repleta de sucata, ás custas dos Movimentos Sociais ou, em última instância, do Estado? Por que não explicar, na notícia, o que significa 1,2 milhões de pés de laranja? Como assim “produtivo”, se é produção para exportação, apenas? Esse silêncio midiático não é justo, não é honesto e não é ético... Mas um Estado que permite que apenas seis grupos controlam toda a comunicação de um país, nada mais respondido.

Durante meu silêncio, minhas pequenas potiguares primas atletas ganharam medalhas. Illaninha pegou um bronze em Ginástica de Solo em Recife e Dinahzinha ganhou ouro e prata nos Estados Unidos (um tal de “Disney Martial Arts Festival” – nome repleto de contradições), em uma competição de Kung Fu. E, claro, as reflexões referentes a Rio 2016 (Olimpíadas ou Jogos Olímpicos?), que já fazem parte de minhas reflexões científicas, acadêmicas, docentes e políticas, passaram a compor as minhas reflexões familiares.

Durante o silêncio, prevaleceu o preceito de Orlando Tejo, Gilvan Chaves e Livardo Alves, em “meu país” que só uma voz de um cabra como Zé Ramalho pra gravá-la e publicizá-la, em detrimento do lixo artístico-musical que constantemente é lançado em nossos ouvidos.

“Um país que perdeu a identidade / Sepultou o idioma português / Aprendeu a falar pornofonês / Aderindo a global vulgaridade / Um país que não tem capacidade /
De saber o que pensa e o que diz / E não pode esconder a cicatriz / De um povo de bem, que vive mal / Pode ser o país do carnaval / Mas não é com certeza o meu país (...) Um país que dizima sua flora / Festejando o avanço do deserto / Pois não salva o riacho descoberto / Que no leito precário estertora / Um país que cantou e hoje chora /
Pelo bico do último concriz / Que florestas destrói pela raiz / E o grileiro de porre entrega o chão / Pode ser que ainda seja uma nação / Mas não é com certeza o meu país”

Tô vendo tudo...

Venham Todos!

Venham Todas!

Vida Longa!

Marcelo “Russo” Ferreira