RESPEITÁVEL PÚBLICO!

VENHAM TODOS! VENHAM TODAS!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Hipocrisia IV: Liberdade de Imprensa II...


Artigo 1º

“Artigo 1º - O acesso à informação pública é um direito inerente à condição de vida em sociedade, que não pode ser impedido por nenhum tipo de interesse”

(Código de Ética do SJSP)

 

            Dantesco!
Essa é a impressão do Universal Circo Crítico ante ao que assistimos semana passada em relação a aquilo que, durante um bom tempo, será a maior expressão de hipocrisia dos fatos transformados por interesses jornalísticos.
Primeiro, a bolinha de papel que, 20 minutos depois, provocam dores e tonturas e levaram um candidato a um exame de tomografia. As perguntas que recorriam desta situação, haja vista que o exame foi realizado em um hospital particular: (i) realmente o exame foi feito (considerando que era explicitamente uma farsa)? Ah! “Melhor melhorar” a pergunta: o exame foi feito em função da tonteira porvocada pela bolinha de papel?; (ii) quem pagou por uma tomografia (em hospital particular) que, em tese, não se fez necessária? Valeria a pena “pagar” por um exame que não fazia sentido?
Pior foi a imprensa, que tentou des-revelar o revelável: outro objeto atingiu o candidato (que, posteriormente, o concorrente jornalístico desvendou e desmascarou a anterior como sendo uma pessoa andando ao lado do [im]presidenciável).
Assistismos o horror das eleições, o baixo nível da campanha (e a internet tem sido refém deste baixo nível... reitero: REFÉM deste baixo nível), a manipulação de fatos e o obscurecimento de outros fatos. Assistimos a nossa incapacidade de decidir pelo que é fato, pelo que é concreto e, principalmente, de debatermos PROJETO, veja bem, PROJETO de Nação, que implica, dentre outros a soberania da nação brasileira.
Daí, nossa quarta reflexão:
Hipocrisia IV – como defender a liberdade de imprensa sem necessidade de ser responsável (parte II)
Estas semanas últimas, todo o movimento de bastidores dsa eleições estava focado nas inúmeras denúncias contra o Governo Lula e contra a antiga Ministra da Casa Civil – hoje candidata do PT à presidência da república, Dilma. Tanto o caso da Erenice Guerra (este, parece, realmente fato, mas punido), quanto o caso da quebra de sigilos fiscais de membros do PSDB e da filha e do genro de José Serra, estiveram novamente presentes, mas o segundo, com diferentes versões da imprensa acerca da única versão da Polícia Federal.
Porém, a hipocrisia da nossa “Liberdade de imprensa” talvez seja anterior à responsabilidade que ela deveria assumir – considerando o artigo 1º do Código de Ética do Jornalista, segundo seu Sindicato Paulista – ou seja, a de escancaradamente escolher o que apresentar e o que não apresentar em seus fatos jornalísticos. Pelo menos assumir, né?
Mas, por que não assume? A Revista Carta Capital de 2005 nos ajuda na resposta.
A seção “Brasiliana” do exemplar semanário Carta Capital, nº 371 de 7 de dezembro de 2005 trazia o seguinte título: “De Bonner para Homer”, assinado pelo sociólogo e jornalista, professor da ECA/USP, Prof. Laurindo Lalo Leal Filho. Neste artigo, contava o passeio de algumas horas realizado por (constrangidos) professores de nove diferentes cursos de jornalismo, a convite da Globo, para conhecer o funcionamento do Jornal Nacional e algumas outras instalações da mesma.
Em determinado trecho a crônica jornalística destaca a pesquisa realizada pela Globo, na qual “identificou o perfil do telespectador médio do Jornal Nacional. Constatou-se que ele tem muita dificuldade para entender notícias complexas e pouca familiaridade com siglas como BNDES, por exemplo”.  Assim, o telespectador do Jornal Nacional foi apelidado de Homer – o Simpson, preguiçoso, burro e que passa o tempo todo no sofá comendo rosquinhas e bebendo cerveja – e, na sequencia da matéria, um relato interessante.
Bom, todo mundo que passa pelo Universal Circo Crítico sabe quem é Bush Júnior (aquele que declarou Guerra em nome de Deus e com mentiras sobre o Iraque), sabe quem é Hugo Chaves (presidente da Venezuela que voltou, em 2002, após dois dias do fracassado golpe de estado, ao Palácio Miraflores, “carregado” pelo povo venezuelano) e, acredito, deve se lembrar do Furacão Katrina, em 2005, que devastou o estado americano de Massachusetts.
Bom, reunindo todos eles, mais Willian Bonner e Homer Simpson temos o seguinte: um povo (negro, pobre, mas americano) devastado por um furacão e pela desatenção do Estado (cujo presidente aumentava sistematicamente os recursos para a Guerra no Iraque e Afeganistão, enquanto não dava apoio ao seu povo em seu próprio país), que estava sem energia elétrica e que teria a ajuda de empresas petrolíferas venezuelanas que venderiam 45 milhões de litros de combustível “40% mais baixos do que os (preços) praticados no mercado americano”... Esse combustível iria servir, dentre outros, para acender lamparínas e ajudar no aquecimento a óleo do povo daquele estado americano... enquanto o próprio país não tomava a decisão de ajudar seu povo de verdade.
Aos olhos do diretor-chefe do Jornal Nacional, “Essa (notícia) Homer não vai entender”.



(... pensando...)





Assistir aos programas jornalísticos de grande mídia, em qualquer tema, não causa apenas angústia, inquietação e indignação sobre o que eles acham que nós temos ou não temos condições de entender, mas a capacidade de explicar o que ELES não conseguem entender. No caso acima, a solidariedade de um Estado (a Venezuela) ao povo sofrido de outro Estado (mesmo que sendo os EUA).
Em tempos de eleição, mais do que “omitir” informações e notícias importantes para o nosso dia-a-dia, para que possamos qualificar a nossa capacidade de “liberdade de expressão”, temos um jornalismo que, nos tratando como Homer Simpson, mente, inverte, inventa notícias para atender aos seus interesses, quer privados, quer (aí o grande perigo) públicos...
Dá pena ver a tentativa de mentir até sobre o que acontece e o que não acontece em nossos atuais tempos de eleição.
Se mente a imprensa deste país, por que não podemos expressar isso?
Hoje, não temos a menor dúvida do que significaria uma eventual vitória do candidato tucano nas eleições a presidente do país. Seria, inequivocadamente, um recado a imprensa golpista brasileira: “podem mentir o quanto quiserem, que nós não iremos contestá-los!”
O Universal Circo Crítico, assim como outros blogs e a própria Carta Capital, é absolutamente contra o uso da violência física no exercício da democracia, por exemplo, no caminhar de um candidato em campanha. Até a bolinha de papel (assim como uma bexiga com água lançada a uma altura correspondente a 12 andares de um prédio) é, deveras, um ato violento, pois expressa uma intenção. Mas, ainda assim, a mentira é abominável e essa, efetivamente, não tem justificativa na imprensa brasileira. É o tipo de “liberdade de expressão” que não deve ser defendida.
Tem mais sobre a nossa imprensa livre e irresponsável...

Venham Todos!
Venham Todas!

Vida Longa!

Marcelo “Russo” Ferreira

PS.1: Não é possível encontrar na internet o artigo do professor Laurinho Leal. Mas, uma pesquisa no título permitirá o acesso a inúmeros artigos correspondentes. Damos a sugestão ao site do Mídia Independente Brasil: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2005/12/340153.shtml



sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Hipocrisia III: Liberdade de Imprensa (parte I)...


 

Artigo 7

“O Compromisso fundamental do jornalista é com a verdade dos fatos e seu trabalho se pauta pela precisa apuração dos acontecimentos e sua correta divulgação”

(Código de Ética do SJSP)

 

            Esse talvez seja o tema mais intrigante quanoo debatemos sobre a hipocrisia que toma ares de protagonista central das eleições atuais, na disputa ao governo federal. Aliás, possivelmente o tema que, em tese, menos se perderia tempo falando.
            Entendemos assim porque é recorrente as manifestações múltiplas, nas universidades, na internet, youtube, orkut, esquinas e seus bares, filas de cinema e posto de saúde, vizinhos em frente de casa: o jornalismo brasileiro mente. E é a Globo, a Record, a Band, o SBT... também falam da Rede Cultura, Rede Brasil...
            Não tem jeito, a mídia sempre manipula a favor de seus interesses. Mas, e aí vem a pergunta, né? Quais são os interesses?
            Não, nunca sabemos, no máximo, lançamos favas ao vento e falamos de interesses que flutuam sobre nossas cabeças: manter a audiência, os melhores artistas, as novelas com bam-bam-bans da TV brasileira, os melhores filmes. Ah! E tem as “exclusividades”... Eventos mega-esportivos (Copa do Mundo e Jogos Olímpicos, por exemplo, mas são muitos mais), entrevistas exclusivas...
            Não, a hipocrisia da liberdade de imprensa não se limita a isso. Isso tudo é muito pouco.
Hipocrisia III – como defender a liberdade de imprensa sem necessidade de ser responsável (parte I) (resgatando os acontecimentos na Escola Base, localizada no Bairro da Aclimação/São Paulo, em 1994).
Em uma pequena publicação na internet, no “O Globo” (ops!), em 13 de novembro de 2006, encontramos o título “Entenda o caso da Escola Base”. Nesta pequena publicação, resgata a memória dos leitores para aquele março de 1994, em que donos e funcionários de uma pequena escola de educação infantil foram acusados de abuso sexual contra as crianças ali matriculadas, com a ajuda de um casal... os donos da escola eram Ichshiro Shimada e Maria Aparecida Shimada.
Naquela oportunidade, a fúria pseudo (mais p’ra hipócrita) midiática, em busca de fotos, fatos, depoimentos, exclusividades junto aos inquéritos e uma avalanche de outras determinações de nossa imprensa brasileira construíram uma enxurrada de matérias e notícias diuturnamente. Todos os programas jornalísticos, inclusive aqueles estilo “revista eletrônica” (Fantástico, TV Mulher, etc.) rechearam – e “generosamente” – nossos lares de notícias sobre professores e funcionários de uma escola de educação infantil que abusavam das crianças, traindo a confiança dos seus pais que lá deixavam seus pequenos tesouros e seguiam para suas atividades de trabalho, domesticas e familiares.
É verdade que a polícia paulistana, em particular aquela que recebeu a denúncia, foi apurar (e vazou para a imprensa) e teve absoluta responsabilidade nessa história, pois informou a imprensa local sobre uma investigação que ainda iria ser iniciada e também deixou seguir o julgamento social feito a aquelas seis pessoas.
Daí, o que veio, nada mais evidente: Manchetes as mais sensacionalistas possíveis; câmaras de TV em frente à escola e na residência dos acusados, esperando uma imagem exclusiva; fotos nos jornais. E tudo isso somado a conversas e entrevistas com “especialistas” de toda ordem: pedagogos, psicólogos, gestores e o escambau!
Em julho de 2004, a justiça declarou os acusados de inocentes e os mesmos entraram com suas devidas reivindicações de indenização junto ao Estado de São Paulo (por conta da ação da polícia, principalmente) e uma dúzia de meios de comunicação.
Mas, o mais espantoso: os jornais leram uma “notinha”, informando a decisão da justiça... uma notinha para dizer “opa! Nos deixamos levar pela polícia paulista e pela sede de notícias e furos de reportagem”...
De Ichshiro Shimada e Maria Aparecida Shimada, uma pesquisa mais paciente irá nos dizer: um casamento destruído, dependência de antidepressivos, problemas de saúde os mais variados (e a convivência com crianças, em uma escola infantil deveria ser um ótimo remédio para a felicidade), profissionais que perderam qualquer oportunidade de trabalho, de construir família, de criar filhos... Recomeçar a vida jamais, sonhos destruídos p’ra sempre...
Foram, talvez (no telejornal que assisti, em 2004) 30 segundos, 1 minuto no máximo para noticiar que “a justiça os declarou inocentes”. Semanas de acusações, sensacionalismo jornalístico, fotos, imagens, “heróis” de toda hora e 1 minuto de “desculpas” (e, vamos combinar, nem pedido de desculpas foi).
O tipo da situação em que não se corre qualquer risco de perda de poder com quem foi acusado. Em 2004, eram pessoas destruídas que, naquele momento, passariam a outra luta inglória: receber do estado e das instituições jornalísticas (privadas) alguma indenização. E essa luta entrea em outro campo minado. Estado e Imprensa dizendo em sala fechada a essas verdadeiras vítimas: “ok, nós reconhecemos e o que oferecemos de indenização a vocês é R$ X,00” – possivelmente uma mísera conta de somar que não chega a fazer sombra ao cuspe que levaram na cara durante aquelas semanas de acusações... se não aceitarem, padeceram nas odes da nossa lenta justiça.
Disso, o Universal Circo Crítico não conseguiu muita coisa: o blog https://flaviaaleixo.wordpress.com (de 05 de abril de 2010) nos informa que a indenização ficou na ordem de R$ 1,5 milhão. Condenadas TV Globo, O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo (aquele da propaganda da imagem do Hitler) e a Revista Isto É.

(... pensando...)

E não pesquisem na Base Lattes do CNPq os donos da Escola Base... Claro que não serão encontrados mais nesta bela arte do trabalho dos homens: a educação!
Não se pode defender uma imprensa livre, liberdade de imprensa e esses chavões todos sem “responsabilidade de imprensa”. Uma imprensa livre não pode ser nem desonesta, nem mentirosa.
E, cá p’ra nós, a bola de papel no José “Rojas” Serra, foi o que em termos de editorial e editoração jornalística????
Tem mais sobre a nossa imprensa livre e irresponsável...

Venham Todos!
Venham Todas!

Vida Longa!

Marcelo “Russo” Ferreira

PS.1: para ajudar a quem se interessar sobre o tema (não só da Escola Base) vão aí umas dicas: (i) o livro “Falsas Acusações de Abuso Sexual e a Implantação de falsas memórias) de Andreia Calçada, organizado pelo ONG Associação de Pais e Mães Separados – Editora Equilíbrio); (ii) o artigo “A Punição Antecipada” de Herbert Gonçalves Espuny – Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo; (iii) e o blog “Mais um café, por favor!” de Flávia Aleixo, em particular, o texto “Para imprensa, acusado é sempre culpado. Muito cuidado...” (o blog, em si, não gosto muito não).


terça-feira, 19 de outubro de 2010

Hipocrisia II...

 

            Um dos temas que vem sendo debatido com ênfase (mas de qualidade duvidosa) neste processo mais recente do segundo turno das eleições presidenciais é a questão da privatização das estatais brasileiras.
            A dúvida acerca da qualidade do debate se dá, justamente, pela relação direta e onipresente a uma relação de consumo. A privatização, diriam seus idealizadores, foi bom para o mercado e para o consumo, pois qualificou a oferta.
            É evidente que a questão em si superficializa o que há de mais profundo deste tema. Pelo menos dois pontos gostaríamos de lançar mão: o primeiro de “profundidade superficial” que é a própria questão da capacidade de acesso aos bens de consumo e, nesta via, a minha condição de existência no estado brasileiro não mais como cidadão, mas como consumidor. “Eu sou o que consumo”, diria nas entrelinhas o poema “Eu, etiqueta” de Carlos Drummond de Andrade. “Meu nome novo é Coisa. Eu sou a coisa, coisamente”.
            O segundo ponto é que mantemos uma relação com o nosso mundo de “uso indiscriminado”, pois consumimos mais até o que não precisamos e, por isso mesmo, jogamos fora o que nunca usamos. Sugamos, porque consumimos – ao invez de convivermos – os bens natuais de todo o mundo e sequer nos damos conta disso.
            Assim, essa ode à privatização como possibilidade de acesso aos bens e serviços fica, no debate político e eleitoral, superficial ao extremos. Não há projeto (ou a ampliação deste debate) de sustentabilidade econômica e social neste debate.
            Porém, a hipocrisia toma um rumo interessante neste contexto e é dele que iremos falar:
Hipocrisia II – como privatizar, não privatizando de imediato: A Universidade Pública como exemplo (inspirado no legado do Professor Felippe Serpa, Bahiano, Educador, Reitor da UFBA e que realizou a morte” em 15 de novembro de 2003).
Regra 1ª – Dizer dioturnamente, até pegar: “A universidade pública brasileira precisa se adequar aos novos tempos” (e aí, faz um arrazoadozinho do que são os novos tempos);
Regra 2ª – pedir a opinião dos organismos internacionais (aqueles que protegem os ricos e poderosos quando crises – que esses ricos e poderosos provocaram – assolam seus países) sobre o papel da Universidade;
Regra 3º – aceitar, inconteste, as opiniões destes organismos (Banco Mundial, por exemplo);
Regra 4ª (já com a cartilha daqueles organismos em mãos) – fazer contas: qual o custo de cada aluno e o quanto ele porduz;
Regra 5ª – concluir que os cursos de Humanas e algumas Sociais e Econômicas “não produzem” e, portanto, não podem receber os mesmo recursos que as tecnológicas e exatas recebem (claro, temos excessões);
Regra 6ª (como consequencia da anterior) – destacar que o melhor modelo de formação superior e produção/sistematização do conhecimento é o positivista, pela capacidade de medir a construção e o que se produz em ciência;
Regra 7ª – após o cálculo apresentado, defender a tese da terceirização de serviços: xerox, Restaurante Universitário, Bibliotecas, transporte, cursos de extensão, prestação de serviços de segurança e limpesa etc.;
Regra 8ª – apresentar o novo cálculo: 30% do custo da Universidade Pública deve sair do bolso do estudante universitário;
Regra 9ª – concomitante a este didático processo financeiro, ampliar a instalação das Fundações;
Regra 10ª – estabelecer regras a estas Fundações, seguindo sempre a cartilha dos organismos internacionais;
Regra 11ª – promover a captação de recursos externos ao Estado (este, o Estado, não financia mais a Universidade Pública) e serão eleitos como os mais competentes financiadores: Empresas Privadas, Indústrias diversas e agronegócio... os “nós, etiquetamos” do poema de Drummond de Andrade;
Regra 12ª – Nunca, mas nunca respeitar o voto dado aos candidatos em época de eleições para a Reitoria: professor é chato; aluno fica pouco e funcionário técnico-admistrativo não é maduro o suficiente;
Alínea I da regra 12ª – se o candidato mais “alinhado” aos organismos acima citados vencer, tudo bem, pode confiar nos votos;
Regra 13ª – Lista tríplice é lista tríplice. Se o candidato vitorioso não for o mais querido do presidente da república (que nomeia o Reitor das Universidades Públicas no Brasil), ele não será “eleito”. Portanto, recorre-se à regra 12ª pela inexistência da Alínea I desta regra;
Regra 14ª – defender o processo de não-eleição para as Faculdades e, assim, os reitores “nomeiam” os seus diretores preferenciais;
Regra 15ª – ações de formação da opinião pública (esta regra é importantíssima):
Alínea I da regra 15ª – mostrar como são boas as universidades privadas comparadas às universidades públicas;
Alínea II da regra 15ª – encontrar professores da Universidade Pública que são meio “faltantes” e dizer que todos são assim;
Alínea II da regra 15ª – mostrar que os setores que “terceirizaram” e/ou recebem recursos de empresas privadas tem melhor material, melhores equipamentos, melhores professores (que recebem pelos projetos desenvolvidos a estas empresas) e maior garantia de ocupação de postos no mercado de trabalho;
Obs desta Alínea – ou seja, quando destes casos, o Mercado de Trabalho é perfeito, certinho, há espaço p’ra todo mundo... aff!
Regra 16ª – pesquisa de opinião, entrevistas com reitores renomados, pesquisadores da Forbes e Nature, grandes diretores de empresas e economistas pós-modernos, ampliação de produções científicas e livros desta corrente de pensamento da Universidade Pública;
Regra 17ª – o contrário é verdadeiro: nada de entrevistas com críticos da privatização da Universidade Pública, diminuição de recursos para períódicos, revistas, livros e congressos “mais críticos”;
Alínea I da Regra 17ª – “pitadas” de desqualificação destes pensadores ajudam: sugere-se o uso de termos como “ultrapassados”, “presos ao muro de Berlin”, “conservadores”. Pode-se criar até o exagero do rótulo: “marxista-leninista”, “stalinista”, “comunista” e “presos ao passado”...
Regra 18ª – estabelecer que a melhor maneira de produção e sistematização do conhecimento é aquela que responda, única e exclusivamente, as demandas do mercado
Uma pitada de terrorismo aqui, outra pitada de matérias jornalísticas ao estilo “Alice no país das maravilhas” acolá, a gravação de vários CD’s com “canções de Sereia” e está feito.



É preciso lembrar: foi exatamente isso que aconteceu no período do governo Fernando Henrique Cardoso... O sucateamento da Universidade Pública Brasileira como processo inconteste para justificar a sua privatização.
Não se privatiza apenas vendendo o patrimonio... Se privatiza tornando-o desnecessário ao Estado e convencendo a população que ele assim o é, enquanto patrimônio público.

Dia 31, Dilma presidente

Venham Todos!
Venham Todas!

Vida Longa!

Marcelo “Russo” Ferreira

PS.1: para quem gosta de documentários e também tem interesse em aprofundar essa particular compreensão da Universidade Brasileira, o vídeo “Convivências de Felippe Serpa” é um ótimo material áudio-visual.
PS.2: A Hipocrisia ainda é tema permanente... a terceira será sobre “liberdade de imprensa”...
PS.3: a foto ao final do texto foi democratizada pelo meu ex-aluno de tempos de Projeto Nossa Escola, Yuri... Um exemplo de jovem lutador.



domingo, 17 de outubro de 2010

Hipocrisia I...


 Nos últimos tempos, o Universal Circo Crítico tem sido menos poético... É verdade, nós reconhecemos isso.
Mas, penso que isso é fruto do que estamos assistindo, no cenário nacional, em torno das eleições.
O que impressiona não é apenas a hipocrisia da direita, arrebatada pela mídia tupiniquim, de se considerar baluarte da ética e da democracia, mas o fato, a sensação dele talvez, de que a cartilha de 1989 (sustentada pelos idéias golpistas de 1964) somada à lição recebida por ambas (a direita política e o Partido da Imprensa Golpista) em 2006 – quando seu candidato conseguiu a proeza de perder 2,8 milhões de votos entre o primeiro e o segundo turno, ou seja, na pior das hipóteses, 2,8 milhões de eleitores que votaram em Geraldo Alkminn no primeiro turno de 2006, votaram em Lula no segundo turno – está sendo reeditada nestas eleições. E está dando certo...
Essas lições e a cartilha de décadas destes dois poderes centrais da democracia capitalista estão sendo utilizados em peso... e com “ares” de democrático e republicano. Por isso a hipocrisia.
Os temas que geraram o desconforto eleitoral atual me causam perplexidade e, assim, pretendemos de maneira sucinta (p’ra ver se dá debate), descrevê-los:
Hipocrisia I – a defesa da família brasileira, da mãe e a luta contra o aborto:
Em entrevista a BBC – Brasil (vídeo acima, disponívem em http://www.youtube.com/watch?v=oXmzJmJppZI), a candidata Marina Silva, do PV, declara sobre a questão dos votos que recebeu (ou parcela destes) “as pessoas sabiam que estavam votando em alguém que prima pelo respeito ao estado laico”, completado que, dentre outros, evangélicos e católicos tem o direito de afirmar seu ponto de vista, destacando que este debate, inclusive, deve ser feito “no mérito, não no rótulo”, ou seja, no seu conteúdo e não na sua aparência.
Portanto, o que vem sendo alardeado Brasil afora (e os candidatos, oportuna ou “armadilhamente” vem aceitando isso) é que precisamos defender no Estado brasileiro as questões religiosas e, assim o sendo, precisamos condenar o aborto. Mas se o Estado é Laico, por que vem à tona o debate sob o ponto de vista religioso?
Mas a hipocrisia deste debate precisa ir um pouco mais adiante:
Condenemos o aborto, ok? Está condenado (aliás, ainda é crime... para as mulheres pobres, claro)!
Mas além do Estado ser laico, a questão do aborto não pode ser tratado como caso de polícia ou segurança nacional. “Pelo amor de Deus!”, não me façam isso. Então, é prudente entendermos que a questão do aborto é um tema de saúde pública.
Mulheres abortam e abortaram. Algumas, com poder aquisitivo inquestionável já abortaram, em clínicas especializadas, com toda a segurança e higiene necessárias. Soninha Francine (PPS) e Hebe Camargo (baluartes da defesa da candidatura Serra) já fizeram aborto. Mas, diferente delas, mulheres pobres, semi-letradas ou completamente analfabetas, trabalhadoras exploradas, faveladas ou perdidas nos rincões mais escondidos do Brasil, mulheres que sofrem abuso sexual de parentes, padres (vida a Fé Cristã!) e patrões, latifundiários ou madeireiros, mulheres-meninas, que ainda seguram sua boneca encardida nos braços, recorrem ou são levadas ao exercício do aborto por questões de sobrevivência, apesar da ignorância dos riscos, da própria saúde e de seus direitos – muitas vezes impedidas de os exercerem.
Se assim o é, um caso de saúde pública, pelo menos duas frentes de ação do Estado brasileiro (laico) são necessárias: (i) essas mulheres não podem ser tratadas como criminosas, mesmo que tenham “matado criancinhas”; (ii) é necessária uma política pública que, de um lado, dê amparo a essas mulheres, para que tenham seus filhos em condições ideais e, de outro lado, dê assistência e educação sobre prevenção à gravidez (principalmente em relação às adolescentes).
E aí, a hipocrisia novamente se manifesta.
Ou o Estado (laico) irá defender que as relações sexuais só poderão acontecer após o matrimônio (como entende as religiões mais radicais) ou a política de saúde pública irá tratar este tema na perspectiva das ações de contra-concepção, dentre elas, o uso do preservativo.
A mesma idiotice e hipocrisia religiosa que se posta contra o aborto, se posta contra as ações de prevenção à concepção... contra as ações de “distribuição de preservativos” para evitar a gravidez.
Alguém aí pode me explicar o que eu estou entendendo de errado????
Ah! E não nos esqueçamos: relações após o casamento implica em ações do Estado que evite a gravidez indesejada por ações de poder e/ou força de padrastos e outros parentes, o bandidos, o patrões e alguns sacerdotes que a Santa Igreja sempre procura esconder.
Hipocrisia neste tema realmente não falta!

O Universal Circo Crítico é DILMA PRESIDENTE! E conclama seus artistas e estimado público a votar em Dilma, dia 31 de outubro!

Venham Todos!
Venham Todas!

Vida Longa!
Marcelo “Russo” Ferreira
P.S1.: Eleitores que votaram em Marina Silva, ASSISTAM a reportagem... é reveladora e, por ser reveladora, não tem expressão de alcance público.
P.S2.: Os temas “hipocrisia” irão permear nosso espaço, nas próximas semanas. No próximo texto, a “hipocrisia da privatização”...

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Dia do Professor... e da Professora!


            
 
 
 “Educar é possibilitar o poder de escolha” 
(Paulo Freire)



 








            Hoje, 15 de outubro, é o Dia do Professor. Aliás, gramática de gênero estranha para uma área de atuação que concentra, inquestionavelmente, um número de trabalhadoras (professoras, mulheres) maior do que de trabalhadores (professores, homens). Mas, ainda assim, é sempre chamado em todo lugar (Comércio, Escola, blogs, sites os mais diversos, mídia etc.) de Dia DO Professor.
            É como eu chegar numa sala de aula, de maioria feminina, e encontrar um ou dois alunos – homens – e dizer “Bom dia a todos!”... e o português correto (aquele que a nossa elite costuma se deslumbrar de piadas ao falar do atual Presidente do País), diga-se, é machista.
            Essa reflexão, à bem da verdade, não é ao acaso, não é fruto de perspicaz observação... é, concretamente, uma preocupação e que concorre com os dias atuais de maneira interessante. Perigosa, mas interessante.
            Acostumamo-nos a falar “Vida o Dia do Professor!” sem nunca nos atentarmos a essa questão de gênero. Se nos atentamos, não foi o suficiente. Possivelmente, porque não percebemos que a arte de educar extrapola a própria escola, a própria relação “professor-aluno”. E muitas vezes essa relação também é perigosa.
            Se não fosse assim, como explicar fatos como o relacionado neste mesmo espaço, de bullying político? Ou qualquer outra fora de bullying? Por que a escola e seus/suas educadores/as não conseguem ensinar o óbvio? Não há espaço para o racismo, e homofobia, a intolerância numa sociedade decente, correta, educada... ou há?
            Parece-me que esta árdua tarefa (porque longa e difícil), este trabalho hercúleo de educar pessoas (trabalhadores e patrões) também atravessa questões que vão muito mais além do romantismo ato de “educar”. Não apenas Paulo Freire, mas inúmeros educadores comprometidos com a qualidade da educação (que não se limita a “preparar” jovens – pobres – para o mercado de trabalho e “preparar” outros jovens – ricos – para comandar o mercado de trabalho) sempre afirmaram, e corretamente, que educar é um ato político. E é, assim como é um ato político o debate em torno do gênero (que este circense, à bem da verdade, não domina com a propriedade necessária).
            Assim entendendo, o Universal Circo Crítico homenageia os Professores e as Professoras Brasil e Mundo afora (temos uma nobre visitante chilena por este picadeiro, vez em quando), lembrando de algumas lições (não de casa) importantes:
Educar é SEMPRE um ato político. E como tal, pode-se educar para o silêncio, a obediência e a subserviência ou pode-se educar para a liberdade, para o questionamento, para a formação de “cabeças erguidas”... sempre erguidas;
Educar não é ensinar a fazer, mas ensinar o porquê fazer e, também, o porquê NÃO fazer... e desde lá nos primeiros anos de ensino;
Educar não é um ato de adequação e, sim, de transformação. Não podemos educar pessoas para adequarem-se à sociedade. Isso seria um verdadeiro crime pedagógico. Educamos para transformamos a realidade, transformarmos a sociedade, compreendendo-a  profundamente;
Mas, penso que educar é, acima de tudo, um convívio com a humildade e um enfrentamento da hipocrisia. A humildade como lição, Saramago (comunista, não nos esqueçamos) nos deu quando recebeu aos 76 anos o Prêmio Nobel de Literatura, em Estocolmo na Suécia (1998) ao afirmar: “o homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever” não apenas homenageando, mas reconhecendo as lições que aprendeu com seu avô e camponês Jerónimo Melrinho.
O enfrentamento da hipocrisia como lição necessária nós estamos vivendo atualmente, nos embates do segundo turno da eleição para Presidente/a do Brasil. E que possamos reconhecer de que lado está a hipocrisia...
Mas, hoje, homenageamos os lutadores que formam lutadores. Homenageamos os educadores que se negam a “educar dores”, mas a enfrentar aqueles que provocam essas dores sociais, econômicas, educacionais na ainda grande parte da população brasileira. Homenageamos os educadores lutadores do povo!
Viva o dia do e da Professor e Professora!
E que neste dia possamos verdadeiramente perceber a importância das palavras de Paulo Freire: educar é possibilitar o poder de escolha!
Continuamos escolhendo Dilma!
Venham Todos!
Venham Todas!
Vida Longa!
Marcelo “Russo” Ferreira