RESPEITÁVEL PÚBLICO!

VENHAM TODOS! VENHAM TODAS!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Hipocrisia V: ficha limpa, transparência, honestidade no uso de recursos públicos etc...


 

 

 Quer conhecer o homem, dê poder a ele

(W. Lenin)

 

 

 

            A reflexão em epígrafe, confesso, me é incerta sua autoria...
            Sempre a escutei e a proclamei como sendo de Vladimir Ilitch Lenin, líder da revolução bolchevique de 1917, na Rússia. Porém, já vi expressões sobre esta fala entendendo-a como sendo de passagens cristãs, da vida de outro inquestionável grande revolucionário que este mundo já conheceu: Jesus Cristo.
            Tanto em Lênin, quanto em Jesus (ainda que muitos dos que passem por aqui “estranhem” essa vinculação histórica), uma coisa é certa nesta expressão: nada como o poder – não o “poder de decisão, vislumbrado por Paulo Freire em Pedagogia da Autonomia – para desvelar-se o homem.
            Se o homem tiver a chave do cadeado do portão da escola, ele se torna poderoso... se a chave é do cofre, tanto quanto. A diferença não está nem no homem, nem no poder que ele exercerá. Está apenas no valor material que existe após o portão ou dentro do cofre.
            E, por isso, nós do Universal Circo Crítico sempre nos posicionamos criticamente em relação ao estado democrático burguês, capitalista. Essa noção absurda, cada vez mais irreal e distante das relações sociais e das necessidades de um povo, de termos que “eleger” pessoas que dirão para nós o que é bom e, assim, decidirão por nós.
            Já tivemos isso na história recente do país. Dois exemplos, com algumas décadas de distância: no último governo militar, o Presidente General João Batista Figueiredo profetizava: “se é bom para os Estados Unidos, é bom para o Brasil”... Há fontes que nos indicam que não foi o último general da ditadura quem o disse, mas minha memória me leva a esta expressão quando o país imperialista estava sob a batuta de Ronald Reagan.
            A segunda, mais próxima de nossos dias: em 2008, quando a (mais uma) crise do capitalismo real em sua expressão neoliberal entrou em novo colapso, todos os Estados da  América do Norte e Europa cortaram tudo em nível de políticas sociais. O Brasil foi na contramão e toda a imprensa nativa (particularmente o PIG) e as lideranças políticas de direita “desceram o verbo”: “tem que fazer como os outros estão fazendo, cortar tudo!”... Hoje, assistimos um cataclismo social e econômico na Europa (não apenas na França e Grécia, mas Portugal e Espanha estão entre os mais enforcados países do velho continente, ainda reflexo da crise de 2008) e nossa terra nativa anda razoavelmente bem no campo econômico... ainda que na perspectiva do consumo. Queriam que os poderosos que criaram a crise decidissem o que deveríamos fazer com ela.
            Mas o “poder de decidir” muitas vezes beira o limite da hipocrisia e, assim, cá estamos em nossa quinta versão
Hipocrisia V – como dizer que não tem ficha suja ou desvio de recursos públicos, tendo tudo isso... mas não dá para descobrir...
Em 2002, duas das revistas mais admiradas por este espaço (Carta Capital e Caros Amigos, além do site da Carta Maior) traziam reportagens importantes sobre o desmonte da Polícia Federal (vide “Hipocrisia II - como privatizar, não privatizando de imediato: A Universidade Pública como exemplo”).
Segundo a Federação Nacional dos Policiais Federais (FENAPEF) Nos 8 anos de governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) a Polícia Federal sofreu com o sucateamento imposto pelos tucanos. Não havia dinheiro para combustível das viaturas e para compra de armas e equipamentos; ameaças de despejo das delegacias eram constantes por falta de pagamento do aluguel; os servidores não tinham qualquer reajuste; e a autonomia da polícia era, por vezes, ameaçada”.
Estas informações se somavam, à época (2001/2002) ao fato de a PF só não ter sido extinta, concretamente, por conta de um acordo do então governo federal (lembrem-se, FHC) com o FBI que era quem “investia” recursos na PF brasileira. Ou seja, ela já estava sucateada e só não fechou porque tinha um dinheirinho do Tio Sam.
Mas ainda assim, a PF trabalhava, e muito...
Todos (mas se não todos, dá p’ra pesquisar) lembram dos tempos sombrios que pairavam sobre o Estado do Espírito Santo, precisamente nas questões da violência, em meados dos anos 90 do século passado. À época, nada diferente dos grandes estados da região sudeste, mas com a particularidade de a violência e o crime organizado estarem infiltrados nas altas esferas da sociedade, inclusive na Assembléia Legislativa capixaba.
Entra então uma figura que qualquer pesquisa no Google ajuda a entender: Dr. Geraldo Brindeiro, o Procurador Geral da República que, em anos de governo FHC, foi apelidado de “Engavetador Geral da República”... Algo do tipo assim: nenhuma denúncia era apurada, pois ele colocava na gaveta da mesa dele e aquela era esquecida.
Ah! Mas foi a Polícia Federal (sucateada, quase parada) quem investigou? Não muda nada... engaveta-se. No caso, o à época Ministro da Justiça Miguel Reale Júnior pediu ao Procurador Geral da República a “intervenção federal no Estado”, matéria que deveria seguir para o Supremo Tribunal Federal... Ela seguiu para a sala do então Presidente FHC que optou por encerrar o caso, entendendo ser politicamente inviável à época (2002, ano de eleições...).
Isso expressa a disposição e vontade dos tempos de FHC de se investigar, profundamente, todas as ações de corrupção e interesses privados sobre a coisa pública; no final das contas, durante o governo FHC (os oito anos) foram 28 as operações realizadas pela Polícia Federal. Cerca de 3,5 operações por ano. Não dava uma operação de investigação pela PF a cada quatro meses. Durante os 8 anos de governo Lula, foram 1.033... trinta e seis vezes mais operações. Foram uma média de 129 operações por ano e 10 operações por mês... O salário de toda a corporação passava a valer alguma coisa.

(... pensando...)

“Criar a Guarda Nacional ligada à Polícia Federal e ao Exército para cuidar das Fronteiras, dos Portos e Aeroportos”...
Está entre aspas porque está assim, no site do candidato tucano: http://serra45.com.br/proposta/seguranca (olha só, eu fazendo propaganda do site do tal)...
Não tem p’ra onde: a hipocrisia beira a cara-de-pau! Durante todo o período do governo da qual o tucano fez parte, todas as estruturas necessárias à investigações de crimes federais foram praticamente jogadas no lixo. Da Polícia Federal à Procuradoria Geral da República. E este senhor tem a cara-de-pau de defender a segurança nacional, dizendo que irá criar uma coisa que estará ligada a outra que, por pouco, não deixou de existir???
Assim, é fácil dizer que “tem ficha limpa” e nenhuma investigação sobre suas gestões: os segmentos e setores que podem investigar são amordaçados e algemados?!?!
Alguém se arrisca a uma opinião?

Venham Todos!
Venham Todas!

Vida Longa!

Marcelo “Russo” Ferreira

PS.1: Apenas para lembrar dos casos de corrupção que nos escapam a memória: Anões do Orçamento, dos precatórios, do DNER, da compra de votos para a reeleição em 1998 (vulgo “emendas parlamentares”), da SUDENE, da SUDAM, do FAT/PLANFOR, das Privatizações (a Vale foi leiloada e o dinheiro para a vencedora pagar a compra foi emprestado do BNDES – vulgo governo federal), do PROER (os Bancos a-do-ra-ram), da pasta Rosa, do Banestado e dos Bancos Marka e Fonte-Cidam...
PS.2: corrupção é corrupção... e temos que cobrar que sejam punidos todos os casos


segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Hipocrisia IV: Liberdade de Imprensa II...


Artigo 1º

Artigo 1º - O acesso à informação pública é um direito inerente à condição de vida em sociedade, que não pode ser impedido por nenhum tipo de interesse

(Código de Ética do SJSP)

 

            Dantesco!
Essa é a impressão do Universal Circo Crítico ante ao que assistimos semana passada em relação a aquilo que, durante um bom tempo, será a maior expressão de hipocrisia dos fatos transformados por interesses jornalísticos.
Primeiro, a bolinha de papel que, 20 minutos depois, provocam dores e tonturas e levaram um candidato a um exame de tomografia. As perguntas que recorriam desta situação, haja vista que o exame foi realizado em um hospital particular: (i) realmente o exame foi feito (considerando que era explicitamente uma farsa)? Ah! “Melhor melhorar” a pergunta: o exame foi feito em função da tonteira porvocada pela bolinha de papel?; (ii) quem pagou por uma tomografia (em hospital particular) que, em tese, não se fez necessária? Valeria a pena “pagar” por um exame que não fazia sentido?
Pior foi a imprensa, que tentou des-revelar o revelável: outro objeto atingiu o candidato (que, posteriormente, o concorrente jornalístico desvendou e desmascarou a anterior como sendo uma pessoa andando ao lado do [im]presidenciável).
Assistismos o horror das eleições, o baixo nível da campanha (e a internet tem sido refém deste baixo nível... reitero: REFÉM deste baixo nível), a manipulação de fatos e o obscurecimento de outros fatos. Assistimos a nossa incapacidade de decidir pelo que é fato, pelo que é concreto e, principalmente, de debatermos PROJETO, veja bem, PROJETO de Nação, que implica, dentre outros a soberania da nação brasileira.
Daí, nossa quarta reflexão:
Hipocrisia IV – como defender a liberdade de imprensa sem necessidade de ser responsável (parte II)
Estas semanas últimas, todo o movimento de bastidores dsa eleições estava focado nas inúmeras denúncias contra o Governo Lula e contra a antiga Ministra da Casa Civil – hoje candidata do PT à presidência da república, Dilma. Tanto o caso da Erenice Guerra (este, parece, realmente fato, mas punido), quanto o caso da quebra de sigilos fiscais de membros do PSDB e da filha e do genro de José Serra, estiveram novamente presentes, mas o segundo, com diferentes versões da imprensa acerca da única versão da Polícia Federal.
Porém, a hipocrisia da nossa “Liberdade de imprensa” talvez seja anterior à responsabilidade que ela deveria assumir – considerando o artigo 1º do Código de Ética do Jornalista, segundo seu Sindicato Paulista – ou seja, a de escancaradamente escolher o que apresentar e o que não apresentar em seus fatos jornalísticos. Pelo menos assumir, né?
Mas, por que não assume? A Revista Carta Capital de 2005 nos ajuda na resposta.
A seção “Brasiliana” do exemplar semanário Carta Capital, nº 371 de 7 de dezembro de 2005 trazia o seguinte título: “De Bonner para Homer”, assinado pelo sociólogo e jornalista, professor da ECA/USP, Prof. Laurindo Lalo Leal Filho. Neste artigo, contava o passeio de algumas horas realizado por (constrangidos) professores de nove diferentes cursos de jornalismo, a convite da Globo, para conhecer o funcionamento do Jornal Nacional e algumas outras instalações da mesma.
Em determinado trecho a crônica jornalística destaca a pesquisa realizada pela Globo, na qual “identificou o perfil do telespectador médio do Jornal Nacional. Constatou-se que ele tem muita dificuldade para entender notícias complexas e pouca familiaridade com siglas como BNDES, por exemplo”.  Assim, o telespectador do Jornal Nacional foi apelidado de Homer – o Simpson, preguiçoso, burro e que passa o tempo todo no sofá comendo rosquinhas e bebendo cerveja – e, na sequencia da matéria, um relato interessante.
Bom, todo mundo que passa pelo Universal Circo Crítico sabe quem é Bush Júnior (aquele que declarou Guerra em nome de Deus e com mentiras sobre o Iraque), sabe quem é Hugo Chaves (presidente da Venezuela que voltou, em 2002, após dois dias do fracassado golpe de estado, ao Palácio Miraflores, “carregado” pelo povo venezuelano) e, acredito, deve se lembrar do Furacão Katrina, em 2005, que devastou o estado americano de Massachusetts.
Bom, reunindo todos eles, mais Willian Bonner e Homer Simpson temos o seguinte: um povo (negro, pobre, mas americano) devastado por um furacão e pela desatenção do Estado (cujo presidente aumentava sistematicamente os recursos para a Guerra no Iraque e Afeganistão, enquanto não dava apoio ao seu povo em seu próprio país), que estava sem energia elétrica e que teria a ajuda de empresas petrolíferas venezuelanas que venderiam 45 milhões de litros de combustível “40% mais baixos do que os (preços) praticados no mercado americano”... Esse combustível iria servir, dentre outros, para acender lamparínas e ajudar no aquecimento a óleo do povo daquele estado americano... enquanto o próprio país não tomava a decisão de ajudar seu povo de verdade.
Aos olhos do diretor-chefe do Jornal Nacional, “Essa (notícia) Homer não vai entender”.



(... pensando...)





Assistir aos programas jornalísticos de grande mídia, em qualquer tema, não causa apenas angústia, inquietação e indignação sobre o que eles acham que nós temos ou não temos condições de entender, mas a capacidade de explicar o que ELES não conseguem entender. No caso acima, a solidariedade de um Estado (a Venezuela) ao povo sofrido de outro Estado (mesmo que sendo os EUA).
Em tempos de eleição, mais do que “omitir” informações e notícias importantes para o nosso dia-a-dia, para que possamos qualificar a nossa capacidade de “liberdade de expressão”, temos um jornalismo que, nos tratando como Homer Simpson, mente, inverte, inventa notícias para atender aos seus interesses, quer privados, quer (aí o grande perigo) públicos...
Dá pena ver a tentativa de mentir até sobre o que acontece e o que não acontece em nossos atuais tempos de eleição.
Se mente a imprensa deste país, por que não podemos expressar isso?
Hoje, não temos a menor dúvida do que significaria uma eventual vitória do candidato tucano nas eleições a presidente do país. Seria, inequivocadamente, um recado a imprensa golpista brasileira: “podem mentir o quanto quiserem, que nós não iremos contestá-los!”
O Universal Circo Crítico, assim como outros blogs e a própria Carta Capital, é absolutamente contra o uso da violência física no exercício da democracia, por exemplo, no caminhar de um candidato em campanha. Até a bolinha de papel (assim como uma bexiga com água lançada a uma altura correspondente a 12 andares de um prédio) é, deveras, um ato violento, pois expressa uma intenção. Mas, ainda assim, a mentira é abominável e essa, efetivamente, não tem justificativa na imprensa brasileira. É o tipo de “liberdade de expressão” que não deve ser defendida.
Tem mais sobre a nossa imprensa livre e irresponsável...

Venham Todos!
Venham Todas!

Vida Longa!

Marcelo “Russo” Ferreira

PS.1: Não é possível encontrar na internet o artigo do professor Laurinho Leal. Mas, uma pesquisa no título permitirá o acesso a inúmeros artigos correspondentes. Damos a sugestão ao site do Mídia Independente Brasil: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2005/12/340153.shtml



sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Hipocrisia III: Liberdade de Imprensa (parte I)...


 

Artigo 7

“O Compromisso fundamental do jornalista é com a verdade dos fatos e seu trabalho se pauta pela precisa apuração dos acontecimentos e sua correta divulgação”

(Código de Ética do SJSP)

 

            Esse talvez seja o tema mais intrigante quanoo debatemos sobre a hipocrisia que toma ares de protagonista central das eleições atuais, na disputa ao governo federal. Aliás, possivelmente o tema que, em tese, menos se perderia tempo falando.
            Entendemos assim porque é recorrente as manifestações múltiplas, nas universidades, na internet, youtube, orkut, esquinas e seus bares, filas de cinema e posto de saúde, vizinhos em frente de casa: o jornalismo brasileiro mente. E é a Globo, a Record, a Band, o SBT... também falam da Rede Cultura, Rede Brasil...
            Não tem jeito, a mídia sempre manipula a favor de seus interesses. Mas, e aí vem a pergunta, né? Quais são os interesses?
            Não, nunca sabemos, no máximo, lançamos favas ao vento e falamos de interesses que flutuam sobre nossas cabeças: manter a audiência, os melhores artistas, as novelas com bam-bam-bans da TV brasileira, os melhores filmes. Ah! E tem as “exclusividades”... Eventos mega-esportivos (Copa do Mundo e Jogos Olímpicos, por exemplo, mas são muitos mais), entrevistas exclusivas...
            Não, a hipocrisia da liberdade de imprensa não se limita a isso. Isso tudo é muito pouco.
Hipocrisia III – como defender a liberdade de imprensa sem necessidade de ser responsável (parte I) (resgatando os acontecimentos na Escola Base, localizada no Bairro da Aclimação/São Paulo, em 1994).
Em uma pequena publicação na internet, no “O Globo” (ops!), em 13 de novembro de 2006, encontramos o título “Entenda o caso da Escola Base”. Nesta pequena publicação, resgata a memória dos leitores para aquele março de 1994, em que donos e funcionários de uma pequena escola de educação infantil foram acusados de abuso sexual contra as crianças ali matriculadas, com a ajuda de um casal... os donos da escola eram Ichshiro Shimada e Maria Aparecida Shimada.
Naquela oportunidade, a fúria pseudo (mais p’ra hipócrita) midiática, em busca de fotos, fatos, depoimentos, exclusividades junto aos inquéritos e uma avalanche de outras determinações de nossa imprensa brasileira construíram uma enxurrada de matérias e notícias diuturnamente. Todos os programas jornalísticos, inclusive aqueles estilo “revista eletrônica” (Fantástico, TV Mulher, etc.) rechearam – e “generosamente” – nossos lares de notícias sobre professores e funcionários de uma escola de educação infantil que abusavam das crianças, traindo a confiança dos seus pais que lá deixavam seus pequenos tesouros e seguiam para suas atividades de trabalho, domesticas e familiares.
É verdade que a polícia paulistana, em particular aquela que recebeu a denúncia, foi apurar (e vazou para a imprensa) e teve absoluta responsabilidade nessa história, pois informou a imprensa local sobre uma investigação que ainda iria ser iniciada e também deixou seguir o julgamento social feito a aquelas seis pessoas.
Daí, o que veio, nada mais evidente: Manchetes as mais sensacionalistas possíveis; câmaras de TV em frente à escola e na residência dos acusados, esperando uma imagem exclusiva; fotos nos jornais. E tudo isso somado a conversas e entrevistas com “especialistas” de toda ordem: pedagogos, psicólogos, gestores e o escambau!
Em julho de 2004, a justiça declarou os acusados de inocentes e os mesmos entraram com suas devidas reivindicações de indenização junto ao Estado de São Paulo (por conta da ação da polícia, principalmente) e uma dúzia de meios de comunicação.
Mas, o mais espantoso: os jornais leram uma “notinha”, informando a decisão da justiça... uma notinha para dizer “opa! Nos deixamos levar pela polícia paulista e pela sede de notícias e furos de reportagem”...
De Ichshiro Shimada e Maria Aparecida Shimada, uma pesquisa mais paciente irá nos dizer: um casamento destruído, dependência de antidepressivos, problemas de saúde os mais variados (e a convivência com crianças, em uma escola infantil deveria ser um ótimo remédio para a felicidade), profissionais que perderam qualquer oportunidade de trabalho, de construir família, de criar filhos... Recomeçar a vida jamais, sonhos destruídos p’ra sempre...
Foram, talvez (no telejornal que assisti, em 2004) 30 segundos, 1 minuto no máximo para noticiar que “a justiça os declarou inocentes”. Semanas de acusações, sensacionalismo jornalístico, fotos, imagens, “heróis” de toda hora e 1 minuto de “desculpas” (e, vamos combinar, nem pedido de desculpas foi).
O tipo da situação em que não se corre qualquer risco de perda de poder com quem foi acusado. Em 2004, eram pessoas destruídas que, naquele momento, passariam a outra luta inglória: receber do estado e das instituições jornalísticas (privadas) alguma indenização. E essa luta entrea em outro campo minado. Estado e Imprensa dizendo em sala fechada a essas verdadeiras vítimas: “ok, nós reconhecemos e o que oferecemos de indenização a vocês é R$ X,00” – possivelmente uma mísera conta de somar que não chega a fazer sombra ao cuspe que levaram na cara durante aquelas semanas de acusações... se não aceitarem, padeceram nas odes da nossa lenta justiça.
Disso, o Universal Circo Crítico não conseguiu muita coisa: o blog https://flaviaaleixo.wordpress.com (de 05 de abril de 2010) nos informa que a indenização ficou na ordem de R$ 1,5 milhão. Condenadas TV Globo, O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo (aquele da propaganda da imagem do Hitler) e a Revista Isto É.

(... pensando...)

E não pesquisem na Base Lattes do CNPq os donos da Escola Base... Claro que não serão encontrados mais nesta bela arte do trabalho dos homens: a educação!
Não se pode defender uma imprensa livre, liberdade de imprensa e esses chavões todos sem “responsabilidade de imprensa”. Uma imprensa livre não pode ser nem desonesta, nem mentirosa.
E, cá p’ra nós, a bola de papel no José “Rojas” Serra, foi o que em termos de editorial e editoração jornalística????
Tem mais sobre a nossa imprensa livre e irresponsável...

Venham Todos!
Venham Todas!

Vida Longa!

Marcelo “Russo” Ferreira

PS.1: para ajudar a quem se interessar sobre o tema (não só da Escola Base) vão aí umas dicas: (i) o livro “Falsas Acusações de Abuso Sexual e a Implantação de falsas memórias) de Andreia Calçada, organizado pelo ONG Associação de Pais e Mães Separados – Editora Equilíbrio); (ii) o artigo “A Punição Antecipada” de Herbert Gonçalves Espuny – Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo; (iii) e o blog “Mais um café, por favor!” de Flávia Aleixo, em particular, o texto “Para imprensa, acusado é sempre culpado. Muito cuidado...” (o blog, em si, não gosto muito não).


terça-feira, 19 de outubro de 2010

Hipocrisia II...

 

            Um dos temas que vem sendo debatido com ênfase (mas de qualidade duvidosa) neste processo mais recente do segundo turno das eleições presidenciais é a questão da privatização das estatais brasileiras.
            A dúvida acerca da qualidade do debate se dá, justamente, pela relação direta e onipresente a uma relação de consumo. A privatização, diriam seus idealizadores, foi bom para o mercado e para o consumo, pois qualificou a oferta.
            É evidente que a questão em si superficializa o que há de mais profundo deste tema. Pelo menos dois pontos gostaríamos de lançar mão: o primeiro de “profundidade superficial” que é a própria questão da capacidade de acesso aos bens de consumo e, nesta via, a minha condição de existência no estado brasileiro não mais como cidadão, mas como consumidor. “Eu sou o que consumo”, diria nas entrelinhas o poema “Eu, etiqueta” de Carlos Drummond de Andrade. “Meu nome novo é Coisa. Eu sou a coisa, coisamente”.
            O segundo ponto é que mantemos uma relação com o nosso mundo de “uso indiscriminado”, pois consumimos mais até o que não precisamos e, por isso mesmo, jogamos fora o que nunca usamos. Sugamos, porque consumimos – ao invez de convivermos – os bens natuais de todo o mundo e sequer nos damos conta disso.
            Assim, essa ode à privatização como possibilidade de acesso aos bens e serviços fica, no debate político e eleitoral, superficial ao extremos. Não há projeto (ou a ampliação deste debate) de sustentabilidade econômica e social neste debate.
            Porém, a hipocrisia toma um rumo interessante neste contexto e é dele que iremos falar:
Hipocrisia II – como privatizar, não privatizando de imediato: A Universidade Pública como exemplo (inspirado no legado do Professor Felippe Serpa, Bahiano, Educador, Reitor da UFBA e que realizou a morte” em 15 de novembro de 2003).
Regra 1ª – Dizer dioturnamente, até pegar: “A universidade pública brasileira precisa se adequar aos novos tempos” (e aí, faz um arrazoadozinho do que são os novos tempos);
Regra 2ª – pedir a opinião dos organismos internacionais (aqueles que protegem os ricos e poderosos quando crises – que esses ricos e poderosos provocaram – assolam seus países) sobre o papel da Universidade;
Regra 3º – aceitar, inconteste, as opiniões destes organismos (Banco Mundial, por exemplo);
Regra 4ª (já com a cartilha daqueles organismos em mãos) – fazer contas: qual o custo de cada aluno e o quanto ele porduz;
Regra 5ª – concluir que os cursos de Humanas e algumas Sociais e Econômicas “não produzem” e, portanto, não podem receber os mesmo recursos que as tecnológicas e exatas recebem (claro, temos excessões);
Regra 6ª (como consequencia da anterior) – destacar que o melhor modelo de formação superior e produção/sistematização do conhecimento é o positivista, pela capacidade de medir a construção e o que se produz em ciência;
Regra 7ª – após o cálculo apresentado, defender a tese da terceirização de serviços: xerox, Restaurante Universitário, Bibliotecas, transporte, cursos de extensão, prestação de serviços de segurança e limpesa etc.;
Regra 8ª – apresentar o novo cálculo: 30% do custo da Universidade Pública deve sair do bolso do estudante universitário;
Regra 9ª – concomitante a este didático processo financeiro, ampliar a instalação das Fundações;
Regra 10ª – estabelecer regras a estas Fundações, seguindo sempre a cartilha dos organismos internacionais;
Regra 11ª – promover a captação de recursos externos ao Estado (este, o Estado, não financia mais a Universidade Pública) e serão eleitos como os mais competentes financiadores: Empresas Privadas, Indústrias diversas e agronegócio... os “nós, etiquetamos” do poema de Drummond de Andrade;
Regra 12ª – Nunca, mas nunca respeitar o voto dado aos candidatos em época de eleições para a Reitoria: professor é chato; aluno fica pouco e funcionário técnico-admistrativo não é maduro o suficiente;
Alínea I da regra 12ª – se o candidato mais “alinhado” aos organismos acima citados vencer, tudo bem, pode confiar nos votos;
Regra 13ª – Lista tríplice é lista tríplice. Se o candidato vitorioso não for o mais querido do presidente da república (que nomeia o Reitor das Universidades Públicas no Brasil), ele não será “eleito”. Portanto, recorre-se à regra 12ª pela inexistência da Alínea I desta regra;
Regra 14ª – defender o processo de não-eleição para as Faculdades e, assim, os reitores “nomeiam” os seus diretores preferenciais;
Regra 15ª – ações de formação da opinião pública (esta regra é importantíssima):
Alínea I da regra 15ª – mostrar como são boas as universidades privadas comparadas às universidades públicas;
Alínea II da regra 15ª – encontrar professores da Universidade Pública que são meio “faltantes” e dizer que todos são assim;
Alínea II da regra 15ª – mostrar que os setores que “terceirizaram” e/ou recebem recursos de empresas privadas tem melhor material, melhores equipamentos, melhores professores (que recebem pelos projetos desenvolvidos a estas empresas) e maior garantia de ocupação de postos no mercado de trabalho;
Obs desta Alínea – ou seja, quando destes casos, o Mercado de Trabalho é perfeito, certinho, há espaço p’ra todo mundo... aff!
Regra 16ª – pesquisa de opinião, entrevistas com reitores renomados, pesquisadores da Forbes e Nature, grandes diretores de empresas e economistas pós-modernos, ampliação de produções científicas e livros desta corrente de pensamento da Universidade Pública;
Regra 17ª – o contrário é verdadeiro: nada de entrevistas com críticos da privatização da Universidade Pública, diminuição de recursos para períódicos, revistas, livros e congressos “mais críticos”;
Alínea I da Regra 17ª – “pitadas” de desqualificação destes pensadores ajudam: sugere-se o uso de termos como “ultrapassados”, “presos ao muro de Berlin”, “conservadores”. Pode-se criar até o exagero do rótulo: “marxista-leninista”, “stalinista”, “comunista” e “presos ao passado”...
Regra 18ª – estabelecer que a melhor maneira de produção e sistematização do conhecimento é aquela que responda, única e exclusivamente, as demandas do mercado
Uma pitada de terrorismo aqui, outra pitada de matérias jornalísticas ao estilo “Alice no país das maravilhas” acolá, a gravação de vários CD’s com “canções de Sereia” e está feito.



É preciso lembrar: foi exatamente isso que aconteceu no período do governo Fernando Henrique Cardoso... O sucateamento da Universidade Pública Brasileira como processo inconteste para justificar a sua privatização.
Não se privatiza apenas vendendo o patrimonio... Se privatiza tornando-o desnecessário ao Estado e convencendo a população que ele assim o é, enquanto patrimônio público.

Dia 31, Dilma presidente

Venham Todos!
Venham Todas!

Vida Longa!

Marcelo “Russo” Ferreira

PS.1: para quem gosta de documentários e também tem interesse em aprofundar essa particular compreensão da Universidade Brasileira, o vídeo “Convivências de Felippe Serpa” é um ótimo material áudio-visual.
PS.2: A Hipocrisia ainda é tema permanente... a terceira será sobre “liberdade de imprensa”...
PS.3: a foto ao final do texto foi democratizada pelo meu ex-aluno de tempos de Projeto Nossa Escola, Yuri... Um exemplo de jovem lutador.