RESPEITÁVEL PÚBLICO!

VENHAM TODOS! VENHAM TODAS!

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Conversa ao pé de ouvido de Nina...

Gervasio Troche





“O poeta
é como príncipe nas nuvens. 
As suas asas de gigante 
não o deixam caminhar...”
(Charles Baudelaire)






            Salve, Salve, Salve, nossa querida Pequena Nina... Filha de Ravi e Luciana... Bom, Luciana nós ainda não conhecemos, é verdade. Mas o Ravi, ah! o Ravi... Tipo assim: “Quem não gosta do Ravi??”
           ...

– Baita silêncio em nosso circo, né não? (Palhaço)
– Pois é, Strovézio... ninguém respondeu!

Ao ver Ravi se emocionando com a sua chegada, não tenho como não olhar um cadinho pra trás e vê-lo, menino-esperança dos bons e velhos (velhos e bons) tempos do Projeto Nossa Escola, onde este humilde apresentador aventurou-se como professor de Educação Física (e, ainda assim, compomos na sala dele o “Obliquo-catu e o Maraca-reto”... ele te conta essa história um dia desses).
Nossa Pequena MeNina, que traz em seu nome a manifestação de protetora dos mares e da fertilidade. Portanto, em ti, já desde pequena, tudo tem vida e tudo proporciona vida.
            Chegas em tempos estranhos, com gente esquisita, tocando as coisas, as vidas e o futuro, por aqui. Mas, paradoxalmente, tempos em que a esperança é nossa expressão mais importante e a prática sua verdade.
            Vais, talvez, passar por aqueles tempos em que sua mãe ou seu pai irá te dizer:

            – Deixa eu falar, deixa eu falar!!!!!!! (Palhaço)
            – Ok, Strovézio... diz tu, então:
            – “MeNina”, vem já pra cá!!!!!
            – Pois é... vai ser o tom da voz para saber se te chamam pelo nome ou pela arte que fizeste...
            Bom... como sempre fazemos em nossas inxiridas conversas ao pé de ouvido, tudo e um pouco mais aconteceu na história da humanidade em 31 de agosto... De bom e de lições. Pessoas nasceram e se despediram, terras foram tomadas ou devolvidas, reis e rainhas, príncipes e princesas, imperadores e imperatrizes assumiram tronos ou foram destronados... Tudo isso e mais em uns tantos 31 de agosto.
            Há de reconhecermos, também, que muitos outros fatos históricos não estão escritos para os sabermos... Nada sabemos de antes de 500 anos, quem eram, o que faziam, como faziam – assim, com datas – os povos das Américas ou de parte significativa do Continente Africano...
            Mas, sabemos que muitos 31 de agosto vieram... Torcemos para que muitos outros possam vir. Falaremos de uns poucos, daqueles que nós, artistas desta lona furada, achamos que poderão ser valiosos a ti...

Gervasio Troche

            A música... ah!, a música... O Chorinho, as canções de carnaval de Emilinha Borba e Dalva de Oliveira estão presentes, saudando e se despedindo de seu 31 de agosto... assim como o jazz irlandês de Van Morrison ou o bom e velho rock’n’roll de Rudolf Shenker (Scorpions) e Gene Hoglan... E a MPB de Francis Hime, fantástico Francis Hime...
– ó... o Chico (Buarque) mandou dizer à Nina que “O Francis aproveira pra também mandar lembranças” hehehe... (Palhaço)...
Inspiração musical para todos os estilos... e para as piadas do Strovézio.
            Mas a música, Nina, é algo que também nos liberta... Porque podes “tocá-la” dentro de si e a liberdade sempre vem de dentro. E podes “tocá-la” para fora de si, porque a música só é música se é para todos que estão à sua volta... E tu, particulamente, em terras pernambucanas, ah!, vais te esbaldar de tanta música.
            Que possa sempre te-la contigo, dentro de ti, à sua volta, com os seus amigos, amigas, família e até desconhecidos. Que possa ser, em vida, música de vários instrumentos e sons, e tons, e ritmos...
            Além da música, você chega em um dia em que descobrimos (sim, não o conhecíamos) o poeta francês Charles Baudelaire, que nos saúde neste papo contigo. Bom, a música dialoga muito bem com a música, não é verdade? Ops! Calma... ainda irás descobrir isso... Quem sabe se será com a Tia Edivânia ou com a Tia Mery? Quem sabe Tia Fabíola?
            Mas, Charles Baudelaire era um poeta que estava meio fora de seu tempo. Lê-lo e perceber quando ele escreveu nos dá um nó, um “nossa! O que era isso no século XIX?”... Palavras cantadas em poesia que nos parecem tão atuais?

“Para não serdes os martirizados e escravos do tempo/
embriagai-vos sem tréguas/
de vinho, de poesia ou de virtudes/
como achardes melhor!”

            Coisas simples, como um picadeiro de terra batida e uma lona furada fazem nossos curações manterem-se assim, humanos... Vinho, poesia e virtudes.
            O Vinho? Bom, só quando seus pais deixarem, certo? Mas, acho que eles não se importarão em iniciá-la com o suco de uva....
            A Poesia? Ah!, tudo que você for sentindo, desde sua primeira palavra. Poesia com “Papai” e “Mamãe” estão até na forma de dizer... essas duas palavras serão poesia, pode ter certeza, quando a disseres a eles.
            Virtudes? A Humanidade... toda virtude que servir à humanidade voltar a ser verdadeiramente humana... Toda virtude que permita as crianças terem não apenas futuro. Mas presente... E, tendo-os (presente e futuro), terão, também, passado... E o passado é necessário.
Assim, querida Pequena Nina, nós te saudamos. Nós, em nossa humildade e alegria circense, que há poucos dias (em que pese todos os dias) chorou a imagem de Aylan, saudamos você... e não nos escondemos em nossa saudação fraterna e esperançosa:
Viva Nina!
Viva Nossa Pequena Lutadora do Povo Nina!
Vida Longa...
http://gartic.com.br/buffon/desenho-livre/_1281924543

PS.: Há quase exatos três anos atrás, este picadeiro saudava outra Nina... a Nina Flor (http://ouniversalcircocritico.blogspot.com.br/2012/09/conversa-ao-pe-de-ouvido-de-nina-flor.html
PS 2.: Tem um site, “dicionário dos nomes próprios” que diz assim: “No Brasil, Nina é um nome feminino comum”... Comum????? Quem aqui, além deste picadeiro “todinho”, discorda?

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

A Greve IX... "O objetivo era nos humilhar..."

“Nenhum povo da região
nunca mais
deverá ter que negociar
sob o medo”
(Yanis Varoufakis
Ex-ministro das Finanças grego)
           
Passaram-se mais de 100 dias...
            Houve quem defendesse que a greve prejudicava mais do que ajudava e dizíamos que a greve cansava muito mais os que nela estavam e atuavam, mas que lutar era e é imprescindível.
            Falamos da imprensa e da opinião pública e o medo da primeira quando constata “o perigo” que é a população dar parecer favorável a grevistas.
            Falamos pelo que corríamos, em busca de que e a favor de quem nos ousávamos entrar em uma greve.
            Falamos também o quanto é imperioso a Universidade (e não apenas em tempos de greve) dialogar com a sociedade, mostrar a sociedade para que e para quem ela está lá, funcionando todos os dias. E porque é importante que ela continue pública, gratuita, laica e de qualidade.
            Falamos o quanto é importante fechar portões quando estamos em greve, por mais antipático que isso possa parecer.
            Falamos de Castanhal (nossa casa real), mas também servia para vários outros Institutos, Unidades que, à contramão da decisão legítima de entrar em greve, seguem seu dia-a-dia em silêncio ignominioso, como se nada estivesse acontecendo... como se a Universidade não corresse risco de continuar como tal.
            Falamos de quase tudo um tanto quanto. E o fizemos no sentido mesmo de defender aqueles que cruzam os braços pelo direito de não ter mais que cruzá-los. E isso é realmente tão difícil de entender aos que tem o umbigo como expressão maior de vida...
            Pois bem...
            Grécia, 2015... A Troika (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Européia...
            – Isso realmente não tem cara de gente... (Palhaço)

            ... estão preocupadíssimas com o desfecho das eleições do Syriza e da posição que este Partido defende e para o qual fora eleito: não aos ajustes de austeridade que infligiriam (e estão infligindo) a miséria ao seu povo. Milhões de gregos contra três, apenas TRÊS instituições financeiras que tem em seu currículo dar as costas às demandas da humanidade (ou do povo europeu)... A quem se interessar, pesquisem sobre o impacto destas em Portugal, Irlanda do Norte, Itália, Espanha...
            Seis meses (ou mais do que os nossos 90 dias de greve nas federais) e não houve um único, mas um milímetro que fosse, de recuo daquelas instituições para com as negociações com a Grécia.
            Para quem tem dúvidas, segue o relato do próprio Ex-ministro greto, Yanis Varoufakis:
            “Não havia mais dúvida. Se aceitássemos assiná-lo, o texto destruiria os últimos vestígios do Estado social grego. Exigiam de nós uma capitulação espetacular que mostrasse aos olhos do mundo que nos ajoelhávamos” (Le Monde, agosto de 2015, p. 15)
            Matéria completa em: http://www.diplomatique.org.br/artigo.php?id=1921

            – Apostaram no fim de um Estado Soberano... e venceram? (Palhaço)
            – Às palavras proferidas pelo ex-ministro parecem ser claras...
            É assim que se sangra uma nação até a morte. Isso acontece em países do eixo, digamos, “colonizados”: Panamá, Haiti, Nicarágua... Brasil.
            ...
       O Governo Federal, o Ministério da Educação (que já assumiu sua posição de “financiador” do Ensino Superior privado...publicamente), o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão não deram um passo a menos durante esses seis meses. Agora, talvez, um pequeno recuo...
            Não se trata apenas de reposição ao já defasado salários dos professores. Mas, também, do eminente processo de destruição da Universidade Pública brasileira, que minguam país afora para pagar conta de luz, para pagar os contratos de terceirizados (que são demitidos por fazerem greve... por não receberem salários), para garantir o investimento em Pesquisa e Extensão, em Ciência e Tecnologia.
            Se trata também de lutar contra o deslavado e público processo de privatização da Universidade Pública brasileira, que já vem sendo defendido em editoriais de nossos já conhecidos jornalões da velha mídia e de setores de fomento ou representação da Pesquisa, como a CAPES e a SBPC.
            E o que vejo, mas muito claramente, nestes tempos de luta e greve, é a receita da Troika sobre a Grécia sendo experimentada em nosso país. E não acho que somos apenas cobaias.

            Estamos, claro que estamos exaustos...
            Mas, como diria a palavra de ordem da Via Campesina:
            – Cansados?
            – Não!
            – Na Luta do povo...
            – ... ninguém se cansa!

            Venham Todos!
            Venham Todas!
            Vamos lutar por essa Universidade... Ou eu falei grego?
www.correntes.blogs.sapo.pt
(
http://1.fotos.web.sapo.io/i/B8e14d388/18510254_Z8vDd.jpeg





segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Crianças sem Futuro...

Guernica - Pablo Picasso



“Não é a chuva que bate em minha janela
são as lágrimas dos desterrados náufragos
Meu coração e o mão são inúteis
se do outro lado não há onde chegar”
(Um navio sem porto – Mauro Iasi)


            O picadeiro do Universal Circo Crítico, com sua terra batida e sua lona furada, reconhece: grande parte de seu público é composto de jovens, adultos e idosos.
            Não “atraímos” crianças... Elas, possivelmente, quase não estão presentes aqui, em nossas andanças. Uma leitura de uma mãe e/ou um pai em nossas “Conversas ao pé de ouvido”, talvez. Ou, uma ou outra leitura, também acompanhada de um adulto.
            – Mas elas sempre estão presentes em um lugar especial e revolucionário... em nossos corações! (Strovézio)
            – Exatamente, meu caro palhaço!
            Há vários motivos para sempre nos perguntarmos sobre o futuro da humanidade. E há várias razões para pensarmos sobre esses motivos. As crianças são a razão dos motivos de nossas perguntas...
            Não estamos no limbo dos discursos hipócritas de artistas, políticos, atletas e seus “pensem nas criancinhas”. Mas, estamos no limite de nossa desumanidade. Da nossa incapacidade de conseguirmos reagir, de alguma maneira, contra seu extermínio. E quando nos acostumamos com a morte de crianças, sem deixar de dormir...
            – Pelo menos isso, o que não serve muito (Strovézio)...
            – ... pelo menos isso...
            Na internet, nos vários registros (e a expressão dos “não-registros”, de que o mundo segue “muito bem, obrigado!”), os feicebuqueanos, em alguns jornalões... A impressão que tivemos é que nada como uma notícia trágica para termos o que fazer, o que noticiar. Até mesmos as inúmeras charges que foram publicadas (muitas delas realmente expressivas) parecem ceder ao fato-notícia.
            E pouco, muito pouco, vislumbramos um horizonte que dê fim a imagens como a de Aylan Kurdi (em turno) ou Alan (em curdo) na semana passada.

Foto de Nilufer Demir - Agência de Notícias Dogan / Turquia

            Uma foto que, paradoxalmente, transformou-se em símbolo de uma tragédia que está atingindo milhares de refugiados que tentam chegar à Europa. Como assim, “símbolo de uma tragédia?”... Como assim, “símbolo”?
            Não faltaram símbolos na história recente da humanidade e suas atrocidades a crianças. Atrocidades que tinham um único propósito: PODER! Um símbolo novo?
               Temos vários símbolos...
            As 88 crianças de Lídice (antiga Tchecoslováquia), assassinadas em campos de extermínio, por gás, com suas mães, avós, tias durante a II Guerra Mundial e que por si só já deveriam ser lembradas para não se repetir tal atrocidade... e repetiu-se.

Memorial das Crianças Vítimas da Guerra em Lídice

            As crianças palestinas mortas na faixa de Gaza não morrem porque são terroristas... morrem porque são palestinas.


            As crianças vietnamitas na “Guerra do Vietnã” morreram porque eram exatamente...vietnamitas.


http://historiaonline.com.br/
2014/09/24/para-refletir-a-guerra-a-fome-e-a-negacao-do-futuro-2/

crianças mortas pelo uso de bombas napalm, americanas
            E as crianças do Afeganistão, assassinadas por drones americanos? Eram afegãs, e ponto.
http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2015/03/sobre-o-fascismo-democratico-de-mercado.html

            Na Ditadura em vários países da América Latina (Brasil, incluído, em que pese não se reconhecer como latino)
            – O que é, então? (Strovézio)...
            – Tá’í, Strovézio... uma boa pergunta... mas, sobre as crianças, algumas morreram no ventre de mães, violentadas e torturadas e outras fotografadas como terroristas e outras tantas tiradas de seus pais e entregue para serem adotadas... por seus algozes. E o que elas eram?
http://oglobo.globo.com/cultura/livros/
livro-reune-historias-de-criancas-presas-torturadas-ou-exiladas-durante-ditadura-no-brasil-14496104
            As crianças iemenitas, assassinadas por drones americanos (eles, de novo), o que eram, senão, crianças iemenitas?
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/os-mortos-invisiveis/
            E as crianças da Síria? Morreram por que? Senão pelo fato de serem talvez um “efeito colateral” da ação imperialista e de países europeus em uma vazia defesa da democracia... E por serem crianças sírias.
http://www.publico.pt/mundo/noticia/forcas-sirias-acusadas-de-ataques-quimicos-perto-de-damasco-1603577
            Crianças indígenas, americanas, não morreram, claro, porque eram americanas.., Mas porque eram indígenas... Assim como crianças indígenas na América Latina... Assim como crianças indígenas no Brasil, cujos massacres e assassinatos de índios não sai e não sairá nos jornalões e semanários indignados com a sujeira, a corrupção, a desonestidade e seus inúmeros e hipócritas blá-blá-blá's, justamente por seu rabo preso com o mesmo poder que os corrompe...: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/01/crianca-indigena-de-oito-anos-e.html
           
            Crianças indígenas, curdas, sírias, vietnamitas, iemenitas, etíopes, iraquianas, palestinas, haitianas (e seus pais longe, tentando reencontrar a vida e suas famílias), latino-americanas... crianças pobres, negras, periféricas... crianças que até “pagam” por serem exatamente isso...
http://www.jornalopcao.com.br/posts/opcao-cultural/flagelo-que-nos-aflige-a-fome-que-nos-consome
            Tenho certeza de que nosso público – de jovens, adultos, idosos – se chocou com as fotos, se sensibilizou com as charges, comentou, “curtiu”, compartilhou, zapzapiou e o escambal com essa foto, com a história da família de Aylan. Talvez até tenham se indignado com o fato de países europeus, e não menos que Estados Unidos e/ou Canadá, estarem numa sina de não assumirem a responsabilidade por toda essa histórica situação de milhares e milhares de pessoas fugindo de suas casas, se suas famílias, de suas comunidades, de suas histórias para tentar chegar em um novo lugar no qual continuarão a serem a mesma coisa... fugitivas.
            Mas, mesmo diante desta certeza, ainda me pego diante de uma imagem que, também, nos denuncia... historicamente...


            Rosa Luxemburgo, em tempos de presságios claros da I Guerra Mundial, alertando a humanidade (e, claro, os trabalhadores) a agir antes que fosse tarde demais, afirmava "Socialismo ou Barbárie"...
            Para Aylan e milhares e milhares de crianças e seus adjetivos, já é tarde demais. Já é a barbárie.
            Nosso Picadeiro está de luto... e em luta!

            Venham Todos!
            Venham Todas!

domingo, 6 de setembro de 2015

Uma pequena Luz... por Lais Cunha

Não é de hoje...
É todo dia...
A Pororoca está extinta... conseguiram (o bicho-homem) extinguir a pororoca...
O latifúndio avança e a floresta diminui. O Governo Federal tem uma Kátia Abreu na Agricultura e uma oposição (que é uma boa “situação” para a mesma) Boi na Câmara Federal...
Belo Monte, então???? Só a hidrelétrica de Teles Pires na Floresta Amazônica (divisa  de Mato Grosso com Pará) já tem vegetação apodrecendo e a fauna condenada e o aumento da emissão de gás metano... Energia limpa pra dedéu (conferir no blog de nosso digníssimo Leonardo Sakamoto: http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2015/07/31/amazonia-apodrece-em-lago-de-nova-hidreletrica-brasileira/)
Em regiões diferentes do Brasil, principalmente em áreas ainda remotas da Floresta Amazônica e do Mato Grosso do Sul, o extermínio de comunidades indígenas acontece, inclusive, com a presença da Força Nacional...a maior parte das vezes, ao lado dos latifundiários, que conseguiram reescrever seus como como "homens do agronegócio".
Bom... No meio disso tudo, a filha (Laís Cunha) de uma sempre frequentadora de nossa lona furada me envia um texto, pedindo que possamos também divulgar. Resolvemos, em nome de uma longa amizade, divulgar em nosso picadeiro...



     Registramos, de partida: temos opiniões bem divergentes sobre Belo Monte...  Bem divergentes, mesmo... Mas, como neste espaço, o debate diferente, divergente e até antagônico – desde que franco e fraterno – é sempre muito bem vindo...

Venham Todos!
Venham Todas!
                                               
Uma pequena luz (por Laís Cunha)

Conhecido por ter como fonte primária de energia as hidroelétricas, o Brasil é considerado por muitos como um país com fontes de energias limpas, mas será que tem tantas energias renováveis assim?
Neste ano foram investidos bilhões em termoelétricas (http://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/2015/05/empresa-espanhola-instalara-duas-termeletricas-no-brasil.html) graças ao atraso de Belo Monte e a seca.
Ivo Pugnaloni, especialista em energia e engenheiro elétrico, afirma que “o nível baixo dos reservatórios e o pequeno investimento em novas usinas hidrelétricas têm obrigado o país a recorrer às usinas movidas a gás ou óleo diesel, gastando R$ 2,3 bilhões ao mês com essas usinas térmicas – uma despesa paga pelos consumidores em suas contas de luz”.
As usinas termoelétricas causam prejuízo ao meio-ambiente e aos consumidores: utilizando fontes como carvão, gás natural ou óleo diesel, emitem mais CO2 para a atmosfera e aumentam a pegada de carbono do país, além das chuvas ácidas que são causadas pela queima de combustíveis fósseis.
No caso das termoelétricas movidas à energia nuclear, o problema é o lixo atômico e o fato de que, graças ao aquecimento da água, há diminuição do oxigênio local, causando dano aos peixes e plantas próximos à usina.
Para os consumidores há a clara desvantagem com relação ao preço, que será maior, e para os conscientes que se preocupam com sua pegada de carbono, essa irá ter um aumento considerável, isso sem contar que o seu peixe pode estar contaminado pela radiação.
Já no caso da hidroelétrica de Belo Monte há o ponto de vista negativo e o positivo: Francisco Del Moral Hernandez, professor da USP formado em engenharia pela Unicamp, diz que a construção da grande hidroelétrica só irá trazer prejuízos, tanto ambientais (pela área que ocupa) quanto financeiros, pois segundo ele uma grande quantia de dinheiro está sendo usada e trará pouco retorno.
Do ponto de vista de Lucas Schapira, estudante de engenharia da Unicamp, a construção da usina está sendo ótima, tanto do ponto de vista financeiro quanto ambiental, afinal ele diz que a demanda por energia é crescente, e sem a usina será impossível para o Brasil suprir suas futuras necessidades energéticas, e não há outra forma rápida e limpa de energia que produza tanto quanto Belo Monte. Com relação ao meio ambiente e propriedade indígena, a área foi diminuída e antes que ocorresse a inundação os animais foram transferidos para um local com o mesmo habitat, plantas foram recolhidas, e a área indígena, ele diz, foi contornada, de forma que não houvesse dano para os índios.
Apesar de todos os problemas, a pátria verde e amarela detém o sétimo lugar no ranking dos países que mais investem em energias renováveis, e, de acordo com o relatório Tendências Globais em Investimentos em Energias Renováveis (PNUMA), em 2014 o valor investido aumentou em 93% em relação ao ano anterior, alcançando US$ 7,6 bilhões.
O Brasil também está na lista dos países com políticas relacionadas a energia sustentável e metas energéticas limpas, como mostra a imagem abaixo:


O que eu quero dizer com tudo isso? O Brasil é um país repleto de potenciais energéticos renováveis, possui políticas boas para energia, mas ainda existem diversas maneiras de melhorar, como por exemplo deixar de investir em termoelétricas.
O que os cidadãos podem fazer para ajudar? Ficar de olho onde os políticos estão investindo o dinheiro público por meios de portais do governo, como o site da Câmara, em que é possível haver os projetos dos deputados, transformar a própria casa, desde mudanças pequenas como não deixar aparelhos elétricos ligados o dia todo a  mudanças grandes como colocar painéis solares.
Um país lindo e rico por natureza como o nosso pode fazer diferença criando uma pequena luz de energias renováveis em um mundo escuro de energias fósseis.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Hoje, não me dê "Parabéns!"... por favor...




“A guerra, que aflige com os seus esquadrões o Mundo,
É o tipo perfeito do erro da filosofia.
A guerra, como tudo humano, quer alterar.
Mas a guerra, mais do que tudo, quer alterar e alterar muito
E alterar depressa.
Mas a guerra inflige a morte.
E a morte é o desprezo do Universo por nós.
Tenho por consequência a morte
A guerra prova que é falsa.
Sendo falsa, prova que é falso
Todo o querer-alterar”
(Alberto Caiero/Fernando Pessoa
Poemas Inconjuntos)


                Há alguns anos, nosso Picadeiro de terra batida e lona furada assim registrou o 1º de setembro:
                “Na história da humanidade, o 1º de setembro é marcado pela invasão Hitleriana com tanques de guerra até os dentes pela fronteira polonesa e, desta invasão, o mundo testemunhou um dos períodos mais sangrentos da história moderna: a Segunda Grande Guerra!
                Hoje, como herança geopolítica deste conflito, a ONU ainda tem como membros do Conselho de Segurança os mesmos vencedores daquele conflito, ainda que a realidade política mundial tenha sido alterada profundamente...
                Qualquer semelhança com o que hoje, no Brasil, alguns ousam celebrar com o “Dia do Profissional de Educação Física” não passam tão distante daquele fato de 1939.
                Ainda que não estejamos falando de “Guerra Mundial”, falamos do assalto violento à luta por uma educação de qualidade, por uma formação comprometida com a transformação social, por uma educação física libertadora.
                Por trás desta data, temos a expressão da opressão, da coerção e da coação, ações idênticas as que o movimento nazista (seguido por Mussolini) empregava contra povos judeus, tchecos, poloneses, austríacos e disseminavam pelo oriente e América Latina.
                Não existe (ainda que alguns queiram) mais ou menos opressão, mais ou menos coação, mais ou menos coerção... são todas elas violência. Foi assim na II Grande Guerra, é assim com o Conselho Federal de Educação Física e seus regionais, o Sistema CONFEF/CREF.
                Não defender, no olhar à história da humanidade, os princípios do nazismo é, igualmente, não defender os princípios deste sistema, expressão explícita da coisificação do homem e (da manifestação defesa em colocar) “trabalhador/a contra trabalhador/a”.
                A lição é a mesma: aprendemos com a História, passada e presente, o preço de nossa ilusão, ignorância e, principalmente, de nossas próprias correntes!”

                Naquele não tão distante ano de 2010, mantínhamos a nossa posição de estarmos ao lado da Classe Trabalhadora e dos/as Trabalhadores da Educação Física (PROFESSORES/AS) e, portanto, na trincheira oposta ao Sistema CONFEF/CREF.
                – Dá pra parar com esses termos de baixo calão??? (Palhaço).
                – Perdoe-me, Strovézio... mas para expor minha posição, tenho que citar o inimigo.
                Houve, à época, alguns “protestos”, centrados, precisamente, à minha analogia acerca do 1º de setembro entre o início da Segunda Guerra Mundial e o Dia do Profissional de Educação Física... e, claro, as ofensas a este humilde apresentador.

                De qualquer maneira, mantemos firmes e mais claras ainda nossa posição: nossa luta contra os CONFEF/CREF é nossa luta em defesa dos trabalhadores e trabalhadoras das práticas corporais, é nossa defesa aos Professores (que somos) e Professoras de Educação Física...
                E não recuaremos... nosso direito a cambalhotas, equilíbrio, lançamento, saltos, força e nossas várias outras práticas corporais continuará.


               Sim... o Dia do Profissional de Educação Física é uma farsa... Nós somos PRO-FES-SO-RES! E celebramos o dia 15 de outubro...
                Venham Todos!
                Venham Todas!